Dia do Pastor

Joed Lamonica Crespo
  Conforme o calendário oficial de Londrina comemora-se amanhã, dia 31/10, o Dia do Pastor. É também a data da Reforma Protestante do século XVI. Os princípios fundamentais da Reforma foram: o sacerdócio universal dos cristãos e a justificação pela fé. A escolha desta data justifica-se pelo fato dos pastores evangélicos serem herdeiros da referida Reforma. Nestes dois pontos básicos os pastores estão unidos. O sacerdócio universal dos cristãos significa que no Novo Testamento todo crente é um sacerdote, isto é, tem acesso a Deus para adorar, interceder e agradecer pela mediação exclusiva de Jesus Cristo, nosso mediador. Falar com Deus não é exclusivamente privilégio do pastor. Todo verdadeiro cristão tem essa prerrogativa.
  A função do pastor é apascentar o rebanho e, em companhia dos outros ministérios citados em Efésios 4.11, equipar, treinar os santos para o desempenho do ministério, para edificação do corpo de Cristo (Ef 4.12). A figura de pastor e ovelha é apresentada tanto no Antigo quanto no Novo Testamento. O pastor além de levar o rebanho aos pastos verdejantes também guia, protege e está sempre presente com as ovelhas em todas as circunstâncias. Ele é um líder chamado por Deus para liderar o povo de Deus na sua jornada terrena até o seu destino celestial.
  O ministério pastoral se concentra no trabalho de reconciliação do homem com Deus, do homem com o próximo, na edificação e preservação de famílias saudáveis, na defesa da moral e da ética, tanto no trabalho quanto na escola, na política e até no lazer, na proclamação e na defesa dos princípios cristãos, visando combater a corrupção, a injustiça social, a imoralidade, a má distribuição de renda, a impunidade, os vícios, a idolatria, a promiscuidade, a filosofia hedonista, o relativismo típico da pós-modernidade, a feitiçaria, a degradação ambiental, o materialismo, o consumismo desenfreado e os preconceitos raciais.
  Agradeço a Deus pelos pastores que com dedicação serviram e continuam servindo ao Senhor e a Igreja em Londrina e deram sua valiosa contribuição abençoando a cidade. Parabéns pastores e pastoras reconhecidos ou não.
JOED LAMONICA CRESPO é presidente do Conselho de Pastores Evangélicos de Londrina


Sem clamores por justiça

Walmor Macarini
  Primeiro, é preciso solidariedade com a dor da família que perde um filho, por assassinato, acidente ou outra forma. Mas não apenas com essa família e também com a de um filho criminoso que amarga no cárcere, porque nenhuma mãe deixa de sofrer em tal circunstância. É preciso compadecer-se dela também. Quem tem um coração vasto entende essa dor.
  Tenho escrito – e espero com isso ajudar – que é preciso que os seres queridos que se foram sejam deixados em paz, e que se ore por eles, para que subam para as esferas de luz. Puxá-los para baixo será impedir que avancem em sua nova caminhada. Porque eles estão em outra dimensão e não mais retornam à condição física em que se encontravam – a não ser eventualmente em uma nova existência.
  Depois da passagem desta vida para outra, começa a vigorar um novo ordenamento. Os que morrem se angustiam quando os que ficam choram incessantemente pela perda deles e quando os chamam de volta, clamando pela falta que fazem. Há que compreender a dor de mães, pais, familiares, amigos, mas se amamos aqueles que partiram, temos de arremessá-los mentalmente para o alto, em forma de preces nesse sentido.
  Muito pior para todos – os que vão e os que aqui permanecem – é bradar por justiça. Para isto existem as investigações e os tribunais. Manifestações públicas de ira e protesto devem ser evitadas. Porque enquanto essas formas de revolta não cessam, os ditos mortos não encontram tranqüilidade. Eles são atraídos pelas vibrações nefastas de manifestações do tipo ‘‘queremos justiça’’, e sofrem com isso.
  Se as pessoas às vezes nem o percebem, reside nesses clamores um desejo oculto de vingança, porque todos querem é que os algozes sejam castigados. É preciso deixar isto a cargo das autoridades pertinentes.
  Todos esses manifestos não trazem de volta aqueles que perdemos, mas podem trazê-los, isto sim, para o palco das tragédias que os envolveram. Orações sinceras, desprovidas de sentimento de ódio, ajudam muito. E é preciso orar também pelos agressores. Isto é o mais difícil, mas se esse sentimento parte da alma, tem um grande poder de amenizar o sofrimento e de elevação espiritual.
WALMOR MACARINI é jornalista na FOLHA DE LONDRIA


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