ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
Franceline Gusmão 
O trabalho infantil
contribui cada vez
mais para a perda de
cidadãos. Já que
contribui para a
evasão escolar, o
contato e também o
uso de drogas. Como
consequência, a
marginalização e a
perda de consciência
do que é o ser cidadão
Através dos meios de comunicação, recebemos notícias que dizem respeito à violência, miséria, corrupção, entre outros. Estes são os que conhecemos por problemas sociais. Aparecem numa forma pronta em nossas residências, numa forma imediata. Porém, talvez nunca pensamos no como surge determinados problemas. Será que a violência existe por falta de segurança mesmo? Será que a miséria pode ser explicada somente pelo desemprego? E a corrupção, pode ser explicada somente pelo lado dos políticos brasileiros?
A nossa vida social nos aparece de forma natural. Todos os fatos colocados pelos meios de comunicação, nos deixam atordoados, não conseguimos desvendar o que leva a tais fatos. Primeiramente, nada acontece por acaso. É a forma pela qual nos relacionamos socialmente que resulta num determinado fenômeno, este diz respeito aquilo que coloquei como a violência, a miséria, a corrupção.
Vivemos numa lógica, regida por um sistema de produção (o capitalismo) que envolve nossa vida social. Um pensador, com o nome de George Lukács, já havia dito que vivemos numa totalidade. Esta diz respeito as nossas relações sociais, isto é, no trabalho, na escola, em casa, ao assistir a t.v. Porém, não temos consciência do que estas relações resultam, principalmente no modo de produção em que vivemos. Para exemplificar melhor, a nossa realidade social aparece somente numa parte e não em um todo. É o imediato e não o mediato. O imediato é o agora, algo definido e já pronto, é o senso comum. O mediato é o além do já pronto e definido, ele procura saber mais sobre um assunto. Ele possui a capacidade de desvendar os questionamentos. Quando descobrimos o que levou a tal resultado, temos a capacidade de encontrar o problema que levou a tal resultado.
Para exemplificar, no município de Londrina se repararmos nos semáforos, há várias crianças vendendo doces e em situação de mendicância. Por uma parte da sociedade, há aqueles que concordam com isto. Há aqueles que trabalharam desde cedo e hoje talvez conseguiram ser empresários, profissionais liberais. Assim, há algumas justificativas para que o trabalho infantil seja algo benéfico. Através das nossas relações sociais, o tempo, o espaço muda. O que vivemos hoje, não é do mesmo modo que vivemos há dez anos. Crianças vendendo balas no semáforo, quer dizer que há um fenômeno social, algo que vai além de querermos resolver uma determinada situação comprando estas balas. Será que frequentam escola; será que o lado financeiro e emocional da família está realmente bem. Há algo que está acima de nós. Vivemos numa lógica, a qual leva a desigualdade social. Há aqueles que estão à margem da sociedade.
Lugar de criança é na escola de qualidade. A escola deve ensinar o que de fato é a cidadania e a garantia dos direitos de todos. Fala-se tanto no ser cidadão, este dotado de deveres e principalmente de direitos. O trabalho infantil contribui cada vez mais para a perda de cidadãos. Já que contribui para a evasão escolar, o contato e também o uso de drogas. Como consequência, a marginalização e a perda de consciência do que é o ser cidadão. Para sermos cidadãos temos que ter conhecimento de nossos direitos e deveres. Se não temos este conhecimento, não conseguimos exercer a cidadania.
Talvez, ao meio de tantas indagações, seria bom parar e pensar em outros fenômenos que estamos acostumados a ver e julgar somente na sua forma imediata. Quando conseguimos desvendar o imediato, o que estamos acostumados a ver, ouvir e falar tomaremos consciência que injustiça e desigualdade social são simplesmente frutos de nossas relações sociais.
FRANCELINE GUSMÃO é estudante de Ciências Sociais na Universidade


