ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
sábado, 14 de fevereiro de 2009
Dom Orlando Brandes 
Temos necessidade de
profetas, de políticos,
de professores e de
pais que se mobilizem
pela globalização da
solidariedade e a
indignação ética contra
a exclusão e por outro
lado, defender a opção
pelos pobres que é um
jeito de respeitar a
ecologia humana
1. A tragédia da fome. Combater a pobreza e a fome, é a palavra de ordem do Papa Bento XVI na mensagem de ano novo em janeiro passado. A pobreza favorece e agrava os conflitos e estes alimentam a pobreza. Os recursos aplicados em armamentos e a concentração da renda obrigam povos inteiros sofrer a pobreza e a fome imerecidas. A crise alimentar não é falta de alimentos, mas falta de políticas justas, com o peso da corrupção e especulação dos preços.
É bem verdade que existe muita solidariedade. Se não fosse assim estaríamos num ''caos social'' de roubos, violências, sequestros e falta de segurança ainda piores e mais cruéis. O mundo pode ser diferente mas os grandes não deixam. Com isso o fosso entre ricos e pobres, consumismo e miséria, aumenta cada vez mais, ''Amai a justiça, vós que governais a terra'' (Sab 1,1).
2. A especulação financeira. A crise econômica atual foi prevista há muito tempo. A ganância e ambição, de mãos dadas com a corrupção, fez cair o castelo construído sobre a areia. De novo o poder econômico e a lógica do lucro, fazem perder empregos, migrar, mendigar e tantos outros, só lhes restam, assaltar. Estes irão para as cadeias, a impunidade encontra um jeito de absolver os culpados. Como ter segurança pública quando o mal está globalizado e tem seu império organizado?
Temos necessidade de profetas, de políticos, de professores e de pais que se mobilizem pela globalização da solidariedade e a indignação ética contra a exclusão e por outro lado, defender a opção pelos pobres que é um jeito de respeitar a ''ecologia humana''. Não pode cessar a esperança numa sociedade justa, fraterna e solidária.
3. A corrupção; é um festival, um carnaval de fraudes, subornos, furtos, mentiras, favores, desvios de verbas, cumplicidades. Diz a Doutrina Social da Igreja que ''a corrupção é uma das piores deformações''. Por quê? Já sabemos. A corrupção trai a ética, distorce a ordem social, provoca a anarquia, gera desconfiança política, compromete o Estado, enfraquece as instituições. Há uma conexão indissolúvel entre corrupção e pobreza, corrupção e divida interna e externa, corrupção e fome e a insegurança pública
Chegou a hora de exorcizar a corrupção com a volta aos Dez Mandamentos e à educação da consciência, a punição dos culpados. Enfim, longe de Deus, como poderá nossa natureza corrompida, voltar à inocência original, se não, com o retorno ao Deus vivo e verdadeiro? Segurança pública é sinônimo de combate à corrupção e luta pelo bem comum e Deus no coração.
4. A degradação da vida. Precisamos hoje não só defender a ecologia cósmica, mas a ''ecologia humana'' é proibido maltratar animais e quem destrói ovos de tartaruga pode ser processado. Mas, quem usa células embrionárias, destrói o embrião com o aborto, congela embriões etc, recebe homenagens da ciência e a condescendência das legislações. Eis a necessidade da ecologia humana e o respeito pela lei natural. O progresso e o desenvolvimento sem ética já prejudicou tanto a vida, como por exemplo, o aquecimento global, o aumento da pobreza e da exclusão etc. Agora estamos sofrendo a ''revolução bioética''. É a mais perigosa de todas. Sem a opção pela vida, não há possibilidade de segurança social.
5. O Racismo. Somos iguais. Somos irmãos. Somos uma grande família. As diferenças são complementares. Os direitos humanos e a dignidade da pessoa são comuns e universais. Ainda mais, somos filhos e filhas de Deus. Todo racismo é irracional, injusto, indigno, uma vergonha e uma ofensa ao Criador. ''Ou vivemos como irmãos, ou morreremos todos como loucos''. (M. L. King). O racismo é uma loucura, uma injúria, um pecado que clama aos céus.
Bendita seja a comum igualdade de dignidade. Não podemos fazer acepção de pessoas (Gal 2,6). Somos uma comunidade internacional, longe de nós a discriminação racial. Somos iguais diante de Deus e diante das leis. O combate ao racismo trará segurança pública, paz na terra e alegria nos corações. Deus é Pai de todos e ama a todos.
DOM ORLANDO BRANDES é Arcebispo de Londrina


