ESPAÇO ABERTO
Competindo por uma consciência
Carlos Eduardo da Rocha
Seriam as Olimpíadas uma espécie de divisor de águas para o país-sede? A China anfitriã vê este evento esportivo como um modo de mostrar ao mundo que ela está mudando. Porém, é o contexto global quem está de fato se alterando. Um espetáculo de abertura imponente e organizado. Uma lembrança da China milenar e maoísta, e também uma mensagem de que a nação está atenta ao futuro, ao novo. O que é, então, o país anfitrião? Uma alternativa política e social ao mundo atual? A nação do dragão seria, com isso, a resposta para a crise mundial? A China pode conviver com o passado e com o futuro, mas assimilar transformações é algo delicado para ela.
O mundo não pára de se transformar. Rússia e Geórgia agora estão em conflito, e Pequim e Lhasa também experimentaram este momento, apesar de que ambas as capitais estão há muito tempo em conflito indireto. Como o governo do dragão vê estas duas situações? Países próximos em atrito, e conflitos dentro de seu território, enfim duas situações marcantes, e apenas uma atitude que é tomada por Pequim: esforços para que o mundo tenha uma visão positiva da China, ao mesmo tempo que assuntos internos são resolvidos de modo arbitrário. Uma atitude que mostra que, de fato, o país do socialismo de mercado ainda é o mesmo em sua essência.
O contexto do mundo, por outro lado, tornou-se mais receptivo às questões práticas. No caso da China, cita-se a abertura comercial para produtos chineses, os acordos aeroespaciais para a nação de Hu Jintao, a popularização da medicina chinesa, etc. Aspectos práticos, superficiais. Caso se passa a valorizar, de modo reflexivo, as atitudes do governo de Pequim, poderá notar-se que o país ainda não consegue resolver temas delicados de modo aceitável em termos de humanismo. Apenas sua imagem de modernidade e de progresso material é vista com bons olhos.
Quando um país assume o papel de anfitrião nas Olimpíadas, não é apenas sua imagem que está em jogo, mas também sua própria consciência. Eis o importante divisor de águas para qualquer nação.
CARLOS EDUARDO BOBROFF DA ROCHA é estudante de Medicina da Universidade Estadual de Londrina
Saber ou não saber
Maurício Kalau Gonzales
Recentemente encontrei numa calçada um teste aplicado por um curso do ensino médio de Londrina com o seguinte texto atribuído a Karl Marx: O valor de uma mercadoria está em proporção ao valor de qualquer outra, na medida de tempo de trabalho necessário à produção de uma e à produção de outra.
Ocorre que, atualmente, em função da globalização da economia e fatores atribuídos a insumos de produção como matéria-prima, energia, mão-de-obra e principalmente tecnologia aplicada - e outras diferenças na economia dos países - fazem variar aquela proporção e não em função do tempo de trabalho para sua produção. Se compensa produzir um calçado na China, o mesmo pode não ser tão vantajoso quando fabricado na França. Há também a relação entre preço e valor. O valor de uma mercadoria está diretamente ligado ao seu consumo. Hoje o petróleo é um exemplo. O seu preço varia, pois o mundo dá valor a ele.
Quando li o livro Construindo o conhecimento pude ver que até mesmo Piaget foi contestado em algumas de suas conclusões a respeito do modo e do porquê aprender. Ele mesmo criticava suas teorias. E a melhor explicação que se concluiu para estas contestações está em razão da complexidade da ciência. Exemplo: um herbicida usado no passado não faz o mesmo efeito atualmente. Hoje, desprezar uma teoria simplesmente não é salutar, pois para muitos ela pode ajudar no processo de aprendizado. Deve-se ter cuidado ao aceitar uma verdade científica como absolutamente verdadeira por todo o sempre. O próprio Karl Marx fez afirmação semelhante a esta. Se alguém tem um conhecimento maior em relação a outro não quer dizer que o outro é menos capaz. O aprender é constante e íntimo à motivação de cada pessoa. E esta depende também do ambiente e do sistema utilizado no estímulo ao aprendizado podendo influenciá-lo positiva ou negativamente. A teoria de Einstein foi criticada. Quem conhece o assunto e reflete sobre a sua aplicação, ao longo do tempo, poderá chegar a outras conclusões. Agregando conhecimento, construindo e estimulando o saber ou o não saber.
MAURÍCIO KALAU GONZALES é administrador e professor na Universidade Estadual de Londrina





