ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
Alexandre Kireeff 
O desenvolvimento
deve ser capaz de eliminar
a pobreza econômica
que não permite as
pessoas o direito de
obter sua nutrição
básica, de ter moradia
digna, de acessar
a assistência médica,
de consumir água
tratada e desfrutar de
saneamento básico
Tradicionalmente, a avaliação do desenvolvimento de uma cidade, de uma região ou de um país tem sido feita através da mensuração da variação do PIB. Trata-se de um importante parâmetro para se aferir a condição econômica de qualquer comunidade, mas estabelecer metas ou elaborar conclusões levando-se em consideração apenas o crescimento econômico não contempla a totalidade das demandas da sociedade contemporânea.
O aumento do nível da industrialização e das rendas das pessoas são importantes maneiras de se buscar o desenvolvimento das populações, mas reduzirmos nossas metas ao crescimento destes itens e limitar nossas avaliações a suas variações não é suficiente.
Muito mais do que ficar restrito àquelas questões, o desenvolvimento deve ser capaz de expandir a liberdade humana e sob a ótica da geração de riquezas tal objetivo fica impossibilitado inclusive de ser avaliado.
O desenvolvimento deve promover a remoção das principais fontes de privação da liberdade. Deve ser capaz de eliminar a pobreza econômica que não permite as pessoas o direito de obter sua nutrição básica, de ter moradia digna, de acessar a assistência médica, além de consumir água tratada e desfrutar de saneamento básico.
A ampliação da liberdade também pode ser traduzida pela disponibilização de serviços públicos satisfatórios e assistência social eficiente, pois tais condições que são capazes de libertar o ser humano de uma expectativa de vida reduzida sob o ponto de vista temporal. A garantia de direitos civis e a possibilidade de participação da vida social, política e econômica da comunidade, também são manifestações das liberdades individuais que devem fazer parte tanto das metas quanto das mensurações relativas ao nível de desenvolvimento de uma região ou população, pois pertencem a um conjunto de liberdades capazes de qualificar substancialmente a condição da vida.
Além disso, as liberdades não devem ser entendidas apenas como os fins do desenvolvimento, mas devem ser reconhecidas pela sua importância como promotoras dele, como sugere o economista Amartya Sem em seu livro ''Desenvolvimento como Liberdade''. Liberdades políticas promovem segurança institucional que garantem a proliferação dos essenciais investimentos estruturais. Serviços públicos qualificados potencializam a capacidade de participação econômica ao permitir que parte da renda bruta da população não seja destinada a complementar a ineficiência estatal.
A liberdade econômica, além de gerar riqueza individual, pode ampliar a arrecadação pública qualificando seus serviços. O acesso à educação e à capacitação profissional habilita o cidadão a ampliar sua produtividade e o liberta das limitações impostas pelo seu despreparo educacional ou profissional, desencadeando um círculo virtuoso de desenvolvimento.
Diante do atual cenário mundial repleto de medições estritamente econômicas negativas, precisamos estar atentos e utilizarmos de outros mecanismos de verificação da condição da população, tanto para avaliarmos precisamente o impacto causado pela situação econômica mundial em toda sua abrangência, quanto para elaborarmos estratégias de atuação, definirmos metas e, até mesmo, se for necessário, elegermos prioridades.
Enfim, o desenvolvimento que buscamos deve ser um processo voltado à expansão das liberdades, dirigindo a atenção para os fins que o justificam. Desta forma, além de aumentarmos a qualidade dos resultados, estaremos alimentando sempre os meios que os viabilizam.
ALEXANDRE KIREEFF é presidente da Sociedade Rural do Paraná


