O rio, a usina e o futuro
Paulo Henrique Martinez
  A perspectiva de construção da Usina Hidrelétrica de Mauá (UHM) da Serra, no Rio Tibagi, voltou ao noticiário. Há inquietação e perplexidade com este empreendimento. Ele opõe a sociedade ao governo e grande empresas. Estes lucrarão com a obra e a energia gerada a peso de ouro, degradação ambiental e a negligência para engatar o presente com o futuro. O Paraná não deve desperdiçar a oportunidade do desenvolvimento sustentável, a fórmula que o terceiro milênio adotou para conter a violência, gerar emprego e renda, reduzir desigualdades regionais e sociais, além de conservar a biodiversidade.
  O debate na televisão entre os candidatos à Prefeitura de Londrina ignorou os problemas que a construção da usina trará para toda a região, inclusive a cidade. Sobre a escassez e a qualidade da água, o aquecimento global, a violência social, a inibição da ciência da riqueza cultural, nada. O que eles desejam para seus filhos e netos? E nós?
  A polêmica da construção da UHM não envolve apenas as disputas entre ambientalistas e empresários do setor de construção e de energia, habituais financiadores de campanhas eleitorais e de carreiras políticas. O que está em discussão é a opção de futuro realizada em nome das próximas gerações. São as práticas antigas, de obras caras e monstruosas, capazes de enriquecer poucas empresas e de empobrecer milhares de pessoas, de criar novos problemas em saúde, moradia, segurança e desemprego em escala veloz.
  A alternativa que oferece perspectivas de futuro mais generoso para o conjunto da sociedade está em salvar um belo e importante rio brasileiro, sua diversidade cultural e natural. A preservação e a recuperação da bacia do Tibagi poderão transformá-la em vetor de desenvolvimento regional sustentável. Isto significa que as pessoas nascidas no século XXI poderão conhecer um rio vivo, fauna e flora nativas, povos indígenas, qualidade de vida nas cidades, atrações culturais, água limpa, responsabilidade social e ambiental.
PAULO HENRIQUE MARTINEZ é professor e coordenador do Laboratório de História e Meio Ambiente do Departamento de História da Unesp em Assis (SP)


A gradativa revelação das verdades
Walmor Macarini
  Certas coisas que escrevo são de pouco proveito imediato para os incrédulos, mas o tempo para que creiam chegará para eles, e por sua própria descoberta. A natureza humana não dá saltos, e assim é também com a evolução espiritual. Sistemas de crenças irredutíveis em posições ortodoxas também irão avançando gradativamente. E isto acontecerá por intermédio de vozes que ecoarão em seu próprio meio, pois só assim seus seguidores lhes darão validade.
  No campo das religiões, dificilmente alguém de fora convencerá ou conscientizará quem não deseja se abrir para alguma compreensão nova. Em princípio, mesmo revelações que surjam do próprio círculo serão rejeitadas, e esses desbravadores de novas verdades (novas para quem as desconhece) serão rejeitados.
  No universo do cristianismo ocidental, alguns de seus titulares tornaram-se iluminados doutrinadores esotéricos, porém não foram aceitos pelas suas corporações religiosas. Mas aos primeiros sucederam-se os segundos, e assim acontecerá com outros mais, cada qual lançando sementes nessa seara. Assim é o processo. Eles não menosprezaram os antigos adeptos mas tiveram de cercar-se de um zelo especial com eles, assim como o mestre que sempre ensinou uma disciplina incompleta, por desconhecê-la plenamente, e ao retornar à classe não pode lhe expor de abrupto a completitude.
  As mais inaceitáveis das verdades, para tais sistemas, são os princípios da reencarnação e da intercomunicação com aqueles que já deixaram a vida terrena. Que estão vivos, como sempre estiveram, porque apenas mudaram de condição. Como de alguém desta vida que tenha se mudado para outro país mas se comunica por múltiplos meios e pode ver e ser visto à distância, falar e ouvir.
  Assim é também com a vida um pouco além. Se a tecnologia humana permite, por que não a ‘‘tecnologia’’ espiritual? ‘‘Não compreendereis ainda’’, disse Jesus acerca dos muitos mistérios. Vagarosamente a luz irá aumentando de intensidade, pois se chegasse de pronto, cegaria.
WALMOR MACARINI é jornalista na FOLHA DE LONDRINA

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