É pre­ci­so di­zer,
mes­mo que is­so
soe po­li­ti­ca­men­te
in­cor­re­to, que os
pa­les­ti­nos co­me­te­ram
um gran­de e ter­rí­vel
er­ro ao con­du­zi­rem
o Ha­mas ao ­comando




Alguns analistas internacionais defendem a tese de um pacifismo radical como a mais razoável posição a ser tomada acerca do conflito envolvendo Israel e os terroristas palestinos do Hamas na Faixa de Gaza. Eles sustentam que Israel deveria ser obrigado a parar sua ofensiva militar. Alegam também que apenas se a guerra fosse o objetivo é que teria sentido a tomada de posição por um dos lados, mas uma vez que a paz é o bem que devemos buscar, e não a derrota de um inimigo, somente o completo cessar-fogo - dizem eles -poderia ser admitido como o melhor caminho para a resolução do conflito.
Tenho dúvidas sobre essa posição. Primeiro, não estou certo de que Israel tenha de ser obrigado a parar sua ofensiva militar. Em segundo lugar, qual pode ser o objetivo de uma guerra? Por certo, não a própria guerra. Israel certamente não visa à guerra pela guerra. Ele visa à sua defesa e - admitamos - a destruição ou enfraquecimento do poder de fogo do Hamas. E o que visa o Hamas? Não é a própria guerra. Se for a própria guerra, então ele pretende uma guerra sem-fim. Seria estranho fazer guerra para que ela nunca tenha fim, pois o objetivo seria continuar guerreando indefinidamente. Isso me parece sem sentido.
Acredito que os dois lados buscam, pelo conflito bélico, algo distinto da guerra. O problema é que o Hamas tem como objetivo a eliminação do Estado de Israel. Se numa guerra as partes não têm suas existências minimamente reconhecidas, somente com a total destruição do lado contrário é que se pode cessar o conflito.
E vejam, isso não pode ser confundido com derrota do adversário. Querer derrotar o adversário, em algum sentido, é inerente à ação bélica, mas isso não implica necessariamente sua total destruição. Agora, pergunto: alguém acredita que o Hamas algum dia irá conseguir destruir Israel? É claro que também se pode perguntar se algum dia Israel irá conseguir derrotar o Hamas. Mas se o que os palestinos querem é, primordialmente, a criação de seu Estado soberano e não a destruição de Israel, eles terão de assumir responsabilidades sobre grupos como o Hamas. Isso, por certo, não terá a desejável consequência de extinção do grupo terrorista, mas poderá enfraquecê-lo substantivamente.
Israel também é criticado por impedir e não reconhecer o governo do Hamas em Gaza. Mas estaria Israel errado em impedir o funcionamento do governo do Hamas? Por acaso o Hamas não prega a destruição do Estado de Israel? E é interessante observar, para as pessoas que idolatram eleições, que o Hamas foi eleito democraticamente pelos palestinos para comandar a Faixa de Gaza. Não é estranho um grupo terrorista disputar eleições? Vejam, aqui é preciso dizer, mesmo que isso soe politicamente incorreto, que os palestinos cometeram um grande e terrível erro ao conduzirem o Hamas ao comando de Gaza.
Arrisco-me a dizer que a balança do certo e do errado deve se inclinar em favor de Israel. Sendo assim, não abraço a tese de um pacifismo radical. É claro que discordo da política de Israel acerca do direito dos palestinos a um Estado soberano. Essas concessões territoriais com fronteiras controladas e com diversas restrições ao livre exercício de uma autêntica soberania nacional é um afronta ao direito dos palestinos e Israel e a comunidade internacional têm sua culpa nisso.
Agora, se alguém me ataca e diz querer me eliminar, acredito estar autorizado a avançar contra essa pessoa como a mais lícita atitude de autodefesa. Vejam, não entro aqui em discussões específicas sobre a desproporcional ação bélica de Israel na Faixa de Gaza. Tampouco discuto o modo como foi criado o Estado de Israel e o não-cumprimento de resoluções da ONU para a criação do Estado Palestino. Meu ponto é o seguinte: considerando o estado atual das coisas, Israel está certo ou errado em atacar o Hamas? Inclino-me a pensar que está certo. Logo, sou da opinião de que os pacifistas estão errados.

AGUINALDO PAVÃO é professor de Filosofia na Universidade Estadual de Londrina

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