ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
domingo, 14 de setembro de 2008
Paulo André Chenso 
O país das lendas
Paulo André Chenso
O Brasil é, sem dúvida, o país das lendas. Uma das últimas, engendrada na fábrica de ilusões do Planalto, espalha aos quatro ventos que a classe média já é mais da metade da população. Mas, a qual classe média o governo se refere: A, B, C, D ou Z? Afirmam que o brasileiro está mais rico. Qual brasileiro? O da zona rural, dos subúrbios, das favelas, dos pardieiros, do agreste ou os magnatas da Vieira Souto e da Avenida Paulista? De que maquiavélicas entranhas nascem tão pérfidas mentiras?
Os ufanistas do governo acreditam que basta o brasileiro (via facilitação irresponsável do crédito) comprar um novo televisor ou um automóvel popular, e ele já é classe média. Na linha da mentira oficial para enganar povo, o governo afirma que os pobres ficaram mais ricos e que a desigualdade social diminuiu - e mostra números! Os militares, nos anos 70/74, também mostravam os números do Milagre, lembram?
A avaliação foi feita por um órgão de confiabilidade duvidosa, o Ibase, comprometido com os interesses do governo, e pesquisou apenas os beneficiários do Bolsa Família. Não se fez uma pesquisa comparativa com o enriquecimento dos ricos, no mesmo período: ficaram eles mais pobres por que os pobres ficaram mais ricos? Vejamos: de acordo com o Informe Mundial da Riqueza-2008 (Folha de S.Paulo, 20/08), o crescimento da fortuna dos ricos da América Latina foi muito maior do que o daqueles do resto do mundo e, nos últimos três anos, acumularam 20,4%. Os árabes petroleiros enriqueceram 17,5%, e os norte-americanos ricos, pasmem, apenas 4,4%.
No mesmo Informe, o Brasil aparece como o país latino campeão de concentração de riquezas, seguido da Venezuela, do pseudo-socialista Chavez, que defende um estranho socialismo segundo o qual a riqueza é distribuída entre os próprios ricos. Lula e seus asseclas, portanto, mentem deslavadamente para a população, pois permitem uma concentração avassaladora de renda, enquanto a base política que os sustenta enterra-se cada vez mais na miséria, e nem desconfia.
Ao invés de divulgar com freqüência recordes de arrecadação tributária, o governo deveria voltar seus olhos para projetos de infra-estrutura, educação e saúde, trinômio insubstituível quando se trata de autêntico crescimento da Nação, e parar de fabular sobre riquezas que só ele vê e a escamotear as misérias que não quer que vejamos.
PAULO ANDRÉ CHENSO é médico e historiador em Londrina
Novos caminhos para o Brasil
Luana Garcia
Quanto mais penso como os brasileiros são moldados para serem apáticos, mais me abalo. Tardamos a nos desprender dos nossos males de origens, dos nossos colonizadores parasitários, da exploração no nosso solo e da nossa gente. Ficamos sem pilares para que os indivíduos se reconhecessem como membros de uma nação. Assim, mesmo que os indivíduos busquem um fio condutor, a dispersão e a falta de jeito para se lançar à política é visível.
O medo que norteia o futuro não se vê apenas nas cartas e nas borras sujas de café, está em nós, nas nossas palavras, na nossa indiferença. Uma construção feita dia-a-dia onde o produto final é desconstruir. Acostumamo-nos a deixar nossos dias ao relento, à sorte, aos representantes vários que possuímos. Pena que esse relento quase sempre nos mostre o azar dentro das cuecas. Como seria se em um estalido todos acordassem sedentos por mudanças próprias, com fome de conhecimento, desejosos de cérebros malhados mais do que corpos? Como seríamos se nos desprendêssemos do gozo limitado das futilidades modernas, do culto à forma e à beleza e propuséssemos mudanças que vão além do exterior? Mudanças visando a não corrupção da cultura dos brasileiros, para que esses ficassem aptos a participarem do processo político.
Acordemos. Pois não precisamos mais de tantos exércitos rumo ao embrutecimento. Precisamos de cultura. Não precisamos de músculos, precisamos lapidar as nossas idéias e descartar as que não nos beneficia enquanto nação. Não precisamos de modelos emprestados das outras nações, já nos despedimos da que nos colonizou e devemos fechar cada vez mais as portas para várias outras que nos consideram como inferiores.
Não façamos apenas romarias, não carreguemos somente o barro, não nos apeguemos apenas a um livro. Que sejam possíveis múltiplas leituras para germinar da educação um fruto mais viçoso. Não nos contentemos com o mínimo, a educação é necessária para a emancipação dos indivíduos. Devemos aprender com a nossa história e não simplesmente reproduzi-la, fazendo com que o Brasil pare com as longas caminhadas em círculos.
LUANA GARCIA é estudante de Ciências Sociais na Universidade Estadual de Londrina


