ESPAÇO ABERTO
Consumista ou consumidor consciente?
Alessandra Cabral Leite Duim
Vivemos em uma sociedade de consumo onde ter é mais importante do que ser. Uma sociedade descartável e que adora produtos descartáveis. Compramos mesmo sem precisar e não nos preocupamos em analisar embalagens, muito menos se o produto é biodegradável ou reciclável. Hoje o mundo já sofre com essa indiferença, pecado do consumo não sustentável. A felicidade humana muitas vezes está vinculada a esse consumo descontrolado que não pensa no impacto ambiental e social de seus atos, mas se preocupa em adquirir produtos novos cada vez mais modernos e bonitos.
Isso vem esgotando os recursos naturais (água, ar e solo). Estamos vivendo uma situação insustentável a caminho de um colapso ambiental. Prova disso são as alterações climáticas que vêm ocorrendo em todo o mundo. Segundo estudo da Organização das Nações Unidas (ONU), cerca de 60% de todos os ecossistemas do planeta estão degradados ou sendo usados de um modo não sustentável, o que pode provocar um colapso ambiental global ainda neste século. As perspectivas para o futuro próximo são alarmantes, alertaram os pesquisadores, enfatizando que a destruição de 15 dos 24 ecossistemas do mundo causará o surgimento de novas doenças, escassez de água, da pesca e aparição de zonas mortas no litoral.
Existe necessidade de se repensar o ato de consumir e pôr de lado a resistência a mudanças. Deixar de ser um consumista para se tornar um consumidor consciente. A única forma de termos um Planeta Terra equilibrado é educar a humanidade para o consumo sustentável e diminuir a pressão sobre a natureza. É necessário não poluir, não esbanjar água, evitar o desperdício de energia, usar de forma responsável qualquer recurso, mas sem dúvida é essencial reduzir o consumo e dar preferência a produtos que poluam e explorem menos a natureza. Atitudes assim podem contribuir para acelerar investimentos em tecnologias limpas, produtos ecologicamente corretos e responsáveis.
ALESSANDRA CABRAL LEITE DUIM é estudante do curso de Ciências Biológicas da UniFil em Londrina
Um pouco de tudo, por tanto ódio
Walmor Macarini
Árabes e judeus devem ter começado a desentender-se logo depois que Sara, esposa de Abraão e incapaz de ter filhos, permitiu-lhe coabitar com a escrava Hagar. Dessa relação nasceu Ismael, que formaria uma grande tribo. Já velha, Sara viria a receber o aviso de que também conceberia um filho de seu ancião marido, e ele nasceu sob o nome de Isaque, que também geraria, pela descendência, uma grande nação. Não tardaria que Hagar e Sara entrassem em conflito, o mesmo acontecendo com os dois irmãos, filhos do mesmo pai mas de mães diferentes. Ismael começou a caçoar de Isaque, e Hagar e o filho acabaram despedidos e vagaram no deserto. A narrativa é fundamentada no que está escrito, já a hipótese de ser esta uma das causas da contínua rivalidade das descendências, até os dias atuais, é um exercício de suposição.
Sobre os filhos de Israel que entraram no Egito e foram fecundos, multiplicando-se, o rei egípcio viria a dizer a sua gente: O povo dos filhos de Israel é mais forte do que nós. Usemos a astúcia, para que não se multiplique ainda mais e seja o caso de, vindo a guerra, se ajunte com os nossos inimigos e peleje contra nós. E colocou sobre eles feitores de obras para os afligirem e lhes fazer amarga a vida. E às parteiras recomendou que quando atendessem ao parto das hebreias, matassem os que nascessem homens. Imagino que também aí juntaram-se débitos cármicos.
Judeus e árabes, na grande maioria não se odeiam, e em países estrangeiros convivem bem entre si, como no Brasil. Mas certamente os hostis amargam pesadas contas do passado, porque sem disso terem consciência perdem a oportunidade de, afinal, perdoar-se. Porém não o fazem e assim vão adiando o processo e repetindo erros anteriores. Cinco mil anos são pouco tempo para esses renitentes, e assim comandam matanças, vão-se desta vida e retornam, até que um dia o resgate se cumpra.
Mais do que disputa territorial, deve haver de tudo um pouco na razão das sangrentas batalhas entre judeus e árabes, como agora ocorre na Faixa de Gaza: memórias remotas do passado, carmas não curados, ausência de amadurecimento para perdoar, atraso espiritual e a presença oportuna dos magos negros, que também povoam a Terra e agem nesses pontos de fraqueza humana. Coisas muito loucas. Mas o que são esses ódios e guerras senão loucuras?!
WALMOR MACARINI é jornalista na FOLHA DE LONDRINA





