ESPAÇO ABERTO
A grandiosidade da ciência
Tiago Landi Simões
Você já parou para refletir por que razão enviamos nossos filhos para a escola, desde a mais tenra idade? Ora, dirá você, para que nossos filhos recebam a educação que lhes é de direito. Nada mais correto, afinal, a educação é um dos pilares da nação brasileira e prestigiada em um capítulo específico da Constituição Federal. Embora merecedora de toda a atenção do constituinte, a educação ultimamente não esteja recebendo o cuidado devido.
Em que consiste esta educação? O que é que devemos ensinar aos nossos filhos? Serão as idéias deste ou daquele autor, deste livro ou daquele outro? A resposta é uma só: nossos filhos não devem decorar este livro ou aquele, mas um único livro-índice, e este livro é chamado ciência. É a ciência que fundamenta o conhecimento moderno, é ela que está na base da educação em todos os países do mundo, seja no Brasil, no Japão ou na Indonésia.
Ciência, aqui, deve ser entendida na sua significação ampla, e não naquele sentido a que costumeiramente nos referimos, de ciência exclusivamente como sinônimo de física, química ou biologia, como antes eram tais disciplinas ensinadas nas escolas, sob o epíteto de ''aula de ciências''. A ciência engloba todos os ramos do conhecimento, sendo o método científico seu principal instrumento. Através do método científico, estabelecemos uma hipótese e, através da lógica, verificamos se a hipótese corresponde ou não à realidade. A ciência não é infalível, afinal de contas, seus conceitos estão continuamente sendo revistos e aperfeiçoados. Porém, o método científico é o meio mais eficaz de se atingir a verdade, pois só ele é imparcial, objetivo e verificável, ou seja, pode ser reproduzido por qualquer um em qualquer tempo ou lugar.
O método científico serve inclusive para o estudo da religião, mas o inverso não é verdadeiro. Os dogmas de uma determinada religião não se prestam para refutar as teorias científicas, simplesmente porque religião é uma questão de fé, e fé não se prova. Assim como você pode ser praticante de uma determinada religião e acreditar em certas coisas, o seu vizinho pode seguir outra religião e crer em dogmas completamente distintos. E quem está certo? Os dois estão certos, na medida de suas crenças.
Enfim, acredite no que quiser, você é livre para isso, mas saiba a diferença entre ciência e religião, e que ambas se situam em campos distintos do conhecimento. Não queira misturá-las. O Brasil é um país laico, isto é, um país que não tem religião oficial, mas permite que os seus cidadãos sigam cada um sua crença, ou que não sigam nenhuma.
A evolução das espécies e o criacionismo estão em pé de igualdade? Não, porque a teoria da evolução que nos legou Charles Darwin é uma construção científica, e o criacionismo não é. Recentemente, até o mesmo o Papa, sumo pontífice da Igreja Católica, reconheceu que a teoria da evolução é compatível com a Bíblia, o que corresponde na prática a um pedido de desculpas póstumo a Darwin, mesmo que tal pedido tenha demorado quase 150 anos para ser feito.
Exatamente por isso é que nas escolas, nas democracias apartadas do fundamentalismo religioso, o ensino de biologia compreende o estudo da evolução. Afinal de contas, foi a teoria proposta por Darwin há mais de um século e posteriormente aperfeiçoada por diversos outros cientistas que melhor conseguiu explicar os fenômenos relacionados à biologia, e assim tem sido até hoje. Os fundamentos da evolução são tão sólidos que transcendem inclusive o ramo biológico, sendo aplicável em diversos outros campos do conhecimento.
A teoria da evolução é uma das infinitas descobertas proporcionadas pela ciência, que tanto contribuiu para o progresso da humanidade. Parafraseando Thomas H. Huxley, ''o maior pecado contra a mente humana é acreditar em coisas sem evidências. A ciência é somente o supra-sumo do bom-senso - isto é, rigidamente precisa em sua observação e inimiga da lógica falaciosa''.
TIAGO LANDI SIMÕES é estudante de Direito na Universidade Estadual Londrina
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