ESPAÇO ABERTO
O holocausto na Faixa de Gaza
Nadia Zebian Nasser
Muito oportuna a charge do cartunista da FOLHA Marco Jacobsen no último dia 8. O que se pode esperar de um menino que, aos 6 anos de idade, vê sua casa ser atingida por bombas, sua mãe e seus irmãos serem mortos e permanecer ao lado dos corpos por quatro dias nas ruínas até ser socorrido? Com estas guerras e atentados, Israel só fabrica o ódio. O que falta para um garoto como este se encher de bomba e se explodir? O que lhe restou? A vingança passa a ser seu único objetivo.
Existe sim solução para a paz e não é o genocídio, como faz pensar Israel. Assim como os israelenses têm direito a um Estado autônomo, os palestinos também o têm. E ainda há algumas vozes que consideram este ataque como defesa de Israel contra o Hamas.
Ora, o Hamas surgiu depois de Israel negar reiteradamente o direito dos palestinos a um Estado soberano, desrespeitando as normas de direitos humanos ao impedir que os palestinos, legítimos donos de suas terras, tenham direito ao trabalho, à saude, à educação e a um nível de vida digno!
O Hamas se fortaleceu depois de Israel, repetidamente, se negar a cumprir as resoluções da Organização das Nações Unidas (ONU) para a criação do Estado Palestino! Israel sempre desrespeitou tudo e todos! Desrespeitou o direito internacional enquanto assentava judeus em terras palestinas, adquirindo territórios ilicitamente pela força. Não respeita a ONU, não respeita a Cruz Vermelha, não respeita direitos humanos, não se intimida com a exposição de suas crueldades na mídia.
O povo palestino sofrido e em desespero não encontrou outra alternativa senão apoiar o Hamas. Foi Israel, com sua truculência, quem criou e fortaleceu o Hamas. E se continuar com suas atitudes agressivas e opressoras pode até enfraquecer ou acabar com o Hamas, mas outros grupos palestinos certamente virão. Israel agride, tenta se passar por vítima e tristemente convence alguns.
A população mundial, a imprensa, as entidades humanitárias e a própria ONU estão protestando contra esta covardia, mas enquanto Israel tiver o apoio dos dirigentes das superpotências vamos continuar assistindo, incapazes e revoltados, este holocausto.
NADIA ZEBIAN NASSER é cirurgiã dentista em Londrina
A perfeição por nós mesmos
Walmor Macarini
Antes de aportar nesta paragem terrena, cada ser que é preexistente em sua essência tem conhecimento das coisas que o aguardam aqui e pelas quais opta. Há o que prefere nascer e crescer em ambiente adverso (ou esta foi a escolha que lhe restou para realizar seu propósito de aprendizado e evolução). Outro decide por nascer isolado da civilização, inculto ou com certas privações e até portador de alguma deficiência.
Dessa forma pode desenvolver certos atributos que lhe foram escassos em outras existências. Porque cada um de nós não é de agora mas tem a idade dos tempos eternos. Não existe forma e nem palavras para explicar o mistério do Processo Divino, mas devemos saber que somos eternos desde a origem. Os contrários à lei das vidas sucessivas de cada um individualmente ironizam que, voltar a este mundo, nunca mais!
Dessa forma desprezam a vida nesta dimensão, que é vontade pessoal e concessão divina, e assim rejeitam a idéia desse retorno, de uma nova ida e outra vez a volta, e assim sucessivamente até que se cumpra o propósito de avanço espiritual de cada um e o resgate de saldos devedores, ou o simples cumprimento de missões às quais se doaram.
Crer ou não crer nisto é do direito de cada um e não faz ninguém melhor nem pior por isso, mas admitir esse fenômeno abriria portais para o entendimento de tantas coisas. Muitas atribulações que atormentam a humanidade encontrariam resposta nesse processo das muitas vivências físicas individuais, ocorridas neste ou em outros sistemas planetários.
A eternidade não tem início na morte do corpo material, porque nossa essência primordial jazia nela. Isto quer dizer que temos a idade de todos os tempos, ou um eterno presente, revivendo experimentos em vestimentas físicas e etéricas, que se sucedem e se encadeiam. Até quando isso vai ocorrer, não se sabe, e saber não é relevante. Certo é que não haverá um momento de parada evolutiva, nem para os seres e nem para o conjunto do Universo.
Muitos questionam por que Deus já não fez tudo perfeito, que assim não haveria sofrimento na face da Terra. A resposta é que talvez deseje que nós próprios construamos a perfeição. O Supremo Criador deve ter as suas explicações para isso e delas certamente nos dará conhecimento quando estivermos aptos a entender.
WALMOR MACARINI é jornalista na FOLHA DE LONDRINA





