ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 05 de agosto de 2008
Omar Taha 
O crescimento mais expressivo da aquisição de computadores ocorreu
em domicílios com renda entre três e cinco salários mínimos, nos quais a penetração passou de 23% para 40% no período
O Brasil está se tornando, definitivamente, um país cada vez mais digital. O número de brasileiros que acessam a internet cresceu seis pontos percentuais em relação a 2006, chegando a 34% em 2007. De todos os domicílios do país, 24% já contam com um computador. Esses dados foram apresentados na pesquisa sobre o Uso das Tecnologias da Informação e da Comunicação no Brasil 2007, publicada pelo Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (Cetic.br) do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br).
Criado há dois anos o Cetic.br vem se tranformando num dos mais efetivos centros de referência sobre informações em internet no Brasil, graças à metodologia de suas pesquisas e monitoramento no comportamento dos diversos tipos de usuários em relação a Tecnologias da Informação (TI). Este trabalho foi iniciado em 2005 e se repete todos os anos. Pela primeira vez a pesquisa apontou que mais da metade da população consultada (53%) usou computador, sendo que 40% fizeram uso nos últimos três meses. A abrangência da pesquisa é bastante significativa: se utilizou de entrevistas realizadas em cerca de 17 mil domicílios em zonas urbanas, com pessoas a partir de dez anos de idade.
O crescimento mais expressivo da aquisição de computadores ocorreu em domicílios com renda entre três e cinco salários mínimos, nos quais a penetração passou de 23% para 40% no período. A proporção de domicílios com computador aumentou proporcionalmente em todas as regiões, um dado fundamental na análise demográfica do uso destas tecnologias, considerando-se as aplicabilidades científicas como teleducação, telemedicina, cursos à distância, etc. Mais da metade dos domicílios com acesso à internet tem banda larga, um aumento de 10 pontos percentuais em relação ao ano anterior. Mas 42% ainda têm acesso discado, um tipo de conexão que têm baixo custo, porém lenta e irregular na transmissão de dados. Das casas com acesso rápido, em 12% a conexão é compartilhada por mais de um computador.
A pesquisa também ressalta o expressivo crescimento no uso de centros de acesso pago, como as lan houses ou internet cafés, que pulou de 30% em 2006 para 49% no ano seguinte. Quanto menor a renda da população, maior é a utilização desses espaços, demonstrando que uma das principais barreiras para uso da internet pelas camadas mais pobres vem sendo quebrada pela iniciativa de microempresários. Dos usuários de internet com renda de até um salário mínimo, 78% disseram utilizar a rede por meio desses centros de acesso pago. O acesso no trabalho foi apontado por 24% dos entrevistados.
''Se por um lado, a ausência do computador em casa não impede o uso das tecnologias da informação, também é evidente que a disponibilidade do computador no domicílio pode influenciar a frequência e a intensidade de seu uso'', apontou Rogério Santanna dos Santos, secretário de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento e conselheiro do CGI.br, em artigo no relatório. Ele destacou também o programa banda larga nas escolas, lançado em abril e que pretende oferecer, até o fim de 2010, acesso rápido à internet a todos os alunos das escolas públicas do ensino fundamental e médio situadas na área urbana das cinco regiões do Brasil.
Um dado expressivo da publicação do Cetic.br é o elevado uso das tecnologias de informação pelo setor privado, especialmente entre empresas de grande porte, das quais 95% têm computadores e 92% têm acesso à internet. Destaque também para o crescimento das redes sem fio nas empresas, que passou de 18% em 2006 para 28% no ano seguinte. As vendas online e o e-commerce continuam turbinados já que o número de companhias que usou a internet para aquisição de bens e serviços chegou a 64%.
O relatório fala sobre o uso de celulares e outros indicadores de acesso da população à TI como uso de celulares. Dos entrevistados, 66% disseram ter usado telefone celular nos três meses anteriores. O uso foi alto em todas as faixas de renda, com 48% entre os que ganham menos de R$ 380 por mês e 84% entre os acima de R$ 3,8 mil. A pesquisa, que pode ser baixada em formato pdf no endereço www.cetic.br/tic/2007/indicadores-cgibr-2007.pdf., vale ser analisada por quem se interessa em crescimento tecnológico no país.
OMAR TAHA é médico e membro do Conselho Municipal de Ciência e Tecnologia de Londrina


