ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
sábado, 13 de dezembro de 2008
Orlando Brandes 
Natal paulino é encontro
com Jesus, com a família,
com os pobres e conosco
mesmos. Nada temos em
comum com Papai Noel, tudo
converge e se concentra
no Menino Jesus. Sejam
nossas crianças fascinadas
pelo Menino de Belém. O
Natal de 2009 além de ser um
Natal paulino, é também um
Natal de solidariedade com
os flagelados das enchentes
Este ano de 2008 é um ano dedicado a São Paulo, pelos dois mil anos de seu nascimento, de seu natal. Como será nosso Natal no Ano Paulino? Paulo se tornou nova criatura no dia de sua conversão. Foi alcançado, agarrado, conquistado por Cristo Jesus. Iniciou-se outro período de sua vida após este encontro.
Jesus, nascido de mulher, submisso à lei, é Filho de Deus, no qual nós recebemos a dignidade de filhos. Clamamos do fundo do coração que Deus é nosso papaizinho (Abba). Estes são pensamentos de Paulo sobre o Natal. Tudo aconteceu quando se completou o tempo previsto (Gal 4, 4-7).
Depois de seu encontro com Jesus, morreu o velho homem que habitava em Paulo e ele agora diz sou o que sou pela graça de Deus (I Cor 15,10). Natal com Paulo Apóstolo é encontrar Cristo Jesus, tornar-se filho de Deus e herdeiro dos céus. Paulo celebra seu natal espiritual na queda do cavalo, na luz arrebatadora, no diálogo com o ressuscitado, na conversão. Natal é encontro que leva à conversão.
Natal é festa do encontro entre Deus e a humanidade. Um encontro vivo, persuasivo e decisivo, que marcou para sempre a vida de José e Maria, dos pastores e magos, de Agostinho de Hipona e de Francisco de Assis, de Camilo de Lelis e André Frossard até nossos dias. Deus na carne do Menino, na carne do pobre, na carne do irmão. Nossa carne é o centro da salvação.
Natal é para nos encontrar, fascinar e arrebatar por Jesus, pelo seu jeito de ser, por sua amizade que torna a vida bela, nova, livre e grande. Jesus é a maior fascinação da humanidade. Ele quis ficar na carne eucarística e na carne da Igreja. No rosto da Igreja vemos a irradiação da beleza de Jesus ressuscitado. Quanto mais a Igreja é santa, tanto mais será a Igreja da atração. Natal é recomeçar a partir do encontro com Cristo. Este é o Natal paulino.
Não temos outro tesouro, outra felicidade, outra prioridade que se anteponha a Cristo Jesus. Nada antepor a Cristo Jesus (São Bento). Conhecer Jesus e segui-lo é o maior presente de Natal. Torná-lo conhecido e amado é nossa maior tarefa. A alegria do Natal vem do amor do Pai que na vida de Jesus nos faz passar das trevas para a luz, do desalento para a esperança, da morte para a vida. Assim aconteceu na vida do Apóstolo Paulo.
No berço de Belém acontece a realização do plano eterno de salvação, do desígnio benevolente de Deus. Tudo estava no coração e na mente do Pai desde a eternidade e agora as bênçãos se derramam desde a manjedoura na estrebaria. Dos céus à estrebaria. A história da humanidade é um movimento de amor que procede do coração de Deus. O berço na estrebaria, a cruz no calvário, a hóstia no sacrário são provas incontestáveis do amor de Deus. Oh insondável profundidade da riqueza e da sabedoria e da ciência de Deus. Quão insondáveis são suas decisões e impenetráveis os seus cominhos. (Rm 11,23).
Natal paulino é encontro com Jesus, com a família, com os pobres e conosco mesmos. Nada temos em comum com Papai Noel, tudo converge e se concentra no Menino Jesus. Sejam nossas crianças fascinadas pelo Menino de Belém.
O Ano Paulino que celebramos nos estimula a viver um Natal bem especial. Que se dobrem os joelhos, as línguas confessem que em Jesus temos a altura, a profundidade, a largura e o comprimento, a profundidade e a inefabilidade do amor de Deus. Quem se deixa conquistar por Cristo Jesus, considera o resto como esterco e vive fascinado por este bem supremo: O amor de Cristo que supera todo conhecimento ( Ef 4, 19).
O Natal de 2009 além de ser um Natal paulino, é também um Natal de solidariedade com os flagelados das enchentes, um Natal de sobriedade diante crise econômica mundial e um Natal em favor da vida no contexto da Campanha da Fraternidade escolhe pois a vida (Dt 30, 19).
DOM ORLANDO BRANDES é arcebispo de Londrina


