ESPAÇO ABERTO
Trânsito: regras para o bem comum
Sérgio Dalbem
O desenvolvimento dos centros urbanos exige o estabelecimento de normas que promovam um convívio mais harmônico. Um dos aspectos mais relevantes neste contexto é a questão do trânsito. Humanizar o trânsito é assumir soluções de compromisso social, buscando equilíbrio entre vantagens e desvantagens.
O estacionamento em vias públicas de grande movimento, por exemplo, é regulamentado para garantir a rotatividade dos veículos. Em Londrina, essa regulamentação é feita através da Zona Azul. Nesse sistema, o motorista paga atualmente R$ 1 para cada hora de estacionamento.
Em 2008 foi feita uma alteração na Lei 10.506, exigindo que o motorista pague antecipadamente pelo tempo que necessita ficar estacionado. Tal medida foi tomada devido ao alto índice de inadimplência (cerca de 40%), quando novos cartões eram colocados pelos atendentes da Epesmel (entidade que gerencia o sistema), mas não eram pagos.
Desta forma, quando ultrapassa o tempo previsto, o motorista deve renovar o seu cartão para evitar que o veículo fique em situação irregular. Caso esta renovação não seja feita, o motorista recebe um aviso por escrito, para regularizar sua situação junto à Epesmel, em um prazo de 48 horas, ao valor de R$ 10.
O não pagamento do aviso, por sua vez, gera uma multa decorrente do estacionamento em desacordo com as condições regulamentadas especificamente pela sinalização - Art. 181, inciso XVII do CTB (Zona Azul). Esta é uma infração classificada pelo Código como de natureza média, com perda de 3 pontos na carteira de habilitação e valor de pouco mais de R$ 50.
A fiscalização da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) emitiu em 2008, 6.863 autos deste tipo de infração de trânsito. Há, certamente, casos em que a previsão do tempo necessário para o estacionamento falha. Mas esta multa, de forma geral, pode ser evitada, seja pela previsão do tempo de estacionamento ou pelo pagamento do aviso à Epesmel.
Com estas informações a CMTU incentiva o respeito às regras, buscando atuar de forma pró-ativa na educação de trânsito. Motoristas, motociclistas, pedestres ou ciclistas terão eventualmente que ceder em prol do outro. A consciência de tal necessidade é o primeiro passo para mudar nossas atitudes e fazer um trânsito melhor.
SÉRGIO DALBEM é diretor de Trânsito da CMTU
Uma pena
Antonio Lemes Guerra Junior
Com certeza, o início da leitura de um texto como este decorre de uma certa curiosidade, instigada principalmente pelo título. Uma pena? Seria uma pena de uma ave, uma pena por um ato criminoso cometido ou ainda seria dó de alguém? Os mais esclarecidos certamente sabem que se trata de um fenômeno linguístico extremamente interessante: a polissemia, que nada mais é além da propriedade que certos elementos lexicais - ou simplesmente palavras - têm de assumir significados diferentes de acordo com o contexto em que são empregados.
Mas você, que nunca estudou tal conceito, já parou para pensar como nosso vocabulário é reciclável? Entramos em contato, na nossa comunicação diária, com inúmeras formas de manifestações linguísticas, através da fala, da leitura e da escrita.
Recorremos a repetidos recursos, dando a eles novas formas, novos empregos, novos sentidos, para transmitirmos nossas intenções, nossas vontades, nossas idéias.
Uma gama infinita de possibilidades surge à nossa frente, quando da necessidade de exteriorizar nossos pensamentos.
São processos criados, muitas vezes arbitrariamente, a partir das relações estabelecidas entre as palavras e aquilo a que se referem. No entanto, resultam em efeitos semânticos (de sentido) altamente notáveis.
No meio publicitário, principalmente, a polissemia é utilizada na construção de textos dotados de ambiguidades, de duplos sentidos, com o fim último de atrair a atenção da grande massa consumidora.
Cria-se, a partir desse tipo de construções linguísticas, uma espécie de reaproveitamento de termos, previamente criados, que assumem significações que fogem àquelas originalmente atribuídas a eles.
Enfim, embora possa ser aplicada em diferentes situações e em diferentes contextos, a polissemia evidencia o alto grau de significação proporcionado às palavras, através da multifuncionalidade lexical, além de deixar clara a extensa rede de possibilidades que todo indivíduo tem à sua disposição para trabalhar com seu vocabulário.
É uma pena que nem todos os usuários de nosso idioma tenham ciência disso, deixando de lado grandes oportunidades de melhor se comunicarem.
Você, leitor, entendeu agora a que pena se refere o título do texto que acabou de ler?
ANTONIO LEMES GUERRA JUNIOR é graduado em Letras e mestrando em Estudos da Linguagem na Universidade Estadual de Londrina





