Coronelismo vestido em democracia
Mauricio Donavan R. Paniza
  O ato de votar é tido como um dos maiores exercícios de cidadania em um país. Até aí tudo bem, o discurso é muito belo e diz que nós podemos escolher nossos representantes, que podemos governar ainda que indiretamente e exigir uma boa representação nos altos escalões da política nas esferas municipal, estadual e federal. O fato é que a prática não reflete o que é proposto na teoria.
  Você se lembra daquela sua aula de História que discutia a história da política brasileira na década de 1930? Se não se lembra, foi a época em que a política foi regida pela atuação dos coronéis, o famoso coronelismo. E ainda hoje, os agentes sociais são os mesmos e os coronéis ainda são os mesmos. A diferença é na forma como a construção social se dá: hoje, o voto não é de cabresto, o voto tem valor monetário e/ou comercial. O coronel não é mais o latifundiário rude e explorador de homens, mulheres e criancinhas. Ele é o advogado, o comerciante, o administrador, a socialite, o artista entre outros grupos sociais mais favorecidos que se aproveitam da falta de esclarecimento da maioria dos eleitores para ‘‘cabrestarem’’ os seus votos e subordinarem suas fracas consciências crítica.
  O coronel contemporâneo doa caminhão de pedra, dá uma cesta básica, oferece transporte no dia da eleição, é o fazendeiro ‘‘preocupado’’ com o desenvolvimento da cidade. E a chaga social perdura anos a fio sem que de fato, o desenvolvimento aconteça na sua integralidade. Não é à toa que se fala tanto em responsabilidade social das empresas já que o Estado se omite, contrapondo os interesses dos coronéis contemporâneos ao interesse de uma sociedade que clama por ética, cidadania e respeito.
  Alguns fatores como consciência crítica e eticidade nas relações entre poder público e privado só serão fortificados com oferecimento de educação de qualidade. Infelizmente, esse interesse ainda não governa num país tão rico e soberano que, ao mesmo tempo, é miserável e socialmente irresponsável. O país é o retrato daqueles que o governam. E se essa escolha não começar a ser discutida infelizmente o que acontecerá é o que vemos hoje: épocas diferentes com realidades sociais semelhantes.
MAURICIO DONAVAN RODRIGUES PANIZA é estudante de Administração na Pontifícia Universidade Católica do Paraná em Londrina


O homem, corpo de luz
Walmor Macarini
  Céu, do aramaico, quer dizer luz. Não a luz artificial nem a luz do sol, mas a luz da plena divindade e do entendimento. Ir para o céu não é ir para um lugar mas para um elevado estágio de consciência, o que não deixa de ser o ingresso num paraíso. O Papa João Paulo II disse que o céu não é um lugar mas um estado de comunhão com Deus. E Deus - que se pode traduzir como a Mente do Universo - está presente em tudo e se manifesta em todas as coisas e de todas as formas.
  Se o homem se pensa apenas carnal e pequeno, bloqueia os portais que o conectam com a vibração das elevadas esferas e perde oportunidade de obtenção da graça. Mas ao compreender-se um corpo de luz, porque feito à imagem e semelhança de Deus - entenda-se da mesma substância divinal - o homem concilia-se com a luz. É como ir para o céu, mesmo estando na Terra.
  Receber segundo o entendimento não é segundo suas obras mas de acordo com o entendimento da existência e do poder dessa luz em cada um e do empenho em acioná-la. Toda boa obra é relevante, mas deve ser praticada como isenção e amor incondicional, sem idéias de permuta por um lugar no paraíso. A realização de boas ações pode ser resultante de uma elevada condição espiritual do homem, então tudo o que ela faz é espontâneo e revestido do espírito de doação. Como também o inverso é verdadeiro: o praticamente do mal não o faria se não fosse atrasado espiritualmente.
  O indivíduo, este aparente pequeno ser, tem todos os atributos de Deus, porque é centelha desse poder - desconhecido e indefinível como forma mas presente em todas as coisas visíveis e invisíveis. Não se deve esperar, pois, por um Deus à parte da Criação, porque cada ser vivo e cada coisa é partícula do majestoso corpo de luz que compõe o que denominamos Deus.
  Não é preciso orar alto, porque Deus é silencioso e ouve claramente dentro de cada indivíduo. Porque é ali o mais próximo lugar onde está Deus. As melhores orações são as de agradecimento e não as de súplicas e louvações. Porque, por tudo deve-se agradecer, inclusive pelas atribulações, porque estas também significam o ciclo da vida em andamento.
WALMOR MACARINI é jornalista na FOLHA DE LONDRINA

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