ESPAÇO ABERTO
Crise econômica e vida familiar
Elsie Silva
Crise pode significar, segundo o Aurélio, fase difícil, grave na evolução das coisas, dos acontecimentos, das ideias. Quando ela é econômica e mundial, as consequências na dinâmica familiar são diretas porque por trás das crises estão os seres humanos com seus comportamentos, suas famílias e suas escolhas em um mundo de insegurança e incerteza. São trabalhadores que estão com suas vidas à mercê de especuladores astutos. Esse clima de insegurança interfere na vida familiar.
Independente do poder aquisitivo, a insegurança está presente nos lares, gerando alto grau de estresse e dificultando o funcionamento familiar. Esse problema econômico mundial transcende a dinâmica familiar e afeta emocionalmente. As pressões externas geradas pela instabilidade financeira deixam seus membros, principalmente os provedores, angustiados, muitas vezes agressivos, perto do abismo emocional.
Os problemas causados pela perda do emprego são difíceis de serem contornados porque colocam em risco as necessidades básicas dos seres humanos como nutrição, habitação, cuidados médicos, vestuário, segurança. Como consequência, também o afeto.
Por outro lado, cresce o número de violência, agressões, muitas vezes dentro da própria família e contra os mais indefesos (crianças e mulheres). Quando o provedor perde a condição de manter a família, sua dignidade e autoestima ficam abaladas. Consequentemente caem os recursos emocionais para resolver o problema e encontrar saída para a crise. As crianças sentem o estresse familiar e isso pode interferir no seu desempenho escolar, no relacionamento com os amigos.
É necessário entender que esse é um momento ímpar. A família precisa se blindar das pressões externas conflitantes para que os problemas não se agravem mais. É importante acreditar e contar com a família, com os amigos, com profissionais capacitados para ajudá-los, formando uma rede de apoio. Agora é momento de se respeitar, se aprovar, de reconhecer os recursos inerentes a cada família e de não perder a esperança de que a crise é passageira.
ELSIE SILVA é psicóloga em Londrina
O que da mulher que basta ao homem
Walmor Macarini
Tenho escrito que ao homem não é lícito arrogar-se a presunção de outorgar algum direito à mulher, porque ele não é detentor desse direito. E porque a mulher já tem o domínio de todos os direitos desejados, bastando que o exerça. Em grande parte ela já o faz, pela própria intuição e pela sua capacidade, e não porque o homem eventualmente esteja lhe abrindo essa possibilidade.
Tudo o que ele pretende capitalizar como poder concedente de espaços à mulher é irreal, porque o que ocorre é uma natural retomada feminina ao comando de muitas coisas. Porque ela já foi, em era longínqua da história, a grande governante e possuidora de todos os poderes de decisão. Era ela a detentora da sabedoria, porque guiada pela sublimidade intuitiva.
Mas em dado momento ela resolveu fazer algumas concessões ao varão. Foi então que lhe outorgou o poder de ele gerir as coisas que exigiam mais força física, e ganhar dinheiro. Para que ela o gastasse. E gastando-o, dinamizar a economia. Para isso a Natureza Divina dotou a mulher da impulsão para gastar. Ou a existência do dinheiro não faria sentido e a economia seria um caos.
Mas o modelo de domínio masculino está se esgotando e trazendo de volta o sistema anterior: novamente o comando da mulher. Porque o homem abusou do poder valendo-se de sua força até para agredi-la. Essa agressividade continua, mas paradoxalmente é a mulher de novo que domina o homem e a maior parte dos movimentos dele. Porque ela é a grande motivadora e inspiradora. Seus tentáculos sempre foram longos e poderosos. O homem disfarça que a domina mas é ela quem move os cordéis.
Não houve prejuízo para ele com a retomada gradual da mulher ao poder. Se ela se mantém mulher, fêmea e feminina, é tudo o que basta ao homem. Sem tanta necessidade, agora, de ganhar dinheiro porque a mulher passou a ganhá-lo também o homem está fazendo menos força. Ele só precisa robustecer sua porção feminina, para ser mais doce e carinhoso com ela. E à mulher cabe desenvolver a sua polaridade masculina na proporção necessária e fundi-la à do homem, e por esse meio reconstituir-se a alma gêmea. Para que haja o retorno glorioso do amor triunfante.
WALMOR MACARINI é jornalista na FOLHA DE LONDRINA





