A tecnologia em prol da educação
Carlos Alberto Chiarelli
  As novas regras de ortografia a serem implantadas no Brasil têm causado grandes discussões. Sabemos que toda mudança vem acompanhada de preocupações e expectativas, mas não podemos deixar de pensar que muda-se para melhor. Podemos pegar a evolução dentro das salas de aula como exemplo. Se analisarmos os métodos utilizados anos atrás, provavelmente faz-se difícil compreender como se lograva sucesso ante dificuldades daquela época. Hoje, a tecnologia invadiu o sistema de ensino.
  Claro que o Brasil ainda tem muito que investir para buscar atualização permanente no emprego de ferramentas tecnológicas na educação. Temos que considerar que pelo menos 16 milhões de crianças nunca chegaram perto de um computador. Contudo, aulas expositivas, vídeos, consultas na web, entre outros recursos já estão sendo implantados aos poucos nas salas, os quais, desde que utilizados de maneira integrada e inteligente, favorecem a formação do aluno.
  Não poderia ser diferente no ensino a distância (EAD). Em um país onde os cursos superiores são muito caros e uma grande parcela da população tem que optar entre trabalhar ou estudar, o EAD tende a cumprir no Brasil um papel relevante de socialização abrangente e relativamente célere do saber, popularizando a educação que, para certos níveis de renda, ainda se mostra inacessível.
  Porém, para manter este sistema eficiente e atrativo, há a necessidade de elaborar materiais diferenciados. Por isso, novas tecnologias estão sendo implantadas agilizando o processo educacional, incluindo ferramentas pioneiras. É o caso do MP4. A portabilidade, a capacidade de armazenagem de conteúdos desse novo instrumento aliadas a bons livros, reduzirão a necessidade de deslocamento dos estudantes para aulas presenciais. Utilizando dessa forma a tecnologia, o EAD acaba representando um novo canal de educação, democratizando progressivamente o conhecimento. Este é apenas um exemplo de como as mudanças geralmente são benéficas. Que venha a Era da Tecnologia para ajudar o quadro negro.

CARLOS ALBERTO CHIARELLI
é ex-ministro da Educação e diretor de Ensino a Distância do Inteligência Educacional e Sistemas de Ensino


A crise sob outro ângulo

Walmor Macarini
  Correntes vibratórias imersas na especulação financeira e na ganância trazem retornos funestos da mesma intensidade. Como a crise ora vivida pela humanidade. É a lei de causa e conseqüência, e não apenas ditada pelas imprudências humanas mas também por um natural ordenamento da natureza cósmica. O que se faz se paga; o que se planta se colhe.
  Tudo o que se subtrai da harmonia, pautada no equilíbrio de todas as coisas que regem o universo, terá de ser devolvido de alguma forma, porque essa conta – como os balanços contábeis – precisa fechar-se. Na linguagem usual de sentido punidor diz-se que é o castigo. Não é o caso, porque o universo não tem esse sentimento, e sim a obediência a um encadeamento de coordenadas.
  O sistema financeiro, em todo o mundo, deixou de fazer do dinheiro um instrumento de troca e de geração de riqueza, convertendo-o em mercadoria. O universo fez essa leitura e manifestou sua rejeição, porque houve uma quebra de lei, e num sopro varreu o dinheiro e o fez voar. A moeda tem seus ditames. Todos os abusos, assim como as atitudes virtuosas, dão suas respostas no mesmo tom.
  Tudo isso é a soma do que Jung poderia adaptar para ‘‘inconsciente coletivo da especulação’’. É como a fervura que chega ao ponto de ebulição. Quem está no redemoinho gira, sobrando turbulência também para os circunstantes. Quem faz esses agitos assume seus débitos e começa pagando-os aqui mesmo e talvez mais além.
  O mal age em cadeia e encontra seus pontos afins, potencializando-se. Também a virtude se propaga segundo o mesmo princípio. Com a diferença de que esta gera conseqüências benéficas e aquele gera o caos. O homem escolhe o que deseja. Um ordenamento sábio comanda todas as coisas, e os desastres são mostrados para servirem de lição.
  Ouve-se da sabedoria popular que dinheiro não agüenta desaforo. Significando que há um princípio inteligente que o regula. Não é só a natureza que reage quando a ferem mas todas as coisas (dinheiro incluído) que nos foram outorgadas por dádiva divina e das quais abusamos pelo mau uso.

WALMOR MACARINI
é jornalista na FOLHA DE LONDRINA

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