O pre­sen­te que da­mos a ­Deus
no Na­tal é o ar­re­pen­di­men­to
e a con­fis­são dos pe­ca­dos.
A mi­se­ri­cór­dia der­ro­ta o mal.
O bem su­pe­ra o mal. O me­ni­no
der­ro­ta a vio­lên­cia, o po­der,
o or­gu­lho, a pre­po­tên­cia. O
­maior pre­sen­te de Na­tal é o
per­dão e a re­den­ção dos pe­ca­dos.




1. Um menino redimiu o passado. A inocência venceu. A inocência venceu a corrupção. A ternura é mais forte que a violência. A criança desinibe os adultos. O pequeno vence o grande. O menor será o maior. O menino que nos foi dado é o salvador, é o rei, é a chave, o sentido e o centro da história. Ele atraiu os pobres pastores e os sábios e ricos magos. Sua estrela brilha para todos. Ele é luz dos povos.
O presente que damos a Deus no Natal é o arrependimento e a confissão dos pecados. A misericórdia derrota o mal. O bem supera o mal. O menino derrota a violência, o poder, o orgulho, a prepotência. O maior presente de Natal é o perdão e a redenção dos pecados. O menino apagou o mal, lavou as feridas do passado e faz novas todas as coisas.
2. Um menino reescreveu o futuro. Nele somos filhos amados. Nele temos um Cirineu que nos ajuda a carregar os fardos. O menino é a esperança das nações. Ele mostra que um mundo novo é possível. Ele abre as portas do futuro. Ele traz uma nova perspectiva social, o reino de Deus, descrito nas oito bem-aventuranças. Nele os pobres, os famintos, os excluídos, os pecadores, os doentes e os mortos encontram solução e resposta. Ele é a vida verdadeira. Se tivermos um coração de criança, a infância do coração, a inocência da alma, alcançaremos a maturidade.
3. Um menino renovou o presente. Ele é o Natal. Ele abriu nossa mente à verdade, nossa vontade ao bem, nossa liberdade à responsabilidade. Ele salvou-nos do medo, das fugas, das aparências e nos faz aceitar a realidade para transformá-la. Nosso ''agora'' é iluminado pela luz da fé, pela estrela de Belém. Este menino, como um pedagogo, leva-nos ao encontro conosco mesmos, derruba mascaras e resistências, nele encontramos nosso verdadeiro eu e o verdadeiro Deus.
4. Um menino encantou as crianças. Demos a nossos filhos o presente da fé em Jesus. Ele abençoava as crianças. Ele pede ainda hoje: ''Deixai vir a mim os pequeninos''. Ele colocou a criança no centro do seu reino. Ele protege os pequeninos dos escândalos. Cada criança tem no Menino Jesus um amiguinho, um irmãozinho. Jesus é a atração das crianças. Ele, no presépio, é submisso a José e Maria, amigo dos animais, amigo da natureza, amigo das crianças, amigo dos pobres.
5. Um menino fascinou a humanidade. Os anjos vibram, os céus cantam glórias a Deus, a terra experimentou a paz. Os pastores correm até Belém. Os magos põem-se a caminho. Herodes se perturba. Maria e José se admiram de tudo o que acontece. Simeão e Ana falam do menino e percebem nele a luz dos povos. O menor tornou-se o maior. Da periferia Ele assumiu o centro. Com sua pobreza enriqueceu a todos. Jesus é a fascinação da humanidade. Vinde adoremos.
Que fizemos e o que faremos por Jesus? O cristianismo é a religião da encarnação. Deus não está só nos altos céus. Ele desceu ao mundo, ao imundo, ao submundo. Ele é Deus conosco, por nós, em nós, acima de nós. Resplandece em Jesus o belo amor e a beleza da verdade. Jesus nos ensina a ser para os outros, a estar com os outros e ao lado dos outros. O outro é o centro. O egoísmo é recalque e loucura. A alteridade é o rumo da vida. Eis um mundo novo que o menino inaugurou. ''O negócio é ser pequeno'', escreveu o economista Schumann. O Menino Jesus vai privilegiar o menor, o servo, o último.
Diante da ternura, cale-se a prepotência, diante do menino, cale-se a competição, o carreirismo, a mania de grandeza. O Natal faz de cada pessoa um próximo, um irmão, e, de cada irmão, um amigo.
6. Um menino pobre e da periferia, é nossa esperança. Natal é festa da esperança. Os textos sagrados lidos no tempo do Advento simbolizam a esperança: as espadas se tornem enxadas, as lanças se transformem em foices, os trajes de luto se mudem em vestes de festa. Ainda mais, o leão e o cabrito, o urso e o cordeiro, a serpente e a criança estarão juntos. Deus presenteou a humanidade com a esperança. O Natal de Jesus é esperança dos pecadores, dos pobres, dos pequenos e de todas as pessoas de boa vontade.

DOM ORLANDO BRANDES é arcebispo de Londrina

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