A inflação desigual
Aylton Paulus Júnior
  A inflação é o aumento generalizado de preços com efeitos sobre a economia e bem-estar das pessoas. Ela afeta o poder de compra e os rendimentos das aplicações financeiras. Ela faz do valor nominal uma ficção resultando em ilusão ou desilusão monetária. Observe-se que se o aumento médio dos preços fosse compensado por idêntico aumento de salários e rendimentos do capital, a inflação não importaria porque uma coisa anula a outra. Assim, se ao amanhecer todos os preços dobram, e também o seu salário bem como os valores em poupança, provavelmente nada mudará na sua vida, exceto o tamanho dos números.
  Infelizmente, os preços não são afetados uniformemente pela inflação e muito menos corrigidos no tempo justo. Antes da ação do mercado, há um tempo de desequilíbrio que atinge os menos ágeis e os mais vulneráveis e dependentes dos produtos com preços em alta. O bem-estar é função dos preços relativos específicos e não do nível de preços geral, que é uma média de preços. Atualmente, está mais em conta comprar alguns bens duráveis do que há um ano. A alimentação que ocupa grande espaço no orçamento de quem ganha menos, está mais cara, aprofundando a desigualdade para o acesso ao bem-estar.
  A crise dos alimentos não ressuscita a profecia do economista Thomas Malthus do século XIX sobre a escassez, dado o progresso tecnológico disponível para o campo, ao sistema de crédito e ao incentivo de preços por meio do mercado. Espera-se que o problema da oferta dos alimentos seja resolvido nas próximas safras. A inflação chegou antes nos itens de alimentação, afetando mais fortemente quem ganha menos e, não se iludam, pois logo alcançará aos demais preços, dado a interrelação dos mesmos. Os preços tendem a se acomodar generalizadamente, como é o caso da alta dos alimentos refletindo no preço da terra e daí, chegando ao custo da próxima produção.
  Por enquanto não há risco de descontrole inflacionário considerando a robusteza da receita do governo e a Lei de Responsabilidade Fiscal. A forte arrecadação evita o desequilíbrio das contas afastando o mais perigoso tipo de inflação que é o da emissão de moeda para pagamento das despesas governamentais, chamada de senhoriagem. Ao governo, cabe a função de atenuar a dor das desigualdades da inflação por meio dos programas oficiais de proteção social.
AYLTON PAULUS JÚNIOR é economista em Londrina


O homem sem limitações
Walmor Macarini
  Tenho escrito que na grande reunião da inteligência cósmica estamos todos presentes. Constituímos uma grande família, subdividida em tantas outras, segundo o grau em que cada grupo se encontre na escalada pelas inumeráveis dimensões. Uma só sabedoria preside todas as coisas, e nós a compomos. Enquanto habitante planetário, bastará ao homem guiar-se pela intuição, e ela será sua voz e seu comando. A intuição é sempre aquela resposta que lhe chega primeiro, diante de qualquer indagação, trivial que seja. Temos de segui-la, porque ela nunca se equivoca.
  O espírito nos fala pela intuição, mas a personalidade, que é dos sentidos, às vezes impõe-se e gera obstruções, podendo nos conduzir por caminho equivocado. Porque temos nos exercitado a escutar mais a razão (que é analítica) do que a intuição (que é o sussurro de nosso espírito). Se o homem se realinha com a direção traçada pelo comando intuitivo - que é o canal de ressonância com a grande realidade invisível - ouvirá as respostas que busca e encontrará muitas vozes e muitas mãos a ajudá-lo, porque não está só.
  Afundando-se em sua personalidade, o homem perdeu muito da memória de sua origem - que antecede à sua vinda para esta dimensão terrena - e assim viu-se subjugado por medos e indagações que ele não soube responder a si mesmo. Aceitando-se como limitado (e os seus sistemas de crenças afundando-o ainda mais nessa crença), veio ignorando que ele próprio é o agente de seus passos e que, acionando a sua alavanca, aciona o Universo. Nada deve aprisioná-lo a idéias de limitação e de separação - ele ‘‘aqui’’ e Deus ‘‘lá em cima’’ - e o colocam sempre como coadjuvante e não como participante ativo do processo.
  O ser humano proclama-se independente mas permite ser dominado pelos que o guiam e assim o impedem de descobrir por si mesmo que é um ser de grandiosa dimensão essencial. Ele não é uma suposta unidade minúscula ou algo isolado ‘‘nestes confins do Universo’’, mas - creia ou não - está integrado à grande consciência universal. Mas se ele não se sintonizar com esta realidade permitirá que sua chama vá diminuindo e sua voz interior se emudeça, por não encontrar o ouvinte.
WALMOR MACARINI é jornalista na FOLHA de Londrina


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