A doutrina neoliberal está
acenando sair de cena, já que
o governo dos Estados Unidos,
para socorrer suas instituições
financeiras, irá intervir com
investimentos de US$ 700
bilhões direcionado à
compra de títulos podres
- aqueles indexados às
hipotecas dos imóveis e que não há
quem consiga vender


Dos anos de 1970 para cá, presenciamos o momento da História da Humanidade denominada de globalização. A expressão ''globalização'' vem sendo usada como termo pejorativo e ideológico do Neoliberalismo que é o movimento de idéias que rege o atual capitalismo.
O Neoliberalismo compreendido como um movimento de idéias que servem para ordenar o capitalismo foi idealizado pelo professor de economia Milton Friedman (1912-2006), da Universidade de Chicago, quando por suas propostas a favor do sistema econômico capitalista defendia a não-intervenção do Estado na economia, ou seja, o já conhecido liberalismo; o abandono do Estado assistencialista; a livre atuação das instituições financeiras junto ao processo econômico; a desregulamentação da economia de mercado e a privatização dos serviços públicos básicos (saúde, alimentação, transporte, energia e educação). Daí, com o Estado abandonando as ''despesas tamanhas'' dos serviços básicos, restarão montantes vindos de pesadas tributações -administradas pelo próprio Estado, óbvio - para pagamentos de dívidas externas e também para anulação do processo inflacionário.
O interessante no contexto da aplicação de suas idéias é que o Neoliberalismo influenciou diversos políticos. Isso foi tão significativo que na década de 70, os ''Chicago Boys'', grupo de alunos do professor Friedman, implementou a aplicação de tais idéias no Chile de Pinochet em 1973, na Inglaterra de Thatcher, nos Estados Unidos durante o governo de Ronald Reagan, pelo FMI e Banco Mundial em 1979, desde quando, sistematicamente, vieram proibindo os países que praticam o capitalismo de intervirem nas economias nacionais.
Em torno disso, em 1990, o Brasil, na Presidência de Fernando Collor de Mello, deu seus primeiros passos rumo à implantação da nova doutrina. Mas foi mesmo no governo de Fernando Henrique Cardoso que nosso país mergulhou de corpo e alma no Neoliberalismo. Bem, graças a isso, o Brasil pôde elevar seus índices tributários, vem arrecadando taxas e impostos até dizer chega; deixou a dívida externa administrável; pagou as dívidas junto ao FMI e pediu para que ele, para alegria dos esquerdistas, gentilmente deixasse o país.
No entanto, um dos pontos marcantes da globalização é a pressão exercida pelo FMI e pelo Banco Mundial para que não haja socorro econômico e financeiro de instituições que, devido às suas crises econômicas, peçam ajuda aos Estados. Mas, a partir de outubro de 2008, a doutrina neoliberal está acenando para sair de cena, já que o governo dos Estados Unidos, para socorrer suas instituições financeiras, irá intervir com investimentos de cerca de US$ 700 bilhões, arrecadado dos contribuintes e direcionado à compra de títulos podres - aqueles títulos indexados às hipotecas dos imóveis e que não há quem consiga vender.
Diante disso, o argumento do governo norte-americano para convencimento do Congresso Nacional (Câmara dos Deputados e Senado) é que um ''pacote de medidas econômicas'' deve ser aprovado pela urgente necessidade que há de se tranquilizar o mercado financeiro mundial e para que também se reduza a crise imobiliária norte-americana. Assim, contraditoriamente, sob ação estatal e com o apoio do Congresso, o Banco Central dos Estados Unidos comprará ou se comprometerá a comprar hipotecas de toda e qualquer instituição financeira que seja sediada nos EUA, já que por trás de tudo isso, está um plano de controle da dívida dos EUA, que hoje está nos patamares de US$ 11,315 trilhões de dólares. O limite para essa dívida é de US$ 10,615 trilhões de dólares.
Contudo, se o Neoliberalismo é sustentado pela não-intervenção estatal na economia, sob legalidade do Congresso Nacional, então, as medidas intervencionistas que estão sendo propostas, tornam o processo econômico descaracterizado e assim, então, podemos dar nosso adeus ao Neoliberalismo.

BETO MANSUR é professor de Empreendedorismo em MBA e de Sociologia em Londrina

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