A ­água é a al­ma e
o san­gue da ter­ra
e da vi­da. Ma­tar a
­água, é ma­tar a
vi­da. É proi­bi­do
es­ban­jar ­água.
É ho­ra de sal­var
a ­água



Celebramos amanhã o Dia da Água. Os rios são nossos irmãos. Sem eles não há vida. Nada pior que uma seca abrasadora, torneiras vazias, chuveiros e banheiros sem água. Fomos gerados numa bolsa de água. Os quatros elementos da terra são: água, ar, fogo e terra. Sabemos que 70% de toda a terra é coberta pela água. Ela é patrimônio da humanidade e direito de todos. Terra, plantas, animais e pessoas vivem da água. Ela tem destino universal.
Energia, navegação, pesca, turismo, irrigação, indústria, medicina, ecologia, dependem da água. Gritemos pois em defesa dos oceanos, lençol freático, nascentes, rios, lagos, mangues, cisternas, poços e açudes. No Egito as águas foram mudadas em sangue (Ex 7,19). Entre nós aumenta a poluição, os incêndios e o aquecimento global. No Dia da Água clamemos contra o desmatamento, a lavagem de calçadas, os agrotóxicos e as indústrias poluentes. Com a sede por água é preciso a sede por justiça, para não derramarmos lágrimas em vão. Somos vítimas de secas e enchentes, dilúvios e incêndios.
Sem os cuidados com a água temos: dengue, cólera, febres, disenterias, infecções, hepatite e tantos outros males. Eis a necessidade de uma política da água. É preciso salvar a água e também cuidar deste bem público e universal.
Feliz quem toma água, pois ela é remédio. Feliz quem guarda água da chuva, será saciado. Feliz quem sabe reaproveitar a água, verá florir os jardins. Feliz quem preserva e defende a água, porque verá a vida. ''A irmã água é muito útil, humilde, preciosa e casta'' (S. Francisco). É hora de transformar desertos em jardins; estepes em nascentes; cisternas poluídas em fontes cristalinas. A água é a alma e o sangue da terra e da vida. Matar a água, é matar a vida. É proibido esbanjar água.
O tema da água não agrada ao consumismo porque atinge muitas questões sociais como: usinas, indústrias, esgotos, mineradoras, barragens, transposição do Rio São Francisco, garimpos, agrotóxicos, granjas, praias contaminadas, saneamento básico, plantação de soja. A produção de grão depende da água.
A água é limitada diz a ''Carta da Água'' (1968). É hora de preservá-la, controlá-la e aumentá-la. Cada pessoa tem o dever de economizá-la. Salvemos nosso Rio Tibagi, porque ele salva Londrina e outras regiões do nosso Estado. Cultivemos a ''mística da água'', a saber:
A água sacia e purifica. O batismo transforma-nos em filhos e filhas de Deus. As lágrimas do arrependimento lavam a alma e o coração. Deus tem sede de nossa felicidade e todos somos chamados a ser fontes de bênçãos. Avancemos para águas mais profundas e deixemo-nos amar pelo amor oceânico de Deus. Passemos para a outra margem. Deus fez jorrar água das rochas. Que nosso coração não se petrifique e tenhamos delicadeza e respeito com nossos rios. Sejamos inundados pela graça do Espírito Santo, derramado em nossos corações.
Do coração transpassado de Jesus na cruz, brotou sangue e água. Deixemo-nos ferir de amor pela irmã água e em nossos corações jorrem rios de água viva. Se cairmos no fundo do poço, lá encontraremos Deus com sede de nossa salvação. Quem tem fé, vence tempestades, porque crê no Pai que está no leme e nos conduz ao porto seguro.
Ajudemos o povo do Nordeste construir poços e cisternas. Se não cuidarmos da Amazônia, teremos mais um deserto escaldante. A água é o sangue da mãe terra. Nossas nascentes e rios em Londrina merecem mais cuidados e respeito. Novo tema da educação ecológica é o cuidado com a água. No futuro temos como resolver problemas de energia elétrica, mas não teremos como resolver a falta de água. É hora de salvar a água.

DOM ORLANDO BRANDES é arcebispo de Londrina

mockup