ESPAÇO ABERTO
Educação, o que fazer?
Antonio Lemes Guerra Junior
Quando o assunto é educação, o grande questionamento trazido à luz é justamente esse: o que fazer para que ela deixe de ser um problema? Responder a isso não é nada fácil, uma vez constatada a grande divergência de opiniões aliada à miudeza dos passos dados em direção a uma melhoria significativa do sistema educacional que atenda às necessidades mais urgentes da população.
Embora o governo tencione -aparentemente - dar um novo rumo às políticas educacionais, muito do que se diz estar sendo feito não é observado na prática. O que se vê são os muitos recursos desviados e os incontáveis projetos, criados de modo aleatório apenas para cumprir meras formalidades, utilizados para a camuflagem da verdade que se esconde por de trás dos belos comerciais veiculados na mídia, como se o Brasil fosse apenas uma escola repleta de contagiantes sorrisos onde tudo se encontra na mais perfeita ordem.
E o que dizer, então, do analfabetismo funcional? Seu índice cresce velozmente, ao mesmo tempo em que ecoa a afirmação de uma suposta redução no número de analfabetos. É extremamente complexa a compreensão dessa situação, embora seja possível verificar a fragilidade de um sistema que estacionou num contínuo de fracassos, de tentativas frustradas que já passaram a integrar o cotidiano de todos: nada novo!
Num país tão rico, onde se escondem as soluções para problemas irracionais e tão desgastantes? É, reiteradamente, uma acentuada nuance que aflora, pintando, por meio de um cruel contraste entre riqueza e pobreza - de espírito e de racionalidade -, a justificativa para tamanha lentidão nessa busca pelo ''acordar'', pelo agir. Nada mais é preciso além de decência, de compromisso público e de respeito para com os cidadãos para a viabilização de um ensino de qualidade que contemple a todos, suprindo as inúmeras carências que hoje insistem em assombrar e atravancar a educação brasileira.
ANTONIO LEMES GUERRA JUNIOR é graduado em Letras e mestrando em Estudos da Linguagem na Universidade Estadual de Londrina
A nova legislação dos SACs
Mauricio Donavan Rodrigues Paniza
Em algum momento de vossas vidas, certamente já precisamos contatar algum
Serviço de Atendimento ao Consumidor (SACs). O governo federal decretou ano passado nova legislação de atendimento ao cliente, obrigando empresas fornecedoras de serviços a adaptarem suas centrais de relacionamento. Um dos lastros que a nova legislação visa preencher é a dificuldade em cancelar serviços, já que muitas empresas são rápidas na hora de vender mas na hora de perder o cliente, nem tanto. Falar com um dos atendentes, a partir de agora, deverá estar entre as primeiras opções dos SACs. O prazo máximo para transferência a partir da nova lei é de 60 segundos.
Essas normas estão sendo cumpridas efetivamente pelas empresas? Qual o poder de fiscalização do Estado frente às novas mudanças? Qual a amplitude de controle do órgão fiscalizador dos SAC's frente ao número infinito de centrais de relacionamento com o cliente espalhadas pelo país? Qual será o impacto dessas ações no âmbito social e psicológico nos trabalhadores desse setor? Por mais que haja descaso e ineficiência por parte de alguns atendentes, sabe-se que a pressão psicológica sobre eles é muito grande. Isso pode ser observado devido à alta rotatividade do setor. E treinar exige tempo e dinheiro. As empresas têm toda essa estrutura? Antes da nova lei, o SAC já era um lugar de pressão e ainda que muitos discordem, a empresa quer solucionar a dificuldade de seus clientes sempre, ainda que em muitos casos o próprio cliente não colabore.
Cabe registrar que muitas empresas, especialmente as pequenas e médias, não têm aparato tecnológico suficiente para cumprir a nova legislação e não dispõem de capital humano capacitado para materializar os novos direitos conquistados pelo consumidor. Também se torna necessário que as empresas criem formas de minimizar a pressão psicológica sobre os atendentes e que a rotatividade seja eliminada. Apenas criar uma norma que ''defenda'' os clientes não é suficiente. E engana-se quem pensa que os problemas decorrentes da falta de qualidade no atendimento são exclusivamente da empresa.
MAURICIO DONAVAN RODRIGUES PANIZA é estudante de Administração na Pontifícia Universidade Católica do Paraná em Londrina
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