A festa dos seres vivos, sem o homem!

Sirlei Bennemann
É incrível a falta de interesse por parte da população e das autoridades com a qualidade de vida e sobrevivência. Acredito ser por ignorância de seus direitos e de como recebe os serviços da natureza. É cultural, não existe hábito de saber a importância do que existe ao redor e o quanto o ambiente é responsável pela sobrevivência humana. Podem acreditar, não vai demorar muito tempo, nós vamos destruir tudo o que precisamos e seremos extintos do planeta. Então, os outros seres de todos os reinos vão prosperar e será uma grande festa no Planeta! É claro sem o homem.
A água é a fonte vital, sem ela e sem a biodiversidade que a depura, corremos riscos. No Paraná, a população está aceitando acelerar o nosso tempo de extinção. A construção da Usina Mauá no Rio Tibagi será um grande desastre ambiental. A água poderá ter sérios problemas e sem os seres vivos para depurá-la perderemos a qualidade e também pagaremos mais. Outro grave problema é a destruição de parte da mata nativa, de uma área ainda a maior no interior do Paraná, entre outros impactos graves. Este desastre ambiental que a população está engolindo, está sendo divulgado na mídia, mas como uma coisa boa e que não tem problemas, segundo o ministro do Superior Tribunal de Justiça, Humberto Gomes de Barros. As obras estão incluídas no Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) e tem as questões ambientais e sociais ignoradas, e a Usina Mauá está entre estas obras.
Muitas ilegalidades foram levantadas e denunciadas durante todas as etapas do licenciamento, entre ações civis, atualmente em número de 14, com pareceres contrários ao processo de licenciamento da Usina Mauá. Também foram apresentados documentos técnicos de pesquisadores, todos apontando irregularidades, insuficiências de estudos ou mesmo invalidade. O próprio Conselho de Biologia deu parecer de suspensão do processo de licenciamento. Os ribeirinhos querem, mas não têm direito de viver de forma simples e sustentável como escolheram, pois estão sendo expulsos de suas terras.
Será que quando são tomadas decisões políticas, como foi o caso do Projeto da Usina Mauá, a justiça pode mentir e iludir a população, as leis não precisam ser cumpridas? As pesquisas também podem ser ignoradas? Será que apenas eu é que sou a ignorante?

SIRLEI BENNEMANN é doutora em Ecologia e Recursos Naturais e professora Universidade Estadual Londrina


Hospital Evangélico: um novo dia está surgindo


Antonio Caetano de Paula
Como representante da Associação Médica de Londrina não posso me calar frente a esta nova onda que ameaça o Hospital Evangélico de Londrina (HEL). Alguns anos atrás, vítima de incapacidade administrativa, o HEL estava caminhando numa estrada de deterioração, tanto no prédio quanto em seus valores, o que trazia desconforto aos funcionários e médicos, pavor aos fornecedores e preocupações aos pacientes.
Aproximadamente há quatro anos, ao passar pelo quadro de avisos, notei o início do renascimento. Estava lá, estampado, uma oferta de propina ao novo administrador do hospital, dr. Luis Soares Koury. Uma mensagem oferecendo dinheiro se o diretor pagasse uma conta que o hospital há muito devia.
Como funcionários que eram, os administradores (os médicos Koury e Oziel Torrezin de Oliveira) mostravam para o que vinham: impor seriedade e reestruturar a casa de muitos profissionais da área da saúde, iniciando uma transformação, uma adequação à funcionalidade. As contas passaram a ser pagas em dia, o crédito reapareceu, o moribundo acordou do coma.
Veio a intervenção, os dois funcionários passaram a interventores, o salário que recebiam desapareceu, mas o ímpeto de consolidar o hospital como instituição séria foi redobrado.
Nestes últimos dois anos grande parte das alas foram reformadas, o índice de infecção hospitalar despencou, o conforto e a segurança aos pacientes retornou, o prazer para o médico trabalhar está de volta, não há mais retenção de honorários, um novo dia está surgindo. Há muito, ainda, para ser feito, mas com a garra e a honestidade que transcendem da administração, temos certeza que a meta será atingida. Sabemos dos que torcem para que o bom desapareça, para que possam se saciar e destruir o que foi feito, mas como a justiça sempre prevalece, ela triunfará, sepultando a inveja, a inoperância e a desonestidade.
Quanto à oferta de propina, bem, infelizmente vivemos numa realidade em que muitas pessoas ligadas à política oferecem e cobram, mas resta às pessoas que são procuradas recusarem e, pelo passado dos dois médicos que estão à frente do HEL, acreditamos que outra oferta foi recusada. Parabéns doutores, parabéns HEL.

ANTONIO CAETANO DE PAULA é presidente da Associação Médica de Londrina

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