ESPAÇO ABERTO
Prevenção ou repressão?
Marcos Antonio Tordoro
A violência criminal deve ser prevenida ou reprimida? Qual das modalidades de atuação está mais adequada às necessidades da sociedade? A prevenção está, umbilicalmente, ligada às políticas públicas elementares. Educação, esporte, lazer, cultura, saneamento básico, urbanização, saúde - não numa ordem de importância - entre outras, são essenciais ao estímulo social e promovem as perspectivas de agregação comunitária e inserção social.
A prevenção primária não depende da Polícia - civil, militar ou federal -, mas pode contar com a ajuda desses segmentos governamentais. Todavia a integração é deficiente. Uma integração efetiva onde todos os órgãos públicos, verdadeiramente, busquem o bem coletivo e não se deixem sobrepujar pelo ego/vaidade é essencial às políticas públicas.
Por exemplo, a Polícia Militar chega em muitos locais aonde outros segmentos não chegam. Isso possibilita a percepção das necessidades sociais de algumas comunidades e, caso houvesse o compartilhamento das informações, muitos anseios comunitários atrelados à problemática criminal seriam solucionados.
Por si só as políticas públicas elementares não vão fazer frente à dinâmica da violência criminal, dado que a impunidade deve ser combatida com a repressão, eficaz e contundente, prevista na legislação penal. Os pequenos delitos hoje são diminutos, mas passado determinado período serão lembrados como aqueles que incentivaram ou impulsionaram as práticas delituosas mais graves (tráfico de drogas, assalto com arma de fogo, homicídio e sequestro). Por isso a repressão não deve ser apartada da prevenção e vice-versa. Pelo contrário - calcando-se nas leis federais, estaduais e municipais e com a concomitância das ações -, deve-se prevenir com contundência e reprimir sem clemência.
E a repressão, a propósito, previne. A impunidade não pode ter lugar nas instituições de um país em cuja Constituição Federal está esculpido, como primeiro objetivo fundamental, a construção de uma sociedade livre, justa e solidária.
MARCOS ANTONIO TORDORO é comandante da 1ªCompanhia da Polícia Militar de Rolândia
As correntes do negativismo
Walmor Macarini
Se a quebra do banco norte-americano Lehman Brothers não houvesse sido divulgada, tudo correria normalmente, como mais uma empresa falida. Sem propagação da corrente psicológica gerada por esse crash, não teria ocorrido crise nenhuma. Tudo não passaria de uma marolinha expressão do presidente Lula se o caso do banco ficasse no limite de seus entornos. Mas como deu-se muito destaque ao fato e como aconteceu no topo do mundo, deu no que deu.
Agora virou tsunami. Ficou como estouro de boiada. O banco roto foi apenas um boizinho que se desgarrou e deu uns pinotes, e os outros viram e pensaram que era um enxame de marimbondos. Mais outros começaram a correr, e a tropa inteira que não sabia do que estava acontecendo disparou junto. Se perguntarem a uma empresa ou a um banco por que estão demitindo, dirão que não sabem ao certo, mas apenas que alguém começou a fazer isso, e aí eles também passaram a fazer. Quando a manada cansar de correr, parará pela sofreguidão.
Haveria crise justificada se um vendaval destruísse as casas de meio mundo, se uma seca prolongada dizimasse todas as plantações da Terra, se uma doença grave irrompesse e causasse mortes aos milhões, e por aí em diante. Mas nada disso aconteceu. No começo foi só a marolinha. Mas aí alguém deu um berro, todos acordaram e sairam espavoridos, sem saber por que. Agora, sim, é real.
Anteontem o presidente do mundo, Barack Obama, assumiu. E há no ar um clima de confiança. E o que é esta crise senão ausência de confiança? Se o grande chefe negro não vai resolver os problemas do mundo, ao menos há um sopro de esperança. E a esperança move montanhas. O dinheiro não foi incinerado e a humanidade está viva e saudável. O que falta então senão confiança?
Se a crise foi gerada por uma onda maléfica, por que não acreditar no mesmo poder de uma onda benéfica? Mas os catastrofistas querem por que querem que o mundo role ribanceira abaixo. E se rolar, esses profetas do apocalipse dirão: Bem que nós avisamos. Se nada disso acontecer, dirão da mesma forma: Foi graças a nossa advertência.
WALMOR MACARINI é jornalista na FOLHA DE LONDRINA





