ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
Rodrigo Bertozzi e Noely Manfredini 
Não se pode votar
por votar, e sim optar
pelo candidato que
possua belos projetos
e o propósito profundo
de dedicar sua vida e
suas idéias a favor do
coletivo. Não se pode
ficar no muro ou votar
em amigo, nem a troco
de benefício individual
Um mundo de possibilidades está chegando a nossa nação e isto não pode ser ignorado. É como um nevoeiro a nos envolver completamente. Uma eleição é exatamente esse nevoeiro onde pouco pode se ver além dos olhos. Cuidado, eleitor: esta pode ser uma névoa tóxica para alguns e uma incrível oportunidade para a coletividade.
Em um país que cresce há pelo menos 30 semestres seguidos, no qual o petróleo mudará nossas reservas para 10 vezes mais e a agricultura bate recordes sem precedentes, a sua vida, a nossa, deve e precisa ser alterada. O brasileiro que surge nestas eleições é - e tem que ser - mais consciente do que em qualquer outra década.
Em 5 de outubro vamos todos votar para cargos municipais, de acordo com a Lei 9.504/97 (Lei das Eleições) e a Resolução nº 22.579, de 30/08/2007 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Mas, teremos que refletir: você, quando vai às compras, compra por comprar ou pesquisa a melhor relação preço e produto? Quando decide adquirir casa, segue suas paixões ou a razão? Aceita ser destratado em uma loja como no passado? Ou procura seus direitos de consumidor? Não, é lógico que não aceita mais as regras do passado. O mesmo ocorre nas eleições, não se pode pensar que se trata de mais uma importunação do dia-a-dia. Porque sua escolha particular, somada às dos outros eleitores, vai, sim, influenciar o destino do nosso Brasil pelos próximos quatro anos!
Segundo estimativas do TSE, deverão ser gastos 600 milhões de reais, com as eleições municipais. Não são valores desprezíveis. E se o modelo sustentável das cidades é o futuro, um erro ao apertar o botão da urna eletrônica custará muito caro, para você, filhos e netos. Isto significa que não se pode votar por votar, e sim optar pelo candidato, seja qual for, que possua não simples convicções e sim belos projetos e o propósito profundo de dedicar sua vida e suas idéias a favor do ''coletivo''. E como o título deste artigo nos induz a pensar e refletir, não se pode ficar no muro ou votar em amigo. Vota-se em quem faça algo pelo ''coletivo'', não a troco de benefício individual. E não se vota em quem mandam votar! Simples assim.
Um excelente candidato necessita ter projetos para alguns dos nossos principais problemas brasileiros (e mundiais): caos urbano; a violência bruta que entristece a civilização; o trânsito turbulento; saúde preventiva e centros de diagnósticos; educação na preparação e qualificação dos professores; segurança: idéias que nos protejam uns dos outros e dêem a devida dignidade à força policial.
Prefeitos e vereadores são eleitos para mandatos de quatro anos. Agora pense: são 5.564 postos de prefeito e igual número de vices. São 52.137 vagas de vereador distribuídas nos 5.563 municípios. Serão 128 milhões de brasileiros a escolher seus representantes... por quatro anos! E para disputar tais vagas nas câmaras municipais, 343.237 candidatos fizeram seus registros no TSE. É muita gente para se analisar! Portanto, olhos bem abertos e ouvidos outro tanto! Até porque, apenas 77 cidades, em 24 estados, estarão aptas a realizar o segundo turno. Portanto, é importante votar com consciência e extremo ''alerta'' já no primeiro turno.
Acredite: votar em tempos tão maravilhosos e crer existir algo a mais no espesso nevoeiro da mesmice, é magia que encantará a nós todos. Porque há, sim, magia no ato de escolher. Porém, senhores, a ''Diplomação dos Eleitos'' tem data-limite: 18/12/2008. E o mandato eletivo pode ser impugnado ante a Justiça Eleitoral, dentro dos 15 dias contados da diplomação, instruída a ação com provas de abuso do poder econômico, corrupção ou fraude. Isso também dependerá do seu voto. Assim, naquela cabine, naquele instante frente à urna eletrônica, sua atitude refletirá também na próxima eleição de 2010. Assim, chegou o momento de escolher e acertar na escolha de seu candidato. A magia está exatamente nisto: sair do nevoeiro da mesmice.
RODRIGO BERTOZZI é advogado e consultor e NOELY MANFREDINI é escritora em Curitiba


