A paz tem um al­to
pre­ço que con­sis­te
em en­fren­tar as
cau­sas da vio­lên­cia
que são: a po­bre­za,
o de­sem­pre­go,
a cor­rup­ção, a
de­sa­gre­ga­ção fa­mi­liar.
Aban­do­nar o sis­te­ma
vin­ga­ti­vo, pe­lo
edu­ca­ti­vo e re­ge­ne­ra­dor,
é nos­sa es­pe­ran­ça





A Campanha da Fraternidade 2009 quer trazer propostas positivas e concretas para os problemas da violência, do medo, da insegurança. Quais são as propostas?
1. Superar a atitude de medo, vingança, rejeição, indiferença. A nossa luta é outra, ou seja, consiste em educar para a cultura da paz, com obras de justiça. Defender os direitos humanos e a dignidade da pessoa.
2. Os delinquentes não nascem do nada. Ninguém nasce bandido e toda pessoa é recuperável. ''Há prisões que estão por trás das prisões'', ou seja, precisamos nos libertar da prisão da desigualdade social, da corrupção do consumismo que são geradoras de violência e das prisões.
3. A lei do ''olho por olho'', deixa todo mundo cego. Prisão não pode continuar sendo escola do crime, mas de reeducação e reintegração social. Segurança Pública tem a ver com família estruturada, educação para todos e Deus no coração.
4. Quem errou deve pagar a pena, mas penas justas, para todos, sem exceção, sem maus tratos, com condição de recuperação. As maiores vítimas de nosso sistema judiciário são os pequenos e pobres. Para os grandes há impunidade e o ''jeitinho'' brasileiro. Os pequenos são vítimas da exclusão e vítimas do sistema. Pagam duplamente.
5. A cultura da paz é possível. Todavia a paz tem um alto preço que consiste em enfrentar as causas da violência que são: a pobreza, o desemprego, a corrupção, a desagregação familiar. Abandonar o sistema vingativo, pelo educativo e regenerador, é nossa esperança. Educar para a paz que é educar para justiça e a solidariedade, são caminhos de segurança.
6. Mobilizar-se em favor da segurança pública. Não podemos relegar tudo para policiais e guardas. A ordem pública é um dever de todos. Fazem-se mobilizações para o carnaval, para o combate à dengue, para a defesa do homossexualismo, para o respeito à natureza etc. Precisamos nos mobilizar em favor da segurança pública, participando dos Conselhos Comunitários, criando a Comissão de Justiça e Paz e ir às ruas e praças em mutirão, pela ordem social.
7. Não se obtêm a ordem social com desordem ética, leis ultrapassadas, privilégios e mordomias para uns e castigo para outros, nem defendendo a liberação da pena de morte. A globalização e o consumismo fabricam novas pobrezas e marginalizações. Os pobres além de excluídos são descartáveis e sobrantes, explorados e supérfluos. Nossa realidade social se fundamenta na iniquidade. Portanto, precisamos de estruturas novas fundamentadas na equidade, igualdade e dignidade. O Papa Bento XVI recorda que a Igreja deve ser ''advogada da justiça e defensora dos pobres'' (DA 394). Nesta desordem generalizada não há espaço para a segurança permanente e definitiva. Segurança social é sinônimo de ética social e mística fraternal.
8. Crer que a paz é possível. Uma sociedade justa e fraterna está fundamentada nos pilares da verdade, da justiça, da liberdade e do amor. Como a paz é obra de justiça, a cultura da paz consiste num desenvolvimento integral que não enfoca só o lado econômico, mas todas as dimensões da vida: ética, afetividade, espiritualidade, democracia. O Deus da paz e da consolação, é o mesmo Deus cujo trono se apoia no direito e na justiça. A cultura da paz coincide com os valores do reino de Deus.
9. Faz parte da segurança pública: ajudar as vítimas da violência, promover a pastoral carcerária, apoiar os bons policiais, guarda penitenciário, vigias e tantos outros. A ''cultura da paz'' é possível. Vencer o mal com o bem. Superar a vingança com a misericórdia, a justiça e os direitos humanos.

DOM ORLANDO BRANDES é Arcebispo de Londrina.

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