Fixemos estas duas
palavras: ignorância
e urgência. Constata-se
a ignorância bíblica e
propõe-se a urgência
do acesso à Bíblia,
para que a Palavra seja
conhecida, servida,
amada, aprofundada e
vivida na Igreja



  Acontecerá em Roma de 5 a 26 de outubro de 2008 o XII Sínodo dos Bispos. O tema escolhido pelo Papa Bento XVI é: ‘‘A Palavra de Deus na vida e na Missão da Igreja’’. Foi elaborado o Documento (Lineamenta) que é um estudo em preparação ao grande evento. Vamos enfocar as questões e oferecer algumas conclusões práticas. Se o povo tem pouco acesso à Bíblia, precisamos deflagrar uma ‘‘mobilização bíblica’’ para sermos discípulos missionários. Bíblia na mão, no coração e pés na missão.
  1. O Documento afirma: ‘‘São graves os fenômenos de ignorância que muitos cristãos têm em relação à Bíblia’’ (n.º 4). Sofremos na Igreja de uma ignorância bíblica, de um analfabetismo bíblico. Infelizmente esta é uma realidade grave, diz o Documento. Portanto, ‘‘torna-se urgente a necessidade de conhecer a Palavra de Deus e alargar o encontro com a Sagrada Escritura.’’ Fixemos estas duas palavras: ignorância e urgência. Constata-se a ignorância bíblica e propõe-se a urgência do acesso à Bíblia, para que a Palavra seja conhecida, servida, amada, aprofundada e vivida na Igreja.
  2. Mais contundentes são estas quatro fortes afirmações: a finalidade do Sínodo é reforçar a prática do encontro com a Palavra de Deus, fonte de vida. Segunda, fazer com que os fiéis tenham amplo acesso à Bíblia. Terceira, dar ao povo uma Palavra que seja pão. Quarta, sublinhar a experiência com a Palavra de Deus em ato. Estas quatro finalidades do Sínodo estão focalizadas na direção do acesso à Bíblia, ou seja, oferecer oportunidade de o povo ter a Palavra de Deus em suas mãos e saber interpretá-la para bem vivê-la e anunciá-la (cf. Lineamenta, n. 5).
  3. Nesta mesma direção o Documento recorda que desde a Dei Verbum, ou seja, desde o Concílio Vat. II se pede ‘‘um encontro com o Livro Sagrado’’. Mas no nº 15 há como que duas queixas: primeira, a ‘‘Palavra de Deus circula pouco’’ no meio do povo. Segunda, ‘‘ainda não se favorece de modo adequado o encontro com o Livro Sagrado’’. Estas duas constatações indicam que temos um longo caminho a percorrer até que nosso povo tenha o hábito de ter a Bíblia na mão e na vida.
  4. É preciso reconhecer que ‘‘o maior dever da Igreja é passar a Palavra a todos’’ (nº 23). E ainda, ‘‘tem papel importante na evangelização o encontro direto com a Sagrada Escritura’’. Em outras palavras, o Documento volta a insistir sobre a necessidade urgente de o povo ter contato direto com a Bíblia. A Pontifícia Comissão Bíblia constata que é motivo de alegria ver a Bíblia nas mãos de gente humilde e pobre e (cf. Lineamenta, nº 25, pág. 36). É bom sabermos que existe esta manifestação de nossos biblistas maiores para fundamentar ainda mais a necessidade de uma mobilização bíblica. O Papa Bento XVI convida os jovens a terem ‘‘familiaridade com a Bíblia e a tê-la ao alcance das mãos’’ (n.º 25). Como vemos, é grande a insistência sobre o acesso à Bíblia.
  5. Outra passagem do Documento que torna a fazer um forte apelo para que o povo tenha contato direto com a Bíblia é o nº 27. O texto insiste: ‘‘É necessário que os fiéis tenham amplo acesso à Sagrada Escritura’’. Logo em seguida diz: ‘‘Temos que admitir que a maioria dos cristãos não têm contato efetivo e pessoal com a Bíblia’’. Ressaltamos aqui a afirmação que a ‘‘maioria dos cristãos’’ não tem contato com a Bíblia. O Documento recorda ainda que a Federação Bíblica Católica, fundada por Paulo VI, tem por objetivo difundir o texto da Bíblia e que esta difusão tem que levar em conta inclusive o preço acessível para a aquisição da Bíblia.
  6. Por fim, temos uma belíssima alusão a respeito do conhecimento da Sagrada Escritura. Assim afirma o Documento (n.º 34): ‘‘O conhecimento da Sagrada Escritura é obra de um carisma eclesial que é posto nas mãos dos crentes abertos ao Espírito Santo’’. Portanto, é carisma da Igreja colocar a Palavra de Deus nas mãos do povo, facilitar o acesso de todos os fiéis à Bíblia. Daí a necessidade de uma mobilização bíblica para a primavera da Igreja.

ORLANDO BRANDES é arcebispo de Londrina

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