Dia Nacional da Consciência Negra

Idalto José de Almeida
  As comemorações que norteiam o Dia Nacional da Consciência Negra em todo o Brasil cada vez mais vêm se tornando uma festa popular. Em várias cidades é feriado municipal, como São Paulo, Rio de Janeiro, entre outras. O gostoso é perceber que as manifestações de caráter popular encontram notoriedade na sociedade quando passam a ser evento de interesse público.
  É fato que o Brasil, enquanto país da diversidade racial, reúne as condições necessárias para se constituir na nação da tão sonhada democracia racial. Contudo, sabemos que a história oficial além da falta de registros das civilizações indígenas que aqui ainda vivem, deixa grandes lacunas quando se trata de contar afirmativamente a trajetória da presença negra na construção e desenvolvimento da sociedade brasileira.
  O discurso do opressor que permeou o inconsciente coletivo brasileiro ainda deixa marcas profundas de um país da discriminação racial, do preconceito e até mesmo de um racismo perversamente escamoteado. Resgatar a identidade histórica de um Brasil afro-descendente é essencial na reconstrução de nosso verdadeiro DNA enquanto nação.
  Em 2008, o Dia da Consciência Negra ganha um sabor muito especial. Além da eleição de dois negros para Câmara de Vereadores de Londrina, a chegada de um negro à presidência dos Estados Unidos representa a vitória de uma das etnias que, apesar das injustiças sofridas, mais têm colocado seu patrimônio cultural a serviço da humanidade. A população negra dos Estados Unidos é menos de 13%, assim, podemos afirmar com segurança que Barack Obama foi eleito pela maioria da população norte-americana e representa a esperança de que as grandes questões mundiais sejam resolvidas a partir do diálogo; da diplomacia; da prática da justiça e da equidade.

IDALTO JOSÉ DE ALMEIDA é presidente do Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial de Londrina


Não racismo mas involução espiritual

Walmor Macarini
  O racismo é decorrente do mal maior que contamina a humanidade e que discrimina não apenas brancos e negros mas todas as demais raças e as múltiplas camadas sociais. Não será a elevação cultural que mudará isso e sim a evolução espiritual. Este é o santo remédio para todos os males humanos, mas sua ação no organismo da sociedade é lento. Não é o racismo o pior dos males e sim a ausência de solidariedade entre as pessoas, o que se traduz por baixa espiritualidade. (E sempre digo que não se deve confundir espiritualidade com religiosidade, até porque é entre algumas religiões que se travam grandes rivalidades, a ponto de haverem gerado morticínios e guerras).
  Instituições como Poder Negro, Dia da Consciência Negra (que se celebra hoje) e outras frentes são discriminadoras porque se isolam em si, portanto separando-se e criando blocos à parte. Negros que só se casam com negras são racistas, e o mesmo se diz com relação aos brancos e os da raça amarela. Negros e mulatos também se discriminam.
  Criou-se no Brasil a Lei Afonso Arinos que tipifica os delitos do racismo, mas fatos curiosos ocorrem: se um negro é agredido racialmente por outro negro, ele não se molesta. Mas o delito foi cometido, em face da lei. Se um negro chama um branco de branquelo, em tom agressivo, isto é tido como normal, mas não deixa de ser manifestação racista. E nenhum branquelo se incomoda. Ao casar-se com brancas ou ter namoradas brancas, Pelé estava se revelando um não-racista, por não fazer discriminação. Pobres são discriminados por ricos, estes são segregados por pobres. Pessoas atrasadas não são bem aceitas nas rodas dos mais esclarecidos. No geral, todos se diferenciam entre si ou se engajam por afinidade, ideologia, religião, conveniência.
  Creiam ou não, os negros (aqui ressaltados porque hoje é um dia que criaram para ele) podem ter procedência cósmica diferente de outras raças; negros de hoje podem ter sido brancos do passado colonial que escravizaram negros, portanto conservando resquícios de memória remota e cumprindo, por livre decisão, processo cármico. O esquecimento disso é para que se opere o mérito. Cada um de nós tem de se elevar espiritualmente e então todos os males desaparecerão espontaneamente.

WALMOR MACARINI é jornalista na FOLHA DE LONDRINA

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