ESPAÇO ABERTO
Indenização para professor
Moises de Godoy
Noticia a imprensa que uma aluna do Curso de Direito de uma das Escolas da Capital Federal foi condenada a indenizar um de seus professores, por tê-lo xingado e ameaçado fisicamente, após ela ter sido flagrada colando em uma prova.
A princípio, a indenização foi de R$3.000,00, majorada para R$5.000,00 em razão de recurso interposto pelo professor e fica a questão : onde vão parar essas anomalias e como devem ser apreciadas?
Para mim é difícil avaliar, porque venho da educação formal e minha primeira atividade na vida foi de professor, que a encerrei em 2006 e, in illo tempore, essas relações eram diversas e persistia o princípio da coesão social, que impunha um equilíbrio permanente na dinâmica aluno professor.
Todavia, a sociedade como um todo vem passando por rupturas, causadas inicialmente pela fragilidade da autoridade, que, de cima abaixo, não se respeita, em todos os níveis e o aluno, de certo modo, é vítima desses conflitos e a expressiva expansão de seu quantitativo trouxe aguçamento descontrolado, de que é exemplo o fato da ação movida pelo professor.
Na supressão da coesão ficam comprometidos os princípios da individualidade e da ética social e pessoal e essa aluna divergiu ostensivamente do rebanho a que pertence, e, na verdade, manifestou qualidades especiais.
É, todavia, necessário analisar o contexto dos fatos, embora seja a conduta de todo reprovável, mas se não deve olvidar que as relações discente/docente vêm passando por graves transformações e é bom, finalmente, lembrar que, nas Escolas particulares especialmente, prepondera o fortalecimento do aluno frente ao professor : se os professores, como um todo, não forem eficientes e solidários, vai vicejar a ditadura do aluno, como jocosamente lembra o inesquecível escritor Raul Pompéia, cujo dono da escola - o prof. Aristarco - tinha lá suas predileções -, nitidamente caracterizadas na obra O Ateneu, e que se assimilam ao comportamento dos atuais donos de colégio.
Só se vislumbra uma saída, que possa restabelecer a harmonia : que todos os professores sejam de efetiva capacitação superior invejável e que todo o aluno somente esteja disposto a estudar.
É hora de as autoridades reverem seu comportamento frente ao público e de o alunado remeditar sobre seu papel dentro da escola, e oportuno se lembrar que, na obra A Autoridade e o Indivíduo, Bertrand Russel aduz que, nos dias atuais, é absolutamente necessário considerar relação do homem com as comunidades a que se acha ligado.
MOISES DE GODOY é advogado em Londrina
Podemos mudar nossas realidades
Walmor Macarini
Foi Abraão quem decidiu que não iria mais sacrificar seu filho Isaac quando, em meio à angústia que o consumia no caminho da montanha fatídica, entendeu a mensagem que lhe vinha de Deus. Abraão, não tenhas medo e saibas que Eu Sou Deus, era a voz que lhe falava insistentemente. Então num repente ele compreendeu que havia algo que precisava decifrar daquelas palavras.
Eu Sou era a chave. Eu e você, Abraão, somos um, era o que aquilo que ouvia de seu interior queria lhe dizer, e então ele, Abraão, é que decidiria pelo destino do filho. E o poupou. Então, o que seria um martírio converteu-se em alegria e glorificação. Era Abraão o próprio senhor da decisão de mudar aquela realidade, preservando a vida de Isaac. E se esta era a vontade de Abraão ele tinha a autoridade para suspender o sacrifício.
A vontade de Abraão era a vontade de Deus. Porque Abraão estava em Deus e Deus estava em Abraão. E assim é Deus conosco, porque ele está em cada um de nós e cada um de nós está em Deus. Nós, portanto, decidimos e podemos mudar uma realidade, diante de qualquer circunstância. Este ensinamento revela o poder do homem para as próprias decisões, e a lição foi dada à humanidade por esse episódio que se eternizaria, protagonizado pelo patriarca bíblico.
Nós podemos mudar realidades que se afiguram desastrosas, sem imaginar que elas sejam ordem de Deus. Eu Sou significa o poder, e cada um de nós domina esse poder, que emana da Suprema Fonte. Deus não deseja um sacrifício sem sentido e nem que lhe dediquemos obediência cega a uma suposta ordem sua, a ponto de sacrificarmos um filho. Porque para ele isto nada serviria.
Assim é na vida dos humanos. Somos nós que construimos nossas realidades. Se nos deixamos embalar pelo temor de crises e outros males, com certeza os atrairemos. Devemos fazer como Abraão, que ouviu a própria voz explodindo dentro dele dizendo-lhe que era ele quem decidiria pelo sacrifício ou não do filho. Era sua porção divina que lhe falava. A mesma que está em cada um de nós.
WALMOR MACARINI é jornalista na FOLHA DE LONDRINA





