ESPAÇO ABERTO
A Educação de crianças e jovens
Claudia Costin
Uma das mais importantes medidas para começar a melhorar a Educação brasileira foi a introdução de uma cultura de avaliação para aferir a qualidade do ensino das escolas e o aprendizado de crianças e jovens. Com provas periódicas como Saeb, Enem e Prova Brasil, conhecemos os avanços e deficiências dos sistemas de educação e atuamos sobre eles. O Ministério da Educação estabeleceu um indicador de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) para reunir e expressar dados referentes à aprendizagem, obtidos em provas nacionais, com os de aprovação, reprovação e abandono, medidos pelo Censo Escolar.
Em Londrina, a divulgação dos resultados de avaliações do MEC trouxe boas notícias e algumas preocupações. A análise dos dados de 2007 demonstrou que Londrina concentra as melhores escolas públicas do Paraná. Das 15 escolas estaduais que ultrapassaram a média nacional, sete são londrinenses. Embora 41 das 146 escolas municipais não tenham atingido a meta estipulada pelo MEC, na média, a cidade superou as metas para o ano passado. Para a 4ªsérie, a meta era de 4,7 e a alcançada foi 4,9. Para a 8ª, era de 3,8 e se chegou a 4,0. Mas há motivo de preocupação no fato de que 28% das escolas tenham ficado abaixo da média. Além disso, a pior nota do Estado pertence a uma escola da cidade, um alerta de um problema nacional: os níveis ainda baixos de aprendizagem dos alunos e a formação inadequada dos professores recém-formados.
Pesquisa encomendada pela Fundação Victor Civita à Fundação Carlos Chagas mostra que boa parte dos cursos que formam professores no Brasil dão pouco valor à prática e são excessivamente acadêmicos. Privilegiam o ensino de correntes pedagógicas, em detrimento de técnicas específicas para o ensino de cada área. Diante da frágil qualidade da Educação pública, é urgente rever a atual capacidade das escolas em transferir conhecimento com eficiência aos seus alunos e a formação de professores. Precisamos promover uma articulação entre governos, universidade e sociedade para a formulação de políticas educacionais que garantam um aprendizado de qualidade para todos.
CLAUDIA COSTIN é vice-presidente da Fundação Victor Civita e ex-ministra da Administração Federal e Reforma do Estado
Parcialidade positiva da Justiça
Walmor Macarini
Afinal encontro alguém que fala da parcialidade positiva que deve ser assumida pela Justiça. Foi pela palavra do juiz e professor Artur César de Sousa, em entrevista a este Jornal. Anos atrás fui um pouco além, ao escrever que juízes não deveriam estribar-se nos códigos e sim no bom senso. Porque juízes, em todas as instâncias, não devem ser meros executores de normas frias da legislação. Autos não decidem, porque eles nada mais são que uma juntada de argumentos e contra-argumentos, em que pontificam também ardis e artificialismos de acusadores e defensores.
Se leis fossem instrumentos sábios para ditar as condutas humanas não abarrotariam as infovias e as prateleiras de livros jurídicos, com múltiplos entendimentos. Não serão leis e a plena execução delas que salvarão a humanidade. E também não um regime anárquico. Juízes deveriam optar mais pela sabedoria do que pelo saber jurídico. Porque os códigos apenas guardam postulados. As leis são lineares e nivelam por igual todas as pessoas, mas se os delitos ali tipificados são semelhantes, as razões de quem os comete são diversas. Ao julgar, será preciso avaliar essas variáveis.
Quem rouba para comer age em legítima defesa, porque toda pessoa tem o direito de sobreviver. Juízes, então, têm de levar isso em conta e julgar não segundo a lei mas segundo a fome. Um processo judicial deveria servir apenas de referência ao julgador e não como peça fundamental para uma decisão. Ou bastaria colocar todas as coordenadas no computador e ele proferiria a sentença.
Juízes deveriam ser gestados por uma amadurecida formação extra-acadêmica, que poderia ocupar quase toda uma vida e os guindasse a um grau de suprema sabedoria. E por sabedoria não quero dizer acúmulo de conhecimentos do Direito. Assim, eles decidiriam pela sensatez e não pela lógica jurídica. Nem precisariam estudar nada acerca de normais legais, porque disto não precisariam. Sem serem escravos de leis, eles formariam uma corporação de iluminados seres, selecionados dentre os mais sábios dos sábios.
WALMOR MACARINI é jornalista na FOLHA DE LONDRINA





