ESPAÇO ABERTO
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sexta-feira, 02 de janeiro de 2009
Edson Pereira Filho 
Insegurança nas estradas do Paraná
Edson Pereira Filho
Sinto-me estranho ao falar mal de qualquer coisa no Paraná. Adotei Londrina no meu coração e o Estado por conseguinte, mas penso que posso falar sobre as coisas que me desagradam de maneira inaceitável. Como paulista, aprendi desde cedo que estrada boa é aquela em que se pode ir ou vir de maneira segura e confortável. Nem sempre, é claro. Na capital de São Paulo esta regra não se aplica integralmente. Nas rodovias Anhanguera e Bandeirantes, porém, se tem um tapete para transitar, como dizem os motoristas. Aqui, os paranaenses, entretanto, convivem com pistas de mão única na sua grande maioria, e o preço do pedágio é um absurdo devido estas condições. Ainda mais agora com os novos aumentos.
As péssimas condições das estradas no Paraná têm como mosaico a falta de acostamento, falta de alças de acesso para aceleração e desacelaração compatíveis com estas estradas, falta de socorros telefônicos por quilômetro, desvios adequados para acesso às cidades ou mudanças de rodovias e falta de sinalização necessária para o bom trânsito dos veículos. Para ficar nestes exemplos. As concessionárias daqui funcionam como verdadeiros caça-níqueis, quando se pondera os serviços prestados.
Confesso que passei um perereco indo certa feita de Londrina para Cascavel. O motorista do jornal, muito habilidoso aliás, fez peripécias para se livrar de utrapassagens perigosas de veículos que seguiam no sentido contrário. A chuva então, foi um adicional neste desespero, quando a água lançada por carros e caminhões que seguiam no sentido contrário batia em nosso veículo. Para completar, nosso piloto - prefiro chamá-lo desta forma devido à perícia - alertava para que não ficássemos na estrada à noite, ao sair de Cascavel. Lá, o roubo e cerco de ladrões são frequentes.
Além deste aspecto, o que me chama a atenção é que em tempos de crise ocorra aumento de pedágio sem uma justificativa plausível. Não bastasse a logística das estradas ser péssima, caminhoneiros andam batendo lata, sem carga de volta após entregar no porto, lojas ou fábricas. O desaquecimento nas transportadoras é flagrante, há uma queda de 30% no setor, ocasionada pelos primeiros sinais da crise. Além do preço alto dos pedágios, quem transporta a economia está sendo o primeiro a pagar a conta da crise.
Há também uma dívida maior, o capital humano desperdiçado com mortes absurdas diante de pistas tão ruins. Ouvi de um empresário paranaense da aviação dia destes que o setor aéreo regional no Paraná está crescendo devido às péssimas condições das estradas. O motivo é que as estradas do Paraná estariam ceifando vidas importantes para economia do Estado. Como contraponto, este mesmo empresário citou como exemplo, a rodovia existente entre Curitiba e Florianópolis (SC), com pista dupla, entre outros requisitos viários. Entre estas duas cidades, segundo ele, a aviação regional não prospera, devido a rodovia representar uma boa opção, além de segura.
A reflexão está lançada. Embora não conheça a fundo os contratos de concessão destas rodovias, é necessário ampliar e melhorar substancialmente este serviço no Paraná. Sim, é um serviço público, cedido pelo Estado por um determinado período para que as concessionárias contabilizem lucros, sem com isso deixarem de oferecer conforto e segurança para motoristas e passageiros. Li certa feita que políticos antigamente construíam estradas, agora constroem pedágios. Resta saber se a prioridade é o dinheiro ou vidas.
Além desta triste equação humana, é hora de baixar custos. Vamos ter que crescer no mercado interno, pois o mercado externo estará desaquecido. Nada mais justo, se dermos condições para não encarecer o transporte de produtos. O governo estadual precisa intervir nesta questão, já que boa parte do custo de produtos se dá no transporte de mercadorias. Enfim, o que se paga de pedágio no Paraná não corresponde a qualidade, a segurança e aos serviços mínimos aceitáveis oferecidos pelo setor no Brasil. Fala-se muito da imprudência de motoristas. Também estou conhecendo a imprudência das concessionárias no Paraná.
EDSON PEREIRA FILHO é jornalista da Folha de Londrina
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