ESPAÇO ABERTO
A formação nem sempre é superior
Mauricio Donavan Rodrigues Paniza
As últimas décadas foram marcadas por diversas transformações sociais que causaram a inclusão social de camadas da população menos esclarecidas. A segunda metade do século XX no Brasil foi caracterizada pela industrialização e a migração da população rural para os centros urbanos. Ao lado dessa transformação social, a educação também foi se tornando cada vez mais presente na vida dos brasileiros.
Segundo o consultor de carreiras Max Gehringer, o Brasil viveu algumas épocas em que determinados níveis de ensino e competências profissionais eram exigidos. Podemos citar a época em que ter o ensino fundamental completo garantia uma ótima vaga no mercado de trabalho. Já a geração dos meus pais presenciaram a importância de se ter o 2º grau (hoje Ensino Médio) completo. Mas para a geração Y, é imprescindível a conclusão de um curso superior no currículo.
Atualmente, milhares de jovens estão correndo atrás do diploma. Não faltam. É possível escolher o curso desejado: superior ou tecnólogo, a instituição de ensino superior X ou Y, e até mesmo o preço. E a educação se tornou um mercado. E esse mercado (que também movimenta os cursinhos pré-vestibulares) cresce os olhos dos jovens que precisam garantir a tão sonhada formação superior. Afinal, o que importa para muitos é entrar na universidade para conseguir um bom trabalho.
E eles conseguem a tão sonhada matrícula no ensino superior. Mas o que causa preocupação é a forma pela qual muitos lidam com o ensino superior. Não são raros os casos em que professores universitários se queixam de que seus alunos têm acesso ao ensino superior sem sequer saber escrever, de alunos que pensam que por pagarem uma mensalidade durante 4 ou 5 anos ou que por passarem no vestibular já garantiram sua formação superior. Mas o que é formação superior? Hoje, poucos universitários têm a capacidade de refletir criticamente e de se preocupar com o tipo de profissional que estão se constituindo e com a qualidade de cidadãos que serão. E tudo porque se preocupam com um pedaço de papel em vez de se preocupar com o mais importante que uma universidade pode oferecer: a capacidade de aprender a pensar e refletir.
MAURICIO DONAVAN RODRIGUES PANIZA é estudante de Administração na Pontifícia Universidade Católica do Paraná em Londrina
Razões para evitar o aborto
Walmor Macarini
Excomungar um fiel não altera a sua substância espiritual, porque esta é apenas a aplicação de sanção prevista em lei canônica. Falamos do caso da excomunhão da menina de 9 anos grávida de gêmeos e dos médicos que fizeram o aborto. O presidente Lula manifestou-se e provocou uma reação do arcebispo que impôs a excomunhão e depois viria a voltar atrás, o que da mesma forma não alterou nada.
O grave da questão é a prática do abuso sexual e do aborto, e contra isso, justificadamente, se opõe a Igreja. Sem discutir razões médicas, que argumentam com a sobrevivência da menina-mãe (ou poderia ser das duas crianças), o aborto é condenável sob todas as formas.
Uma declaração do arcebispo foi recomendar a Lula que antes de se pronunciar sobre um tema teológico consultasse um teólogo católico de sua confiança. No caso dos teólogos, cada religião tem os seus, e estes se especializam nos fundamentos da própria igreja. São, portanto, setoriais, de alcance restrito. Porque para ser teólogo será preciso o estudo também de religiões comparadas (e de preferência com vivenciação de todas elas) e de aprofundado conhecimento de toda a ciência espiritual, que é muito abrangente.
Não se pode restringir a questão do aborto ao objetivo único de preservar a vida porque há outra realidade: ao da ocorrência de uma interrupção de reencarnação. Ou de uma encarnação primeira, no caso de um ser de algum ponto do Universo que aqui aporta. Pelo processo do aborto ocorre um retorno desse ser ao ponto de origem, retardando sua caminhada evolutiva. Quem pratica um aborto ou colabora com ele aleatoriamente, assume um carma.
Os casos interpretados pela Medicina como de extrema necessidade devem ser avaliados, e certamente que há uma consonância dos planos mais altos a respeito. Mas a ciência médica também pode equivocar-se porque a prodigalidade da natureza humana permite que mesmo uma criança de tão baixa idade possa gerar. Questões como esta, de tamanha repercussão, acontecem também como provação para a humanidade.
WALMOR MACARINI é jornalista na FOLHA DE LONDRINA





