Santa Catarina: exemplo para a humanidade

Sirlei Bennemann
  Quantas vezes já aconteceram estas tragédias em Santa Catarina? Pelo que me lembro, toda época de chuva ocorrem enchentes e há transtornos naquela região. Sempre houve solidariedade. Nas reportagens sobre os problemas, especialistas alertavam sobre os problemas climáticos, a ocupação das terras e outros fatores que eram os possíveis responsáveis. No entanto, assim que passavam estas tragédias, a população esquecia.
  Outras tragédias iam acontecendo e tomando conta da mídia e das pessoas. Um exemplo é o que acontece com a população de Londrina. Até esquecemos que ainda não temos prefeito para o próximo ano, que é imprescindível para a organização e planejamento da nossa cidade. Por outro lado, e mais grave ainda, é que também esquecemos daquilo que é mais precioso para as nossas vidas e para a nossa sobrevivência: a água.
  Por enquanto, são apenas problemas pequenos. Podem ser resolvidos, talvez, com solidariedade, pois ainda não estão morrendo pessoas. Não temos notícia e também não há imagem de morte de humanos. Por outro lado, já temos imagens chocantes de destruição do que vai acontecer no Paraná. Também tivemos alertas de especialistas sobre o que está acontecendo no ambiente, como houve em Santa Catarina, a destruição do nosso bem maior - a água do Rio Tibagi, que também se tornará um mar de lama com metais que matam.
  Pareceres estão relatados e divulgados em documentos por especialistas. No entanto, por enquanto não acreditamos. Pensamos na solidariedade da população que sempre ajuda e se comove com as tragédias e que ainda dá um jeitinho para resolver e amenizar a dor daqueles que estão precisando. Não gostaria de ver esta cena, mas infelizmente é o que vai acontecer caso prossiga a destruição das matas, como em Santa Catarina, mais o alagamento de uma grande área contendo metais que, em doses além das permitidas, matam os organismos e também nós humanos! Até quando vamos ignorar os exemplos que a natureza dá de presente o tempo todo?
SIRLEI BENNEMANN é pesquisadora de Ecologia de Peixes e professora na Universidade Estadual de Londrina


ONG esqueceu-se da criança principal

Walmor Macarini
  Os cristãos brasileiros tiraram o Menino Jesus da Manjedoura (e de seus corações) e colocaram lá um ídolo pagão, o Papai Noel. E, por acréscimo, passaram a cultuar também uma Mamãe Noel. As crianças dos nossos dias foram ensinadas a venerar Noel, porque lhes disseram que ele traz presentes. Essa figura do Velho que só sabe pronunciar ‘‘ho ho ho’’ não tem culpa por isso, e não será preciso malhá-lo como os insensatos fazem com Judas, mas convenhamos que ele não tem nada a ver com a epopéia da Natalidade.
  Em Londrina ergueram um templo em homenagem a esse ídolo – a Casa do Papai Noel, que por algum tempo ficou desativada e agora vão reabri-la, por iniciativa de um ONG que cuida de crianças e adolescentes em situação de risco. Louvável esse trabalho de atendimento, mas ela se esqueceu da criança principal. Em Maringá instituiram a Vila de Noel, que vai receber também a mulher de Noel (seria uma Noeli?), que substituirá Maria, a mãe de Jesus. Em Apucarana criaram a Aldeia de Noel. Em Arapongas vão fazer festa para receber o Velho. O Menino Jesus que espere. Ele não se importa, mas de onde se encontra deve estar dizendo: Pai, perdoa, eles não sabem o que fazem.
  E o pinheiro nevado, as renas, os trenós, o que têm a ver com Jesus e o Natal? Esta é uma tradição européia. Nem o Menino foi levado de trenó para algum lugar, nem era nevado o sítio onde ele nasceu, pois era noite estrelada e lá estava fulgurante a Estrela de Belém, e nem renas havia por lá. Sábado passado o arcebispo de Londrina, Orlando Brandes, em seu artigo semanal na FOLHA faz esta pergunta: ‘‘Como podemos chegar ao ponto de trocar o Menino pelo velho Papai Noel?’’. Em Curitiba o arcebispo Moacyr Vitti está promovendo a campanha ‘‘Natal com Jesus é Natal’’.
  Papai Noel assusta as criancinhas. Já se fosse a alegoria de um Menino Jesus, elas se identificariam com ele, pela semelhança. Porque os iguais se aproximam e toda criança olha com candura outra criança. O velho barba branca nem fisionomia tem. Alguém já viu o rosto dele? E o comércio, que fez de Noel o seu deus, bem poderia colocar no lugar dele figuras representativas de Jesus criança, Jesus adulto, Maria, José e outras imagens do Presépio. ‘‘Queremos resgatar o sentido do Natal’’, dizem os ressuscitadores da Casa do Papai Noel. Mas que resgate é este?
WALMOR MACARINI é jornalista na FOLHA DE LONDRINA

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