ESPAÇO ABERTO
A evolução da paternidade
Moises Chencinski
Paternidade. Uma letrinha que pode fazer tanta diferença. Mas será que faz mesmo? Muitas vezes, no consultório, os pacientes se espantam quando digo:- Eu também sou pai..... Nessa nova ordem de deveres do casal, cabe a nós fazer a diferença: muitos pais cuidam dos filhos, de trocar fraldas até dar banho e fazer a lição de casa. É mais que uma missão, é um prazer ver os filhos crescerem, acompanhar e fazer parte desse crescimento.
Lembra? Não basta ser pai, tem que participar. Mas como? O homem não foi criado e educado para ser pai. Falta o tempo, falta a criação para isso, falta o conhecimento, falta a logística, falta a compreensão. Mas falta, também, um empurrãozinho, uma permissão, um estímulo, sem cobrança, uma educação específica, uma ajuda especial que traga à tona o sentimento que esse homem, que esse pai, com certeza, tem. Só que, às vezes, nem ele tem consciência disso.
Como manter todas as atividades fundamentais para o cumprimento do dever e ao mesmo tempo se entregar ao prazer da paternidade? Isso é possível? Claro, é tão real e palpável que já está acontecendo.
Hoje em dia, já temos mais pais assumindo (ou, pelo menos, auxiliando) as atividades da casa, entre as quais, os cuidados com os filhos. Acredito que tudo isso possa ser baseado na positividade da relação. Se o casal é acolhedor, compreensivo, confiante e tem respeito um com o outro e os dois com seus filhos, tudo é possível. Há estudos que mostram o quanto as crianças ganham em autoconfiança, amor próprio, amor e respeito para com o próximo, quando vêm de lares onde a relação dos pais é segura e continente e onde recebem carinho, respeito e atenção de ambos, sempre que necessário e possível. Um filho (ou filha) que é mais cuidado pelo pai tem mais chances de tê-lo como exemplo e tem um incentivo maior para estabelecer uma família saudável.
Nós sempre falamos em mudar o mundo, acabar com a violência, criar mais amor e mais respeito. As mães participando mais do mundo, antes exclusivamente masculino, dos negócios e os homens se transformando em pais, mais presentes e mais importantes na família e no lar: esse pode ser um bom começo para essa transformação. Mãos (e coração) à obra!
MOISES CHENCINSKI é médico homeopata e pediatra
O poder em cada um
Walmor Macarini
Se o homem se livrar dos grilhões que o prendem a certos sistemas de crenças, longe dos ruídos que ecoam de fora para dentro de si, descobrirá em seu silêncio interior que o Reino está dentro dele. Porque cada ser carrega em seu interior todo o poder. Se ele ouvir a voz de seu íntimo, revelada pela intuição - que é o sussurro de seu Eu Superior - não terá mais necessidade de buscar em outros lugares. Nesses refúgios ele poderá motivar-se mas pouco conscientizar-se, e assim viverá em estado de dúvida sobre o que o aguarda depois desta vida. Ao invés de ele próprio descobrir, prende-se a ensinos que lhe são repassados e assim deixa que outros pensem, digam e decidam por ele.
Ensinam-lhe a ter fé, mas não a fé em seu próprio poder e sim em divindades, como se elas tudo fizessem e assim dispensassem a participação da força do próprio suplicante. Ele ignora que tem uma mina de ouro em seu próprio jardim, ou seja, o seu santuário interior e que é o poder em si mesmo, originário dessa inteligência superior que denominamos Deus. Se ele buscar, verá que ali está a Fonte. A doutrina que ele segue por tradição e que não lhe permite questionar, situa-o como um ser insignificante e indigno de que a luz entre em sua morada. Aprisionado a essa crença, ele será um obediente religioso, mas isto não é garantia de que seja espiritualmente evoluído. Porque religiosidade não é o mesmo que espiritualidade. Esta reside na certeza de que o homem tem origem divina, que sua essência é perene e eterna e preexiste aos tempos. Centelha de Deus, o ser individual tem a idade de Deus. Incorporar esta verdade significa conectar-se às fontes da sabedoria divina.
Tais doutrinas - que, obviamente, têm seus bons ensinamentos - dizem-lhe que ele deve ser virtuoso para alcançar a graça dos céus, mas se ele buscar antes o Reino, as virtudes virão como natural acréscimo. O caminho da ascensão é, primeiro, o homem conscientizar-se de sua condição divinal, e a partir daí todos os bons atributos pessoais se manifestarão. As muitas virtudes religiosas não significarão necessariamente uma soma ao edifício da espiritualidade. Cada qual deve buscar primeiro essa evolução, que se traduz pela conscientização de que tem origem na luz, que é luz e que essa luz o atrai. O mais aflorará normalmente, sem que ele precise disciplinar-se para isso. Um indivíduo pode ser profundamente religioso mas viver em estado de treva, o que quer dizer ignorância acerca da luminosidade que ele próprio tem e que emana da Suprema Criação.
WALMOR MACARINI é jornalista na FOLHA DE LONDRINA





