ESPAÇO ABERTO
Fraternidade e segurança pública
Estela Maria Frederico Ferreira
Oportuna e atual o tema da Campanha da Fraternidade promovida pela Igreja Católica, cujo objetivo é discutir o problema da segurança pública e colaborar para uma cultura efetiva de paz. Não é preciso lembrar que o mundo, a cada dia, se mostra mais violento, trazendo insegurança e reforçando a cultura do medo, do sofrimento e da falta de liberdade. A política de repressão já mostrou que não resolve o problema, uma vez que as prisões se encontram abarrotadas e o índice de violência cresce cada vez mais. A segurança pública não é responsabilidade apenas dos poderes instituídos. Todos nós temos o dever de ajudar na superação.
Torna-se necessário, nesta luta, a união dos esforços, a reflexão, a organização e a articulação entre os diversos grupos colaboradores, uma vez que as ações isoladas dificilmente enfrentarão e terão sucesso no combate a esse mal. A Igreja abre um diálogo muito importante no estudo das causas e consequências da violência que gera a insegurança. A justiça é a grande promotora da paz, portanto, se o mundo está violento, se não existe paz, o que pode ser a causa? Com certeza, entre outras, as diferenças sociais e econômicas, a mentira, a negação do direito, o desrespeito ao ambiente, a destruição dos homens (em especial dos jovens) pelo tráfico de drogas e armas, os assassinatos, o não cumprimento das leis.
A Constituição propõe a busca de uma paz positiva através da não violência pela fraternidade e solidariedade. Ela incentiva novas formas de relacionamento baseadas no amor, no perdão, nos gestos de delicadeza, no respeito, no incentivo à educação de boa qualidade para todos, na cultura, no lazer, quebrando assim as raízes do ódio e da vingança e buscando os valores da justiça ensinados por Jesus Cristo.
Os nossos governantes têm o dever de governar com justiça, cuidar com carinho das necessidades do povo e lutar pela construção do bem comum, não do bem pessoal. Com a colaboração de todos, podemos ainda ter a esperança de viver num mundo onde se reconhece o direito e se pratica a justiça, os quais serão os geradores da paz e da prosperidade.
ESTELA MARIA FREDERICO FERREIRA é professora em Londrina
Sedentarismo e as doenças crônicas
Mário de Seixas Rocha
Comemora-se hoje o Dia Nacional de Combate ao Sedentarismo, um importante fator de risco para doenças crônicas não transmissíveis (doenças cardiovasculares, câncer e diabetes). Essas doenças são bastante frequentes na nossa população e acometem de forma mais intensa mulheres e os indivíduos na faixa etária acima dos 40 anos.
Segundo dados dos Estados Unidos, Austrália e Inglaterra, o sedentarismo acomete aproximadamente 60% dos indivíduos residentes nos referidos países. Dados brasileiros obtidos, em 2003, durante a realização de um inquérito sobre fatores de risco para doenças crônicas foi encontrado um percentual alarmante de inatividade física de lazer acima dos 90% em indivíduos das regiões Nordeste e Sudeste.
A realização de atividade física está intimamente relacionada à redução de risco para doenças cardiovasculares, osteoporose, diabetes tipo 2, hipertensão, câncer de cólon, diminuição do stress e ansiedade. Diversos estudos demonstraram que a atividade física tem um efeito benéfico no perfil lipídico, controle de peso, na intolerância à glicose, na sensibilidade à insulina, na densidade óssea e em funções imunológicas.
Anualmente, cerca de 2 milhões de pessoas morrem em todo mundo como consequência de doenças agravadas pela inatividade física segundo dados recentes do Centro de Controle e Prevenção das Doenças dos Estados Unidos. Em 2000, o sedentarismo foi responsável por quase US$ 75 bilhões em gastos com saúde naquele país.
No Brasil temos dificuldade de estimar gastos, em função da falta de informações de quanto o Sistema Público de Saúde gasta para tratar indivíduos portadores de doenças relacionadas com a inatividade física, mas sabemos que é um problema sério também em nossa realidade. Por tudo isso devemos repensar os nossos hábitos para adoção de uma prática regular de atividades físicas de pelo menos 30 minutos, se possível diariamente.
MÁRIO DE SEIXAS ROCHA é presidente do Departamento de Fisiologia Cardiorespiratória da Sociedade Brasileira de Cardiologia





