ESPAÇO ABERTO
Realidade tributária no Brasil
Flávio Fattori Valério
Hoje no Brasil com um simples ato de acender a luz do quarto ao acordar, você estará pagando 46% em impostos! Isso sem contar com impostos que incidem em produtos e serviços considerados imprescindíveis à subsistência básica de um ser humano: como café (36%), açúcar (40%), macarrão (35%), entre outros.
A causa desta aberração é a incidência de impostos sobre o próprio valor do imposto (as chamadas alíquotas por dentro). Isso traz como consequência a cumulatividade: quando algum imposto sobre exportação é isentado, investimento ou cesta básica, a alíquota cobrada durante a cadeia de produção nem sempre é devolvida, prejudicando a competitividade dos produtos nacionais quando comparados com de outros países com carga tributária muito inferior.
O problema é que este nível de cobrança de impostos que é encontrado hoje no Brasil deriva de um crescimento lento e gradativo nas alíquotas, que foi sendo mantido até elevar a carga tributária a um patamar quase insuportável, equivalente a 34,7% do PIB.
Como complicador adicional, não se vislumbra, pelo menos no curto e médio prazo, possibilidade de reduzir-se a carga tributária brasileira, pois isto resultaria em comprometer seriamente as finanças públicas do país.
Existe ainda um agravante muito prejudicial, que é o da maioria dos cidadãos saberem o que estão pagando e ainda assim ninguém ter voz ativa para reclamar. Quando o consumidor tiver as informações de quanto paga de impostos em cima de cada produto que está consumindo, ele poderá exercer plenamente sua cidadania de cobrar de seus governantes a aplicação desses valores recolhidos.
A falta de transparência é a mãe da regressividade, da elevada carga tributária e da injustiça social. Precisamos de uma reforma no sistema tributário urgente, pois, só assim, poderemos transformar consumidores pagadores em cidadãos cobradores.
FLÁVIO FATTORI VALÉRIO é bancário e especialista em Gestão de Negócios e Gestão Estratégica em Rolândia
O Paraná e a crise mundial
Enio Verri
O assunto do momento é como vamos enfrentar a crise que já está tão forte no resto do mundo e que se aproxima do Brasil e, por consequência, do nosso Estado. Aliás, essa preocupação não é só do Paraná, os outros 26 colegas secretários de Planejamento da Federação também têm essa preocupação. A verdade é que o governo do Paraná vem trabalhando exaustivamente para equilibrar as finanças do Estado, desde o ano 2003, quando o governador Roberto Requião assumiu o Executivo.
Hoje, o Estado gasta menos do que arrecada, ou seja, sempre temos uma reserva. E isso permite que o governo invista mais em saúde, educação, com destaque para o ensino superior; em segurança pública e na agricultura, onde temos uma prioridade com a agricultura familiar, com os pequenos agricultores.
Isso tudo permitiu que o Paraná criasse uma bolsa de proteção contra essa crise. E o nosso Estado, por conta dos investimentos que tem feito nos últimos seis anos, com aumento da sua arrecadação e pelo grande equilíbrio fiscal, está preparado para enfrentar essa grande turbulência econômica mundial, que é uma realidade e certamente vai atingir todo o povo brasileiro e logicamente também os paranaenses.
Contudo, em nosso Estado os efeitos da crise deverão ser atenuados, porque temos desenvolvido ações pensando na população, como por exemplo a nossa minirreforma tributária, onde reduzimos impostos que eram de 25 e 18 por cento para 12 por cento de 95 mil itens de consumo da classe trabalhadora. No Paraná, as microempresas têm isenção de ICMS e incentivamos a agricultura familiar. Como consequência, a nossa produção aumenta, a geração de empregos cresce. Hoje o Estado é um dos que mais geram empregos no País. Além disso, temos um salário mínimo regional maior do que o nacional.
Acredito que, por conta dessas ações, a nossa população esteja motivada e preparada para enfrentar essa crise. Sem falso otimismo ou excesso de pessimismo e, em função do projeto econômico e social que nós desenvolvemos nesses últimos anos, posso afirmar que o Paraná vai sentir com muito menor intensidade que o resto do Brasil essa grande turbulência econômica mundial que se aproxima.
ENIO VERRI é secretário do Planejamento e Coordenação Geral do Paraná





