Votar é um ato de prevenção
e cabe a cada um de nós essa
responsabilidade. Não basta
votar! É preciso guardar os
nomes de nossos escolhidos
para depois cobrar os
compromissos de campanha e
reivindicar dos recém-eleitos
que realizem com rapidez
as reformas necessárias



  O pleito de 2008 para vereadores e prefeito reveste-se de significado para o País, porque ocorrerá depois de vários casos de corrupção no setor público, que continua a tratar a coisa pública como patrimônio privado. Neste sentido, é grande a responsabilidade do eleitor para votar com consciência, elegendo candidatos comprometidos com a ética e a solução dos problemas, como o desemprego, o resgate da dívida social e suas conseqüências, como a tragédia do crescente envolvimento de crianças e adolescentes com o crime e o flagelo da violência, cada vez mais extrapolando os limites suportáveis.
  A questão fundamental é que, independente de que, por recusar tudo que está aí optemos por protestar votando nulo, em branco ou nos abstendo neste pleito, os próximos ‘‘ditos representantes do povo’’ serão eleitos neste domingo e tomarão posse no início de 2009. Assim, não é suficiente que nos insurjamos contra a eleição dos considerados ‘‘ficha suja’’, tentando puni-los com a perda do mandato. Sem dúvida que esta é uma iniciativa fundamental, uma vez que cabe ao eleitor punir aqueles representantes que infelizmente não corresponderam ao voto de confiança que lhe foi atribuído.
  Todavia, impedir os ‘‘ficha suja’’ de voltar à Câmara não significa que os seus substitutos representarão o oposto, ou seja, não significa que teremos uma nova classe de político, incorruptível e voltada para o interesse público e coletivo. A não ser que todos os eleitores optem pela seleção criteriosa daqueles que nos representarão. É possível escolher entre aqueles que de fato já tenham demonstrado compromisso com a coisa pública, seja em sua atuação como representante na atual legislatura, seja em sua vida pessoal como cidadão honesto e atuante. Ao se escolher um candidato, não se deve fazê-lo apenas considerando o aspecto da ‘‘ética’’. Na verdade, a condição sine qua non que deve nortear nossa escolha é que ele tenha claro a missão do Estado: garantir direitos e deveres de forma igualitária; disponibilizar serviços de qualidade em saúde, educação, segurança, moradia e infra-estrutura; etc.
  Tais atribuições caracterizam de fato o modelo ideal do Estado contemporâneo, nos níveis federal, estadual e municipal. É preciso ainda que os eleitores aliem seu voto à prevenção à violência escolhendo pessoas que se comprometam com esse tema e, no caso do vereador, que ele proponha projetos lei visando: a) programas para diminuir a violência no município, principalmente a que envolve o segmento infanto-juvenil e a prostituição infantil; b) criar projetos de informação sobre violência e drogas; c) formar profissionais para que atuem como instrutores e conselheiros de familiares vulneráveis com filhos envolvidos no tráfico de drogas; d) garantir o fechamento de bares depois das 22h para inibir consumo de álcool e violência; e) criar mecanismos de segurança pública e treinamento de policiais que atendam à demanda da população dos bairros periféricos; f) desenvolver ações de prevenção da violência nas escolas; etc.
  Ao que tudo indica, o cenário das eleições está começando a mudar porque os cidadãos estão mais atentos. Pelo menos em Londrina, pudemos observar uma movimentação significativa da sociedade civil, o que demonstra a importância desta eleição àqueles representantes que confirmam a soberania popular na democracia representativa. As críticas e denúncias de corrupção envolvendo parlamentares na mídia, o papel do Ministério Público denunciando políticos envolvidos em atos ilícitos foram fundamentais para desencadear descontentamentos contra os políticos. Basta ler os jornais para constar tal fato: em forma de cartas, de artigos, etc., chegando mesmo a se expressar em movimentos mais organizados dos quais muitos solicitaram aos candidatos o comprometimento com questões sociais, através de assinatura de termos de compromissos.
  Enfim, o destino, está na atuação de cada cidadão ao escolher os candidatos que nos próximos quatro anos irão gerir o setor público. Votar, portanto, é um ato de prevenção e cabe a cada um de nós essa responsabilidade e lembrando que não basta votar! É preciso guardar os nomes de nossos escolhidos para depois cobrar os compromissos de campanha e reivindicar dos recém-eleitos, prefeito e vereadores, que realizem com rapidez as reformas necessárias.
FRANCISCA VERGÍNIO SOARES é cientista social, docente da Faculdade Uninorte e presidente do Observatório Social de Estudos da Violência e Segurança Pública.

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