ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 18 de novembro de 2008
Ivan Frederico Lupiano Dias 
Em Londrina, falta um projeto consistente para além da política partidária
e da alternância do poder municipal. Precisamos discutir uma plataforma mínima de desenvolvimento que possibilite a aglutinação das lideranças políticas, empresariais e da comunidade
Bilbao, país basco, década de 80. A miséria, o desemprego, a falta de perspectivas rondam as mentes e os corações dos habitantes desta cidade em uma região tradicional situada ao norte da Espanha. Com uma renda per capita de 8.000 euros o futuro não parece risonho para os habitantes desta aguerrida cidade. Mas, um grupo de homens, pensa alto. Homens ligados ao empresariado, à vida pública, à ciência e à tecnologia, que atuam nos vários ativos econômicos, políticos, sociais da região, se articulam, buscam esperanças, traçam metas. Um Parque Tecnológico, um Centro de Eventos, o Museu Guggenheim, um Aeroporto Internacional. Metas impossíveis, dizem alguns! Museu de Guggenheim? Ao custo de mais de uma dezena de milhões de dólares? Em uma região pobre com altíssimo índice de desemprego? Deve ser loucura! Mas é uma proposta que ultrapassa os limites da política partidária e acaba superando as diferenças pessoais e políticas.
Bilbao, ano de 2005. Uma delegação de brasileiros chega à denominada capital do país basco. Renda per capita de 27.000 euros. Renda crescente. Emprego crescente. O Museu de Guggenheim é uma realidade. Um espetacular projeto arquitetônico, de um dos maiores arquitetos do mundo (que também custou caro!) é hoje conhecido em todo o mundo. Ponto turístico maior de um país repleto de tradições e de belezas. Parque Tecnológico com empresas de vários países, produzindo bens de alto valor agregado, competitivos no mercado mundial e que garantem aporte de recursos cada vez maiores para a cidade. Instituições de ensino superior e pesquisa, articuladas ao projeto de desenvolvimento regional. Um Centro de Eventos com infra-estrutura das mais modernas existentes. Um Aeroporto Internacional com qualidade que garante a boa recepção aos visitantes que vêm de todas as partes do mundo. O poder público se fazendo presente de modo sistemático e organizado no projeto de desenvolvimento pensado. Uma entidade estruturada de modo a garantir a articulação das instâncias de produção de bens, da produção do conhecimento e do poder público, reconhecida por todos, para além das vicissitudes da política partidária e alternância do poder, tão caras à democracia.
O que isto nos ensina? O que podemos aprender com o que ocorreu em Bilbao? Em Londrina, o que temos? Um Parque Tecnológico, porém mal localizado e ainda com as amarras da má política local. Universidades com poucos cursos de Engenharia, mas felizmente várias universidades e institutos de pesquisa. Um aeroporto que ainda não é internacional, mas de bom padrão, em comparação a diversos outros de cidades do mesmo porte. Diversas entidades que se ocupam do desenvolvimento local, regional, mas nenhuma ainda com a devida chancela do poder público. Falta um projeto consistente discutido com a comunidade para além da política partidária e da alternância do poder municipal. Precisamos acertar isto. Precisamos nos propor a discutir uma plataforma mínima de desenvolvimento que possibilite a aglutinação das lideranças políticas, empresariais e da comunidade para além do processo eleitoral. Só depende de nós. Que projeto desenvolver? Qual é o nosso Guggenheim?
Eu tenho um sonho. Um Museu de História Natural ao ar livre. Com animais da fauna pré-histórica das Américas, fabricados em tamanho natural, em pedra, massa e ferro espalhados em um terreno que permita a visita de famílias, com espaços para interatividade com as pessoas, principalmente as crianças, com espaços cobertos com filmes sobre a Terra, a História de nosso mundo, dos homens. Com espaços confortáveis aos sentidos humanos. Atraindo gente de outras cidades da região, de outros estados e - por que não - de outros países. Com horários gratuitos para que todos possam ter acesso. É uma proposta de um possível Guggenheim. Podem existir outras! Que tal aprofundarmos esta discussão e, a exemplo de Bilbao, procurarmos um projeto maior realmente inovador?
IVAN FREDERICO LUPIANO DIAS é professor do departamento de Física da Universidade
Estadual de Londrina


