Aconselha-se aos novos
edis, reeleitos ou de primeira legislatura,
que estejam preparados
para a luta incessante
que está começando, e
sejam incansáveis na
missão que lhes foi
atribuída, por ser de
extrema importância
e responsabilidade




  O termo vereador é derivado do antigo vocábulo verea, que significa também vigiar, verificar, administrar. Cargo público nascido há milhares de anos, foi introduzido no Brasil em 1534, quando foi criada a primeira Câmara Municipal, na Vila de São Vicente, atualmente uma cidade do Estado de São Paulo. Foi a primeira vez que os vereadores foram escolhidos pelo voto, no Brasil.
  De lá para cá, o País apenas ficou sem eleger os vereadores no período de 1934 a 1946.
  Entretanto, mesmo não sendo escolhidos pelo povo, nesse período, as figuras da Câmara Municipal e do vereador continuaram existindo nas estruturas legais da nação. Aliás, estão previstas em todas as Constituições brasileiras.
  No en­tan­to, es­tão pas­san­do por um mo­men­to frá­gil e pe­ri­go­so. Se de­pen­der do con­cei­to pú­bli­co e de par­te da mí­dia, tan­to os ve­rea­do­res quan­to as câ­ma­ras se­riam ex­tin­tos.
  Is­to é pés­si­mo pa­ra uma na­ção que lu­tou com san­gue, ­suor e lá­gri­mas pa­ra che­gar nes­ta fa­se: ins­ti­tuir e es­co­lher di­re­ta­men­te ­seus go­ver­nan­tes.
  La­men­ta­vel­men­te, al­guns po­lí­ti­cos têm de­pre­cia­do a clas­se to­da e sub­me­ti­do a de­mo­cra­cia ao ques­tio­na­men­to. E, mes­mo quan­do o mau exem­plo é da­do por po­lí­ti­cos de ou­tras es­fe­ras (de­pu­ta­dos, se­na­do­res, etc.), as con­se­quên­cias che­gam aos ve­rea­do­res, ­pois ­eles são vis­tos diá­ria e di­re­ta­men­te pe­la po­pu­la­ção. Va­le res­sal­tar, tam­bém, que o ve­rea­dor é o úni­co po­lí­ti­co que não tem fo­ro pri­vi­le­gia­do nem imu­ni­da­de par­la­men­tar. São ­eles, tam­bém, que os ou­tros po­lí­ti­cos, e até o Ju­di­ciá­rio, ­usam co­mo bo­de ex­pia­tó­rio, pa­ra dar a im­pres­são de que pro­vi­dên­cias são to­ma­das em ­prol da mo­ra­li­za­ção.
  Ve­ja­mos al­guns exem­plos:
  Em 2000, o Con­gres­so vo­tou a Emen­da 25, e in­se­riu no­vas re­gras na Cons­ti­tui­ção Fe­de­ral crian­do ­mais li­mi­tes pa­ra a re­mu­ne­ra­ção dos ve­rea­do­res. Com is­to, pas­sa­ram a exis­tir ­seis te­tos pa­ra a fi­xa­ção do ga­nho da edi­li­da­de. In­clu­si­ve, o ve­rea­dor é o úni­co po­lí­ti­co que não po­de rea­jus­tar seu ga­nho no mes­mo man­da­to. A re­gra é óti­ma. Po­rém, não al­can­ça ne­nhum dos de­mais po­lí­ti­cos.
  Em 2004, o TSE al­te­rou as re­gras e di­mi­nuiu em ­mais de oi­to mil o nú­me­ro de ve­rea­do­res no ­País. Con­tu­do, em ne­nhum mo­men­to se dis­cu­te o nú­me­ro de de­pu­ta­dos fe­de­rais, por exem­plo, que é de 513, e o fa­to de que ca­da um cus­ta em tor­no de se­te ve­zes ­mais que um ve­rea­dor. Ou o tem­po do man­da­to dos se­na­do­res, que é de oi­to ­anos. Ou a re­mu­ne­ra­ção que se pa­ga pa­ra to­dos os ‘‘­vices’’ nes­te ­País, que na maio­ria das ve­zes na­da rea­li­zam.
  Em 2007, o STF de­ci­diu que o po­lí­ti­co que tro­cou de par­ti­do po­de­ria per­der o man­da­to por in­fi­de­li­da­de par­ti­dá­ria. A ­idéia era com­ba­ter o tro­ca-tro­ca de si­glas. O TSE co­lo­cou em prá­ti­ca e os ­TREs pas­sa­ram a cas­sar po­lí­ti­cos nos Es­ta­dos. Me­lhor di­zen­do: pas­sa­ram a cas­sar ve­rea­do­res. Só no Pa­ra­ná, fo­ram ca­sa­dos 256 ve­rea­do­res.
  Em 2008, a PEC 333/2004 foi vo­ta­da pe­la Câ­ma­ra dos De­pu­ta­dos e de­fi­niu pe­lo cor­te de 45% das des­pe­sas nas câ­ma­ras de ve­rea­do­res. ­Aliás, es­se fa­to es­tá ge­ran­do po­lê­mi­ca até ago­ra. Po­rém, in­da­ga-se: se a ­idéia era re­du­zir gas­tos pú­bli­cos, por que a Câ­ma­ra Fe­de­ral não to­mou até ho­je ne­nhu­ma ini­cia­ti­va pa­ra cor­tar ­seus pró­prios gas­tos? ­Aliás, en­quan­to dis­cu­tia o cor­te aos ve­rea­do­res, a Ca­sa apro­vou o au­men­to de ­suas ver­bas de ga­bi­ne­te de R$ 51,8 mil pa­ra R$ 60 mil por mês.
  Por tu­do is­to, acon­se­lha-se aos no­vos ­edis, ree­lei­tos ou de pri­mei­ra le­gis­la­tu­ra, que es­te­jam pre­pa­ra­dos pa­ra a lu­ta in­ces­san­te que es­tá co­me­çan­do, e se­jam in­can­sá­veis na mis­são que ­lhes foi atri­buí­da.
  Não es­mo­re­çam dian­te das di­fi­cul­da­des, ­pois fo­ram es­co­lhi­dos en­tre mui­tos, e es­te fa­to não é ape­nas pri­vi­lé­gio, mas uma gran­de res­pon­sa­bi­li­da­de. Fa­ça des­se car­go um mi­nis­té­rio; fa­ça jus à con­fian­ça que lhe de­po­si­ta­ram. Aju­de a com­ba­ter o con­cei­to de que ve­rea­dor não ser­ve pa­ra na­da. Se­ja re­fe­rên­cia e or­gu­lho pa­ra ­seus pa­res. Fa­ça de­mo­cra­cia sem ra­di­ca­lis­mos, mas com res­pei­to, ati­tu­des e tes­te­mu­nho pes­soal.

JO­NIAS DE OLI­VEI­RA E SIL­VA é ad­vo­ga­do es­pe­cia­li­za­do em Ad­mi­nis­tra­ção Pú­bli­ca Mu­ni­ci­pal e con­sul­tor ju­rí­di­co da ­União dos Ve­rea­do­res do Pa­ra­ná (Uve­par).

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