ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 06 de outubro de 2008
Isabel Francisco de Oliveira Barion 
É necessário que se repense o
papel da educação diante das
exigências sociais e políticas de
nossa sociedade, não só o papel da
educação, mas também o papel e
a responsabilidade dos próprios
professores. É necessário que se
reivindique uma educação de
qualidade, que dê condições às
pessoas de se tornarem cidadãos
no sentido pleno da palavra
Estamos vivendo um momento no qual se fala muito em ser cidadão. Cidadão para cuidar do meio ambiente, para escolher o governante, para lutar por direitos e o cidadão que também tem deveres. Mas o que é ser cidadão? Quem nos ensina a ser cidadãos? Apesar de ser um termo muito utilizado, nem sempre sabemos exatamente o que significa. Para muitos, ser cidadão é ter direitos e deveres. Para outros, é ser uma pessoa integrada na sociedade, e assim vão se formando conceitos a respeito dessa palavra que tem um sentido tão profundo que carece de reflexão constante.
No sentido etimológico, a palavra cidadão deriva da palavra civita, que em latim significa cidade, o que nos remete à palavra grega politikos - aquele que habita na cidade. Alguns filósofos como Sócrates, Platão e Aristóteles se preocupavam em discutir a questão ético-política da vida na pólis - pólis é entendida, segundo estudiosos, como a cidade, comunidade organizada, formada pelos cidadãos. Mais uma vez nos deparamos com a palavra cidadão.
Houve um tempo em que para ser considerado cidadão era preciso ser homem no sentido restrito da palavra, ser livre e possuir bens, mas por meio da evolução social e política essas exigências mudaram.
Hoje ser cidadão é, em muitos casos, votar nas eleições. Se escolher um candidato e votar é sinônimo de democracia e cidadania por que o voto é obrigatório? Não seria o caso de se formar o cidadão consciente que é um direito seu votar, mas a quem cabe o dever de formar o cidadão? A escola? A família? A sociedade como um todo? Essas instituições são formadas por pessoas, cidadãos que convivem entre si e constroem regras, definem o que é direito e o que é dever. Desta forma, o conceito de ser cidadão vai se perpetuando entre as gerações.
Sociedades com múltiplas culturas apresentam diferentes maneiras de formar o cidadão, mas sempre a educação esteve presente, seja ela formal, informal ou não formal. Assim, é necessário que se repense o papel da educação diante das exigências sociais e políticas de nossa sociedade, não só o papel da educação, mas também o papel e a responsabilidade dos próprios professores.
Para isso, é necessário que se reivindique uma educação de qualidade, que dê condições às pessoas de se tornarem cidadãos no sentido pleno da palavra. Apenas votar ou tomar uma vacina não pode ser resumido no ser cidadão. É necessário que as pessoas tenham compreensão da responsabilidade que nos cabe enquanto pessoas sociais que somos e que nos tornamos ou não cidadão.
As exigências do momento, principalmente políticas devido ao período eleitoral que estamos vivenciando, exige um eleitor que saiba analisar os fatores e as ideologias que cada partido político e candidatos apresentam. Não podemos permitir que a correria da vida moderna, ofusque a beleza de se pensar/filosofar, ou então, estaremos vivendo como no mito das cavernas.
As nossas escolhas de hoje vão interferir não somente no nosso amanhã, mas principalmente no hoje. E isso se refere a toda esfera econômica, social, ambiental, educacional e política. Enfim, o que não podemos é banalizar o conceito de cidadania e nem nos esquivar de sermos cidadãos. Podemos ser homens e mulheres livres, possuidores de vontade e escolhas conscientes ou podemos ser presos a ''deveres'' e ''obrigações'' que automaticamente vão sendo inculcados em nós. É necessário, enquanto sociedade, contribuirmos para a formação do cidadão do século XXI ou simplesmente mascarar a essência da palavra cidadão.
ISABEL FRANCISCO DE OLIVEIRA BARION é pedagoga e especialista em Educação de Jovens e Adultos e Professora da rede municipal de ensino de Londrina


