As con­quis­tas mos­tram
que a lu­ta das mu­lhe­res
va­leu a pe­na. Avan­ça­mos.
No en­tan­to, é pre­ci­so
re­co­nhe­cer que ain­da
es­ta­mos lon­ge de di­zer
que vi­ve­mos nu­ma so­cie­da­de
jus­ta e ­igualitária




A cada ano as comemorações do dia 8 de março vêm ganhando proporção em nossa cidade. Nas escolas, empresas, igrejas, nos órgãos públicos e imprensa, a data é lembrada com homenagens e referências à importância da mulher na sociedade. Se considerarmos as mudanças observadas na condição social da população feminina ao longo do século XX veremos que realmente temos muito a comemorar. Afinal de contas, até a década de 1930 não tínhamos nem mesmo o direito de votar.
As conquistas mostram que a luta das mulheres valeu a pena. Avançamos. No entanto, é preciso reconhecer que ainda estamos longe de dizer que vivemos numa sociedade justa e igualitária, livre de discriminações, violências e preconceitos.
A análise de indicadores sociais e econômicos aponta a persistência não só das desigualdades de gênero, mas também daquelas fundamentadas na raça e na etnia. Mesmo nos setores onde houve avanços significativos para as mulheres a realidade mostra que estes não atingem da mesma forma todas as mulheres.
Diante disto, em agosto de 2007, quase 200 mil brasileiras de todo o país se reuniram na II Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, que teve como lema ''Mais cidadania para mais brasileiras'' e aprovaram o II Plano Nacional de Políticas para as Mulheres, que incorporou suas principais reivindicações e propostas.
O Plano apresenta prioridades e ações a serem implementadas em âmbito federal, estadual e municipal e é orientado por oito princípios dos quais destacamos:
''Igualdade e respeito à diversidade - a promoção da igualdade requer o respeito e atenção à diversidade cultural, étnica, racial, inserção social, de situação econômica e regional, assim como aos diferentes momentos da vida.
Equidade - o acesso de todas as pessoas aos direitos universais deve ser garantido com ações de caráter universal, mas também por ações específicas e afirmativas voltadas aos grupos historicamente discriminados.
Autonomia das mulheres - deve ser assegurado às mulheres o poder de decisão sobre suas vidas e corpos, assim como as condições de influenciar os acontecimentos em sua comunidade e país, e de romper com o legado histórico, com os ciclos e espaços de dependência, exploração e subordinação que constrangem suas vidas no plano pessoal, econômico, político e social.
Laicidade do Estado - as políticas públicas de Estado devem ser formuladas e implementadas de maneira independente de princípios religiosos, de forma a assegurar efetivamente os direitos consagrados na Constituição Federal e nos diversos instrumentos internacionais assinados e ratificados pelo Estado brasileiro, como medida de proteção aos direitos humanos das mulheres e meninas.
Universalidade das políticas - as políticas devem ser cumpridas na sua integralidade e garantir o acesso aos direitos sociais, políticos, econômicos, culturais e ambientais para todas as mulheres.
Justiça social - implica no reconhecimento da necessidade de redistribuição dos recursos e riquezas produzidas pela sociedade e na busca de superação da desigualdade social, que atinge as mulheres de maneira significativa.
Participação e controle social - devem ser garantidos o debate e a participação das mulheres na formulação, implementação, avaliação e controle social das políticas públicas''.
Londrina, uma das primeiras cidades do país a contar com uma Coordenadoria da Mulher pode ser considerada uma cidade privilegiada em termos de políticas públicas voltadas à eliminação da violência e das desigualdades de gênero. Apesar do que já conquistamos em nosso município, reconhecemos a necessidade de fortalecermos e ampliarmos essas ações.
Diante disto, neste Dia Internacional da Mulher, reafirmamos nosso compromisso com as reivindicações e os princípios que orientam a luta das mulheres pela igualdade.

SANDRA REGINA NISHIMURA é secretária Municipal da Mulher em Londrina

mockup