Moradia para todos

Muito oportuno o Editorial da FOLHA ''Construir moradias para evitar invasões'' (30/08). Moradia para todos é uma questão de solidariedade social. Londrina passou da fase de cada um por si. Como sociedade, ela exige mais que isso. Li também a matéria ''Londrina tem mais de 500 mil habitantes'' (Paraná/Geral, pág. 9, 30/08), uma notícia de menor importância, pois o que interessa é qualidade e não quantidade. Nesta reportagem, um número me chamou a atenção: crescemos a uma taxa aproximada de 1,5%, um dado muito interessante, pois, se pensarmos que o crescimento vegetativo anda ao redor de 1,3% podemos afirmar que só chegam à cidade mil pessoas por ano. Quantidade pequena, que pode ser desconsiderada no raciocínio que pretendo desenvolver, principalmente porque a maioria delas não é carente.
Não quero falar da fila da Cohab citada com 21 mil inscrições. Ela é constituída de famílias com renda acima de três salários mínimos, passíveis de receberem uma habitação financiada normal. A solução para essa questão é óbvia: conseguir construir mais unidades, o que não me parece ser muito difícil, levando-se em conta a opinião do presidente da companhia. Minha proposta visa atender àqueles que estão à margem dessa fila, aqueles que não têm, por absoluta falta de renda, condições mínimas de se inscrever nela. São apenas 5% da população, 5 mil famílias que precisam de 5 mil casas de 30 m2 (um embrião num terreno de 10x25 m2) que custam R$ 30 mil cada, ou seja, R$ 150 milhões. Sugiro um programa de 5 anos, aplicando R$ 30 milhões por ano, obedecendo à seguinte divisão de custo: R$ 7,5 milhões para o governo federal; R$ 7,5 milhões para o governo estadual; R$ 7,5 milhões para o governo municipal (1,1% do nosso orçamento); e, finalmente, R$ 7,5 milhões para os mutuários, financiados pela Caixa em 25 anos, sem juros, com correção, o que resultaria numa prestação mensal muito pequena para cada um, da ordem de, no máximo R$ 30,00. Evidentemente, essas proporções podem variar, dependendo de uma análise mais apurada. Caberia ao prefeito ir atrás desses recursos, o que pelo pequeno montante certamente não seria difícil de conseguir. O que você acha? Vamos discutir o assunto?

JUNKER DE ASSIS GRASSIOTTO é doutor em Arquitetura e Urbanismo e engenheiro civil em Londrina


Verdades e mentiras sobre o uso do amianto

  A campanha pelo banimento do uso do amianto no Brasil e no mundo é motivada, basicamente, por interesses econômicos daqueles que vislumbram a possibilidade de auferir enormes lucros caso essa fibra mineral, de baixo custo, desapareça do mercado. Como entender de outra forma que se queira obrigar o consumidor brasileiro a adotar telhas de fibrocimento contendo fibras artificiais, de polipropileno (PP), derivadas do petróleo, cujo preço do barril atinge níveis estratosféricos? No Brasil, todas as empresas do setor de fibrocimento com amianto crisotila cumprem rigorosamente o que a lei determina. No entanto, a única multinacional - de origem francesa - que substituiu o amianto crisotila por fibras artificiais, deixou de cumprir vários itens da lei, deixando os seus trabalhadores sob risco de ficarem doentes por usar tais fibras artificiais.
  Em 2005 a Agência Internacional de Pesquisa sobre Câncer (IARC) - braço direito da Organização Mundial da Saúde (OMS) - analisou todas as fibras que poderiam substituir o amianto e concluiu que as fibras sintéticas são altamente biopersistentes (tempo de permanência no pulmão) e tóxicas. Por sua vez, a Convenção 162 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) não defende a substituição do amianto, mas sim que quando o crisotila não puder ser usado de forma controlada, aí sim ele deve ser substituído. Ocorre que no Brasil o amianto crisotila é utilizado de forma controlada e segura. Todas as empresas associadas ao Instituto Brasileiro do Crisotila (IBC) cumprem a Lei 9.055/95 e acompanham a saúde dos trabalhadores.
  Quanto às telhas produzidas com fibras de PVA e PP, sua fabricação exige a aplicação de grande quantidade de celulose pura - cujas fibras são biopersistentes, podendo, portanto, ser consideradas cancerígenas. Assim, longe de ser um produto natural como o amianto crisotila, as telhas com fibras sintéticas trazem em seu bojo grande quantidade de componentes químicos levando a um impacto no meio ambiente 35% superior ao do amianto.

RUBENS RELA FILHO é presidente do Conselho Superior do Instituto Brasileiro do Crisotila

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