ESPAÇO ABERTO
Economia real e crédito
O sistema produtivo, da economia real e o sistema financeiro são umbilicalmente ligados. O funcionamento da economia real depende dos preços relativos, da produtividade dos trabalhadores, depende do espírito selvagem (o ''animal spirit'') dos empresários, mas também precisa para funcionar de um lubrificante fundamental que é o crédito fornecido pelo sistema financeiro. No exterior, o sistema financeiro entrou numa dificuldade muito grande, arrastando consigo a economia real do mundo para um desfiladeiro, popularmente tratado de ''recessão'' nos meios acadêmicos. A recessão pode nos atingir devido a uma restrição de crédito ''importada'' do exterior como eventualmente por dificuldades nas operações de nosso comércio com o resto do mundo.
Há bons motivos para acreditar que o Brasil pode se livrar de uma parte dessas complicações em razão de algumas diferenças fundamentais entre o comportamento de nosso sistema financeiro e o dos países desenvolvidos. Nosso sistema é hígido, nossos bancos são controlados por normas rígidas fiscalizadas pelo Banco Central, que se aperfeiçoaram intensamente desde a experiência do Proer nos anos 90. Nossos bancos têm se comportado de forma bastante diferente e, portanto, não temos nenhuma razão para ter uma crise financeira como a deles, nem imitar as restrições de crédito a que eles estão obrigados. Será impossível passar ao largo das perturbações mas o momento favorável de nossa economia, com crescimento e estabilidade, nos permitirá enfrentá-las de forma razoável, talvez com uma pequena redução do ritmo de crescimento mas sem a recessão deles. Com 2008 terminando com um crescimento do PIB superior a 5%, não têm a menor consistência as previsões de alguns economistas de que o crescimento ficará em 2% ou até menos (!) no ano que vem.
Não há também nenhuma razão para imaginar que o nosso sistema produtivo vai ser desorganizado, como se as atuais dificuldades no crédito fossem se aprofundar. Na verdade o governo está obtendo a autorização legislativa necessária para permitir que as autoridades monetárias façam o que é adequado para restabelecer o fluxo normal do crédito para o setor industrial, nas exportações e, espero, à agricultura.
ANTONIO DELFIM NETTO é professor Emérito da FEA/USP e ex-Ministro da Fazenda, da Agricultura e do Planejamento
A visão da análise do comportamento
Não é de hoje que a psicologia comportamental se faz presente na ciência, desenvolvendo técnicas comportamentais e auxiliando no entendimento do comportamento humano. A análise do comportamento é uma ciência que teve início no começo do século passado, sendo alvo de muito interesse no meio acadêmico, nas pesquisas científicas e nas diversas áreas da psicologia aplicada.
Essa vertente de análise está em constante evolução. Antes, acreditava-se que somente a análise dos comportamentos observáveis eram suficientes para modificação do comportamento humano. Era o início de uma ciência do comportamento, mas como sabemos, o comportamento humano é muito complexo, e era preciso avançar ainda mais.
Na década de 1960, Burrhus Frederic Skinner, chegou à conclusão de que o comportamento humano é resultado das interações filogenéticas (bases biológicas), da história de vida de cada indivíduo e da cultura do qual faz parte. Estes três processos não podem ser analisados separadamente ou individualmente para compreendermos o comportamento humano, mesmo porque devemos compreender o homem como espécie, indivíduo e parte de uma cultura.
Dessa forma, a teoria da Tábula Rasa, proposta pelo filósofo John Locke, um dos expoentes do Empirismo, não se aplica à abordagem comportamental. A teoria afirma que o ser humano nasce desprovido de qualquer influência anterior. Para a análise do comportamento, os três níveis influenciam o comportamento humano, inclusivo o filogenético. Passamos por um processo de seleção natural como todas as espécies, e não podemos ignorar este fato. Alguns comportamentos foram selecionados durante este processo, e já nascemos com eles, estruturas fisiológicas foram desenvolvidas para que pudéssemos ser capazes de interagir a aprender com o mundo que nos cerca. Com o avanço das pesquisas, outros ramos da terapia comportamental foram surgindo: cognitiva-comportamental, comportamental-construtivista, cognitiva. É a ciência em constante evolução.
CAMILA MENEZES é psicóloga comportamental e mestranda em Análise do Comportamento pela Universidade Estadual de Londrina
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