Os pre­fei­tos e ou­tras
li­de­ran­ças pre­ci­sam
ar­ti­cu­lar um tra­ba­lho
con­jun­to pa­ra pen­sar,
pla­ne­jar e exe­cu­tar
­obras e pro­je­tos que
ve­nham a ter im­pac­to no
fu­tu­ro da nos­sa ­região



A Associação dos Municípios do Médio Paranapanema (Amepar) já foi exemplo de atuação entre as entidades municipalistas do Brasil. De sua base, composta por 22 municípios, tendo Londrina como cidade-polo, memoráveis foram suas bandeiras de luta. Causas regionais e até de âmbito nacional nasceram aqui e foram defendidas com muito empenho pelos prefeitos de então.
Histórica foi a cruzada pela liberação do plantio de laranja no Paraná. Somente uma grande mobilização como aquela, reunindo prefeitos, órgãos técnicos como Iapar, Secretaria da Agricultura do Paraná e outras entidades, poderia enfim derrotar o monopólio da citricultura imposto por São Paulo. Outras tantas propostas, sobretudo na defesa da elevação da receita dos municípios, foram bandeiras da Amepar que culminaram com marchas a Brasília, as quais muito beneficiaram o municipalismo brasileiro. Inclusive com atuação importante junto a Assembleia Nacional Constituinte.
É a partir desse passado de lutas e conquistas que passo a defender hoje a necessidade da nossa Amepar novamente ser reconduzida à posição de uma entidade que realmente tenha força política, representatividade e projetos motivadores para promover as melhorias que a população da nossa região tanto necessita.
Desde a colonização do Norte do Paraná, a fertilidade da terra sempre colocou a nossa região como uma espécie de eldorado. Impressionante foi o crescimento de nossas cidades nessas poucas décadas. Integramos uma base territorial com um milhão de habitantes e nos orgulhamos de ser referência em saúde, um importante centro universitário, aeroporto, rede hoteleira, rodovias, ferrovia e tantos outros fatores que revelam a importância de nossa região.
Porém, por trás de alguns índices gerais considerados positivos, escondem-se problemas crônicos sobretudo na periferia de nossas cidades. Desemprego, analfabetismo, falta de moradia e insegurança fazem parte de um triste cotidiano que nós, como agentes políticos, temos o dever de buscar alternativas para essas pessoas que vivem num processo permanente de exclusão.
Por isso, entendo que a Amepar precisa ser fortalecida até para assessorar os municípios na elaboração de projetos técnicos. Acredito ser necessário realizar, com urgência, um diagnóstico das necessidades dos nossos municípios. E a partir daí buscar junto aos órgãos competentes, seja do governo do Estado ou do governo federal, alternativas para solucionar os problemas comuns.
Também precisamos ter uma maior interação com entidades regionais. A começar pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), a qual tem conhecimento e pesquisa para contribuir com os municípios. Sugiro inclusive que a UEL volte a produzir medicamentos básicos para abastecer as unidades de saúde da região. Teremos que buscar maior proximidade com o Iapar, com a Embrapa (considerando que a totalidade dos nossos municípios tem na agricultura sua base econômica) e de tantos outros órgãos da região.
Já foi criada pelo governo do Estado a Coordenadoria de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Londrina, porém, os prefeitos e outras lideranças precisam articular um trabalho conjunto para pensar, planejar e executar obras e projetos que venham a ter impacto no futuro da nossa região, inclusive com a criação de novos consórcios.
Acredito que com a participação efetiva dos 22 prefeitos, com realização de reuniões verdadeiramente de trabalho, pautadas por assuntos de relevante interesse, a Amepar tem tudo para voltar a ser uma entidade atuante e representativa como foi num passado recente.
Não podemos nos esquecer de que dia-a-dia a crise financeira mundial avança sobre todos os setores da economia. Vivemos um período de grandes desafios. Porém, não devemos ficar apenas alardeando os temores do pessimismo. Precisamos buscar um norte para o desenvolvimento econômico, social e ambiental da nossa região. Esse deve ser o nosso compromisso.

JOÃO PAVINATO é prefeito de Cambé

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