ESPAÇO ABERTO
Refletindo sobre o direito ao aborto
André Eduardo Pullin Lazzarini
O erro mais comum e observado dentre a maioria daqueles que defendem o aborto é a defesa do direito à propriedade do seu corpo, tornando o feto parte do seu corpo. Um braço é parte de um corpo, sendo então propriedade deste corpo. Se o proprietário decide descartar seu braço, lhe será permitido e nenhuma culpa lhe será imputada, pois ele é dono e pode fazer e desfazer daquilo que lhe pertence. O braço destacado do corpo pode permanecer utilizável, desde que adequadamente conservado, para que seus tecidos possam ser reutilizados ou reaproveitados; mas um braço nunca conseguirá autonomia de sobrevivência por mais tempo que permaneça junto do seu corpo de origem antes de ser amputado.
Um feto, ao contrário, não lhe pertence. É independente. É um ser vivo que, embora não tenha autonomia durante certo tempo, terá em breve. Desde o momento da união dos gametas surgiu um ser que conquista uma crescente autonomia a cada dia que passa, até que se tornará independente daqueles que lhe deram a vida. Se assim o é, não podemos considerá-lo uma mera parte de um todo, um apêndice que pode ser disposto ao sabor dos desejos daquele que se acha seu dono - e que, na verdade, apenas é um hospedeiro para que esse novo ser conquiste sua autonomia. Neste momento, quando é apenas um hóspede do corpo em que foi gerado, não pode ser tratado como um simples pedaço de carne que incomoda e que pode ser dispensado. Estar hospede não lhe confere a obrigação de ser pro-priedade de alguém.
Assim dizendo, parece que a frieza e a indiferença habitam nossos raciocínios e pensamentos. Mas o raciocínio tendencioso e parcial da propriedade nos empurra para essa ilha, essa ideia de ser dono só porque está dentro do seu corpo. É enganoso e capcioso levar as pessoas a pensarem desta forma. Há que ser cuidadoso e analisar cada ideia que surge a respeito do assunto, inclusive estar atento aos interesses escusos dessas formas de pensar. Os filhos vem por meio de vós..., mas não são propriedade vossa(Kahlil Gibran).
ANDRÉ EDUARDO PULLIN LAZZARINI é médico veterinário em Londrina
Elevar nossas percepções
Walmor Macarini
Tenho falado das mensagens que, nestes tempos de passagem de milênios, o arcanjo Miguel tem enviado aos co-irmãos da Terra, porque elas exaltam a grandeza humana e robustecem nossas esperanças. Ele nos diz que temos de manifestar nosso traje espiritual de luz, porque somos detentores de poder radiante e não apenas seres físicos emocionais. E acena que precisamos abandonar medos e sentimentos de culpa e até ódios que temos contra nós mesmos.
Já quando estamos em momento de esperança e inspiração ele nos ensina bloqueamos as energias negativas. Nossa vida muda para melhor se passamos a irradiar amor, compaixão, esperança, fé, alegria e gratidão. Maus sentimentos e maus comportamentos convertem-se em vícios, e as boas emanações que partem da alma se transformam em hábito salutar.
Miguel menciona saber das dificuldades que os humanos enfrentam diante do que ocorre no mundo, mas nos alerta para a consciência de que todos aqueles que experimentam eventos catastróficos concordaram, no nível da alma, a fazer esse supremo sacrifício. Sofrer não é uma necessidade mas propicia avanço individual. Os que passaram por cataclismos na Terra e já transcenderam para esferas mais altas evoluiram, pelo papel desempenhado.
Ele nos revela que esta é a mais importante existência que estamos experimentando e por isso nos pede que elevemos nossa percepção acerca da razão de estarmos aqui. Devemos preencher com amor, beleza e harmonia nosso santuário interior (o Reino dentro de vós, de que nos falava Jesus), projetando essa perfeição para o exterior, de modo que comece a se desdobrar em torno de nós.
Miguel também nos recomenda entrar em harmonia e equilíbrio com os corpos mental e emocional da Terra, a fim de que ela possa avançar para o seu lugar apropriado no sistema solar e na galáxia. Nossas múltiplas existências neste plano terreno têm razão de ser. Cada um de nós escolheu isto antes de aqui aportar. O esquecimento desse contrato é para que se opere o mérito do que estamos realizando e de tudo que viemos passando.
WALMOR MACARINI é jornalista na FOLHA DE LONDRINA





