ESPAÇO ABERTO
A licença-paternidade
George Ricardo Mazuchowski
Antes mesmo da entrada em vigor da nova licença-maternidade de 180 dias, a Comissão de Assuntos Sociais do Senado aprovou no início de agosto, o projeto de lei que pretende aumentar a licença-paternidade de cinco para 15 dias. O direito à folga começaria um dia depois ao nascimento do bebê, estendendo-se também para aqueles pais que adotassem uma criança. Nos casos em que o trabalhador estiver em férias, a licença começaria a ser contada após este período. Argumentam os senadores que o projeto trará grandes benefícios sociais ao País, uma vez que contribui para o fortalecimento da família brasileira e, por conseguinte, a toda sociedade. Se o fundamento utilizado pelos parlamentares for realmente verdadeiro e não eleitoreiro, agem com grande dignidade, contudo em um momento completamente equivocado.
Sempre que regras são mudadas, a sociedade, principalmente o setor empresarial que diretamente será afetado, necessita de um tempo para assimilar e aceitar as novas diretrizes. Mudar a regras da licença-paternidade logo após a ampliação da licença-maternidade não nos parece ser uma decisão centrada nos interesses da sociedade, principalmente porque, coincidentemente, este projeto acontece em ano eleitoral. Ademais, entendemos que antes mesmo da majoração da licença-paternidade, faz-se necessário um trabalho de conscientização em toda a sociedade, direcionada principalmente ao homem, sobre as responsabilidades e deveres que o pai possui perante seu filho, assim como a necessidade da sua participação nos afazeres, tradicionalmente tido como trabalho de mulher (troca de fraldas e banho na criança).
Sem esta conscientização, corre-se o sério risco do benefício que se pretende dar a família brasileira, transformar-se em uma espécie de licença-prêmio ao trabalhador que, imbuído do velho pensamento machista, fatalmente irá trocar a ajuda nos primeiros dias da criança pelo tradicional futebol com os amigos.
GEORGE RICARDO MAZUCHOWSKI é advogado especialista em Direito material e processual do trabalho em Curitiba
Abrir portais do entendimento
Walmor Macarini
Não ficará menos ou mais santo quem acredita ou não no princípio da reencarnação e da intercomunicação com aqueles que já deixaram a vida terrena. Também não será melhor nem pior o que tem o dom da mediunidade pela vidência, audiência, forte intuição ou outras formas. Para estes, tais atributos podem ser um aumento de responsabilidade. Igualmente, não há missões menos ou mais divinas que outras, nem chamados especiais de Deus com relação aos que pregam ensinamentos religiosos. Atribuir-se tal mérito é arrogância, por presunção de superioridade. Porque também o mais simplório dos obreiros tem uma sagrada função.
Em todas as atividades deve prevalecer um compromisso. Os que pregam, seja por palavras faladas ou escritas (e eu me incluo entre os que escrevem), sabem que podem induzir pessoas para o melhor ou o pior, para a verdade ou o equívoco. Isto vale para as questões religiosas e doutrinárias e todas as coisas no geral. No caso de certos sistemas de crenças, seus dirigentes ganhariam uma mais ampla visão se saíssem da redoma em que se encontram, porque assim divisariam distâncias além da linha do horizonte.
Presos a linhas rígidas, perdem a oportunidade de ver o cometa passar (como a propaganda da TV) e comprovar que ele existe. Se ficassem atentos às vozes e sinais que estão chegando de toda parte, dariam a si próprios e aos seguidores a possibilidade de dissiparem dúvidas e tormentos, expandindo o entendimento. Não permitir a si mesmos (e a quem os segue) perscrutar o desconhecido, levantando os véus que estão à sua frente, é um desperdício, e o tempo caminha e vai se expirando.
Buscar em outros pontos o que se desconhece não é heresia mas o adicionamento de luz sobre questões que se apresentam obscuras. E ler apenas um único livro e imaginar que nada mais se disse de revelador depois disto, é permanecer em estado de limitação. Adicionar luzes levaria a uma mais intensa iluminação e a maravilhosas descobertas de alma. Jesus e toda uma legião de hierarcas das elevadas esferas estão nos enviando novas palavras de entendimento. Mas para a grande maioria dos que se intitulam cristãos, Jesus morreu há dois mil anos e ficou calado todo esse tempo.
WALMOR MACARINI é jornalista na FOLHA DE LONDRINA





