ESPAÇO ABERTO
Abandone o estado de menoridade
Daniela Resende Faria
O filósofo alemão Immanuel Kant (1724-1804) fez um questionamento sobre nossa vivência constante em estado de tutela. Este estado é a incapacidade de se servir de seu próprio entendimento sem ajuda de outrem. Todo indivíduo vive uma situação de menoridade em algum momento ou fase de sua vida. Muitas vezes nos é cômodo viver nesta condição, seja por comodismo, oportunismo, medo ou preguiça. Muitas vezes ouvimos: não raciocineis, mas pagai! Vivemos em um regime político democrático, no qual o poder (teoricamente) é do povo. É claro que muitas ações são de responsabilidades exclusivas de nossos governantes, mas se podemos participar e somar forças, por que não fazemos? Não podemos viver sob dependência de idéias formadas e impostas, deixando as pessoas pensarem e agirem por nós, muito menos sermos cidadãos passivos, acomodados e sem esperança. Cabe a cada um de nós o direito e o poder de decidir sobre todas as questões que nos dizem respeito.
Ser esclarecido é um compromisso moral com o aperfeiçoamento e o bem-estar da sociedade. Para conquistarmos uma sociedade mais justa, ética, segura, empreendedora, com educação, saúde, cultura e digna para todos, precisamos sair da menoridade. É preciso termos senso-crítico, refletir, participar, opinar e evitar que a sociedade se torne refém de oportunistas e manipuladores. É fundamental abandonarmos nossos interesses e comodismos particulares e nos voltarmos para o comum e para o próximo. Como o oceano, formado de gota em gota, e cada uma com a sua importância para a existência do mesmo, assim somos nós: cada um com o seu papel e a sua importância para a formação dessa sociedade tão almejada por todos. Porém, isso depende somente de cada um de nós.
Não vamos deixar de acreditar, de ter esperança, porém temos que viver o hoje, fazer hoje, não adiar para amanhã, pois o amanhã pode nem chegar. Essa mudança do estado de tutela para um estado de autonomia começa em cada um de nós, senão o Brasil será pra sempre o país do futuro. Não vamos esquecer que somos hoje o que fizemos ontem e seremos amanhã o que estamos fazendo hoje. Sapere Aude! Ouse conhecer! Tenha a coragem de usar o seu próprio entendimento!
DANIELA RESENDE FARIA é empresária especialista em gestão empresarial em Londrina
Cuidar bem de nós próprios
Walmor Macarini
Se dedicamos nossa vida a apenas cuidar dos outros, sem atenção a nós mesmos, podemos acabar fragilizados e tendo de precisar do cuidado dos outros. Não zelar por nós próprios é um ato de irresponsabilidade. Temos de colocar o eu em primeiro lugar, e esta não é uma postura egoísta mas de respeito à vida que nos é outorgada por graça divina. Por isso devemos zelar por ela e assim nos tornarmos mais úteis. Óbvio que devemos nos doar, mas não a ponto de desprezar o cuidado conosco.
Mesmo no caso do atendimento a pessoas a que sejamos obrigados por razões circunstanciais, temos de dedicar boa parte do tempo para preservar nossa saúde física e mental e atender às nossas necessidades pessoais. Não podemos abdicar de nosso conforto em favor nem de filhos se isso nos levar a alguma privação nociva, a doença ou outra forma de ruína, porque cada qual tem um compromisso com a própria existência. Quanto mais cuidarmos de nós, mais aptos estaremos a cuidar dos outros, e quanto mais nos amarmos mais reserva de amor criamos para amar os demais.
A arte de amar-se estimula outros bons atributos em nós. No mais das vezes, e sem notar, cometemos o descuido de nos entregar totalmente a outra ou outras pessoas, em desprezo de nós mesmos. Nada fazer pelos outros é egocentrismo, mas dedicação exclusiva a quem pode andar pelas próprias pernas é uma maneira de atender à vaidade de manter pessoas atreladas a nós e tê-las como dependentes. Se devemos até arriscar nossa vida por razão extrema de salvar outra, não podemos ser imprudentes.
Se a mãe inteiramente dedicada ao filho se abstiver dos próprios cuidados e por causa disso vier a faltar, o dano que causará a esse filho será maior. Beber do vinho ruim para deixar o bom àqueles que desejamos agradar é um erro. Há que beber junto o que é bom. Nosso corpo e nossa vontade têm direito prioritário. Porque se estamos bem, todos os que estiverem ao nosso redor ficarão bem.
WALMOR MACARINI é jornalista na FOLHA DE LONDRINA





