Orkut não é lugar de criança

Rosiane Correia de Freitas
  O Orkut foi criado em 2004 para ser uma ferramenta de relacionamento entre pessoas na internet no que se convencionou chamar de rede social. Na prática, o Orkut (e outras redes sociais como o My Space, Hi5, Facebook) é um grande álbum de perfis de pessoas de todo o mundo com fotos, textos, depoimentos e principalmente informações pessoais. A mecânica de adesão é simples: basta preencher um formulário com informações pessoais e aceitar o contrato de uso. É justamente aí que está o principal motivo pelo qual crianças e adolescentes menores de 18 anos não podem participar de redes sociais: o contrato. Quem tem menos de 16 anos é visto pela lei como incapaz de exercer pessoalmente os atos da vida civil, como assinar um contrato, por exemplo. Já quem tem 16 a 18 anos é visto como parcialmente incapaz.
  O próprio Google (proprietário do Orkut) estabelece em seu contrato que ele só pode ser assinado por maiores de 18 anos. Isso porque, por lei, a invalidade de um documento com base na incapacidade de um dos contratantes só pode ser alegada pelo próprio incapaz o que deixa a empresa sem proteção. Então o Google se reserva o direito de não celebrar contratos com crianças e adolescentes e bloqueia esse tipo de adesão a quem informe que é menor de 18 anos. Ocorre que há quem minta para burlar essa regra. Dessa forma crianças se transformam em adultos num clique. Deixar que uma criança recorra a esse tipo de ‘‘jeitinho’’ para poder usufruir de um serviço da internet é como dizer a ela que é correto flexibilizar a lei quando bem entendemos, afinal ‘‘não dá nada’’, não é mesmo? Está aí uma questão interessante para os pais
refletirem.
  Um adulto pode pensar que mentir a idade para entrar o Orkut é um crime sem vítimas. Não é verdade. O fato é que a lei foi elaborada com o objetivo de proteger a criança. E ao permitir que os filhos burlem as regras para entrar no Orkut os pais estão indo contra essa proteção. A família precisa encontrar uma forma de usufruir da rede e ensinar as crianças que a internet, como muitas outras coisas da vida, precisa ser utilizada com responsabilidade.

ROSIANE CORREIA DE FREITAS
é jornalista em Curitiba, mestre em Educação pela Universidade Federal do Paraná e autora da cartilha ‘‘Uso Responsável da Internet’’


Sair do ninho e voar

Walmor Macarini
  Mais do que preocupar-se com a teoria da evolução das espécies é buscar saber o que somos e os caminhos que nos levam a evoluir espiritualmente. Ater-se a uma questão de relativa importância e apenas ciscar ao redor do ninho é limitar-se a um campo tão pequeno, quando poderíamos exercitar nossas asas atrofiadas e voar por espaços mais vastos e inimagináveis. Assim as verdades primordiais que se busca iriam sendo descobertas. Se as procurarmos por via da ciência convencional encontraremos apenas coisas atinentes a ela, e que mesmo assim podem não ser verdades absolutas.
  A ciência só enxerga as suas próprias verdades, mas ela nos revela apenas uma parcela mínima das múltiplas verdades e das suas muitas relatividades. E, no entanto, o homem dá tanta importância ao saber intelectual e ao acúmulo de cultura e conhecimentos. Mas a grande realidade, a grande maravilha capaz de nos deixar prostrados em deslumbramento ainda não chegou ao alcance da ciência oficial. Ela sabe muito, mas tudo o que sabe é quase nada – um grão de areia no amplo areal que se oculta por trás dos véus do transcendente.
  Ciência disto, ciência daquilo, em tudo ela está presente na terra dos humanos, e delas necessitamos. Mas existem coisas que a ciência estabelecida não explica. E se ela nada comprovou em searas onde nada buscou, assina um édito afirmando que tal não existe. Mas há uma ciência paralela que avança e também se estriba em comprovação. Cada qual com suas metologias. Há muito de belo e majestoso naquilo que não vemos – e isto é de domínio da ciência espiritual (e não confundi-la com conhecimento religioso).
  A ciência tida como aceita não explica como há uma árvore dentro da semente e como, na árvore, uma semente idêntica se cria; como uma criança nasce no ventre materno; como há um pássaro dentro do ovo e como o pássaro gera um ovo. Fenômenos da genética, dirá a santa ingenuidade dos simplórios – cientistas ortodoxos incluídos. E quem explica a genética? Se vale para estes mistérios, vale para outros, nos quais a maioria não crê. Com toda a certeza há algo acima de tudo isto e que tem o dedo da experimentação divina.

WALMOR MACARINI
é jornalista na FOLHA DE LONDRINA.

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