Os papel dos novos vereadores
Servio Borges da Silva
  As eleições municipais deste ano revelaram um fato significativo e saudável para Londrina. A Câmara foi bem renovada, demonstrando o surgimento de novos valores e possibilitando uma transformação no cenário político da cidade, arejado por esses novos valores. Surgiram vereadores de novas tendências, de outros cantos da cidade, bem como de outros setores, permitindo uma representação mais sólida e consistente, uma mudança política tão necessária em qualquer comunidade. Tivemos no Brasil um grande hiato político, pós-golpe de Estado de 1964, que impediu a formação de novos quadros para os partidos políticos, impedindo a formação política de toda uma geração.
  Os novos vereadores podem começar um excelente trabalho social e político, sabendo olhar para o futuro da cidade e o seu próprio. Ele terá que conhecer, mais de perto, todos os problemas que atingem o seu município. Assim, ele terá um contato mais direto com a população, saberá tudo sobre as necessidades dela, como onde faltam postos de saúde, o que falta nesses postos, hospitais, creches, as ruas esburacadas, as crianças sem escola, os professores mal remunerados, pessoas desempregadas, enfim terá a possibilidade de conhecer tudo sobre a cidade. Após o conhecimento dos problemas, ele terá que aprender como solucioná-los.
  Após os escândalos que mancharam a imagem do Legislativo, os homens e mulheres que se elegeram têm a obrigação de mostrar bom serviço porque a comunidade estará de ‘‘olho’’, acompanhando-os bem de perto. Afinal, eles são encarregados de elaborar as leis municipais, de fiscalizar a administração pública, de fiscalizar os gastos e a gestão do dinheiro arrecadado dos contribuintes. O exercício dessa nobre função, com dignidade e honra, elevará o prestígio de cada um dos eleitos, enobrecerá a cidade e revelará os novos valores que surgem para a comunidade. Os eleitos devem aproveitar bem essa incomparável oportunidade oferecida pelo cidadão londrinense que saberá reconhecer o seu valor. Isso é o que a comunidade espera dos eleitos e foi para isso que a comunidade se mobilizou renovando a Câmara em mais de 70%.

SERVIO BORGES DA SILVA
é advogado em Londrina


Respeito ao mestre
Alexandre Campos Carbonieri
  A FOLHA tem publicado belíssimos textos acerca da homenagem feita por antigos alunos ao professor Rokuro Suguimoto. Não é mera cordialidade, obrigação ou afeição emotiva, nem uma forma de legitimar uma hierarquia, mas sim um raro ato nobre de duas vias onde se cria um vínculo quase familiar. Mas quando caímos na realidade controversa que nos cerca, com notícias recentes de ataques injustificáveis e covardes de alunos aos professores, vemos uma ‘‘cultura do desrespeito’’ ao mestre apoiada por uma certa ‘‘moda’’ juvenil. Uma desconsideração quanto ao símbolo do mestre ou professor foi bastante difundida devido à preocupação com o autoritarismo, mas que não foi motivado para uma mudança da pedagogia. Esse profissional tão fundamental em qualquer sociedade sofre com o descaso ao ser agredido por alunos e pelo Estado que paga salários indignos.
  Como pode um país prosperar se trata assim aqueles que nos dão as bases para o conhecimento, ações e indagações? Desestimulados, os professores se tornam meros reprodutores de um sistema desigual e injusto, como já afirmou o sociólogo Pierre Bourdieu. O descontentamento dos professores ficou claro na recente pesquisa da Fundação SM e a OEI em que 83% dos pesquisados aprovam a adoção de medidas mais duras em relação ao comportamento dos alunos.
  No mais antigo ensinamento da Índia através do sagrado Bhagavad-Gita, trazido ao Ocidente pelo mestre Srila Prabhupada, encontramos o ensinamento em que devemos procurar obter conhecimento nos aproximando humildemente de um mestre fidedigno, fazendo-lhe perguntas e aprendendo com seus exemplos. Esses mestres autênticos podem transmitir o conhecimento que buscamos porque tiveram por sua vez acesso ao mesmo através de mestres ou professores igualmente autênticos e fidedignos. Assim, se o professor for respeitado de tal maneira podemos então pensar numa sociedade melhor e um país mais justo, mais inteligente e mais digno para todos, assim como professores mais comprometidos.
ALEXANDRE CAMPOS CARBONIERI é formado em Filosofia Védica pela ISKCON e VIHE da Índia e graduando em Ciências Sociais em Londrina

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