Tibagi versus progresso
Mário Luís Orsi
  Como é triste confirmar a célebre frase de um antigo presidente da França que, quando em visita ao Brasil, disse em bom tom: ‘‘Esse país não é sério’’. Não há como contestá-lo, principalmente quando vemos algumas decisões do nosso Judiciário. Ler no jornal a decisão do Superior Tribunal de Justiça de cassar a liminar que impedia a construção da Usina de Mauá no Rio Tibagi foi a gota final. Pior é ver que na decisão foi considerado que a não-construção é um fator nefasto à economia! E as dezenas de ações na Justiça mostrando as irregularidades desse processo em que a Copel e o governo do Estado estão envolvidos junto com o consórcio de empresas? Será que o Brasil ainda está no século 18 em relação às causas ambientais? Os serviços de qualidade de vida que um rio íntegro fornecem à população são muito maiores que uma mera usina, que não é necessária ao Paraná.
  Tenho de concordar com o autor do livro ‘‘Capitães do Brasil’’ que mostra que parte de nossas mazelas políticas e sociais têm origem no Judiciário, desde o século 18. Enquanto juízes sérios tentam deixar o país mais viável, outros parecem perder o bom senso. Ninguém é contra o progresso e o desenvolvimento, mas esse deve ser feito com responsabilidade. Dizer que a Usina de Mauá nada causará é, no mínimo, estranho. E constatando essa estranhesa, o próprio ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, disse com relação à liberação de Angra 3 que, daqui para frente, todos os licenciamentos terão de incluir a adoção de parques e o estabelecimento de projetos educacionais. Ele ressaltou que não é defensor de Angra 3, pois defende energias mais limpas. Minc disse que quando chegou ao governo ‘‘o martelo já tinha sido batido, sem hipótese de reabertura das discussões’’.
  De que adianta um parque num vazamento radioativo ou um reflorestamento marginal, no caso de Mauá, se todo um ecossistema único vai ser destruído. Pensar em economia e desenvolvimento sério hoje é incluir os serviços ambientais que determinado ecossistema oferece à população, dando valor monetário a isso. Realmente o PAC do governo federal, aliado ao Estado, é apenas um plano de afogamento das corredeiras. Tomara que não lamentem isso depois de tudo arrasado. Será que a população do Paraná está disposta a pagar esse preço: água contaminada e muito mais cara? Será isso que Londrina irá enfrentar!
MÁRIO LUÍS ORSI é biólogo e professor na Universidade Estadual de Londrina


Ajude o médico a ajudar você
Antônio Carlos Lopes
  Uma consulta médica é sempre cheia de variáveis. A falta de comunicação entre médico e paciente pode gerar um erro no diagnóstico ou no tratamento e as conseqüências podem ser desastrosas. Portanto, é muito importante que médico e paciente estejam sempre bem preparados para a consulta.
  Do lado do paciente, é necessário pensar em tudo o que envolve sua queixa. Seja qual for o motivo, reúna o que estiver relacionado a ela e a você. Leve consigo os nomes e dosagens de todos os medicamentos que toma e tomou nos últimos tempos, inclusive vitaminas ou aqueles tidos como naturais. Os últimos exames realizados e informações sobre doenças como hipertensão ou diabetes em pessoas próximas da família, ou doenças hereditárias, mesmo em parentes um pouco mais distantes, também são relevantes.
  No caso de uma queixa de sintoma específico, tente preparar um relatório de quando surgiu, como foi, como têm evoluído, e também como você tem dormido e se alimentado. Lembre-se dos últimos passeios, viagens, produtos de higiene e limpeza utilizados em casa, tudo isso pode ser questionado conforme o andamento da consulta. Se já tiver feito uma consulta anterior sobre o mesmo motivo, seja franco e apresente os exames e o parecer profissional. Por fim, não minta ou omita jamais sobre o consumo de cigarro, álcool, drogas e hábitos de vida. O médico não está ali para julgá-lo, e sim para ajudá-lo. Qualquer uma destas informações pode mudar completamente a indicação de tratamento ou os exames para complementar o diagnóstico.
  No final da consulta, só saia do consultório se estiver totalmente esclarecido de tudo o que foi dito, sem nenhuma dúvida quanto aos exames ou medicamentos. Não tenha receio de perguntar para que servem, quando e como devem ser tomados, e qual o prazo para a realização dos exames. Você também deve saber quais os possíveis efeitos colaterais dos medicamentos. Compreender o receituário também é necessário. Se a letra não estiver legível, pergunte o que está escrito e copie ao lado, para não haver dúvida ao chegar à farmácia. Também informe-se de antemão se há genérico disponível e qual o nome comercial para adquiri-lo.
ANTÔNIO CARLOS LOPES é presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica

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